O consumo de café no Brasil continua sendo parte do cotidiano da maioria dos lares. Porém, o aumento expressivo nos preços levou muitos a adaptar sua rotina e até a reduzir o número de xícaras diárias. Uma pesquisa do Instituto Axxus, divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), revela que a mudança de comportamento é uma resposta direta ao cenário econômico atual.
Disparada no preço do café leva brasileiros a consumir menos e mudar hábitos
O aumento do preço do café muda hábitos dos brasileiros. Descubra como o consumo diário foi afetado e quais marcas estão em alta. Leia mais!
Quer entender como os brasileiros estão lidando com esse desafio e quais fatores explicam a alta no preço da bebida? Continue a leitura e descubra.
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O impacto do preço no consumo de café

De acordo com o levantamento, 96% dos brasileiros consomem café todos os dias. Apesar dessa tradição, muitos tiveram que rever seus hábitos. Em 2025, 24% reduziram o consumo da bebida, o maior índice já registrado.
Enquanto isso, apenas 2% disseram ter aumentado a quantidade consumida, o que evidencia a pressão financeira sobre as famílias.
Além disso, a pesquisa mostra que a busca por economia mudou a forma de escolher o produto. 39% passaram a comprar a marca mais barata disponível nas prateleiras — um salto em relação a 2019, quando esse número era de apenas 7%.
O que explica a disparada do preço do café?
O aumento dos preços não é fruto de um único fator, mas de uma combinação de elementos nacionais e internacionais que pressionam o mercado. Entre eles estão:
- Tarifaço dos EUA: a taxação de 50% sobre o café brasileiro elevou o preço do grão na bolsa de Nova York.
- Baixos estoques mundiais: quatro anos consecutivos de queda na produção global reduziram a oferta.
- Clima adverso no Brasil: geadas no Cerrado Mineiro causaram prejuízo de mais de 400 mil sacas, afetando diretamente a colheita de arábica, principal variedade do país.
- Custos de produção: a indústria está pagando mais caro pelo café vindo das fazendas, pressionando os preços ao consumidor final.
Dados da Abic indicam que, em agosto de 2025, o quilo do café custava R$ 62,83, quase o dobro do registrado em 2023, quando o valor era de R$ 32,40.
Mudança nos hábitos dos consumidores
Segundo Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), “o consumidor não abre mão da bebida, mas está adaptando seus hábitos ao novo contexto econômico”.
A afirmação reflete a realidade apontada pela pesquisa: ainda que o café continue sendo parte indispensável da rotina, o brasileiro está mais atento ao preço. Hoje, muitos priorizam economia em detrimento da fidelidade a marcas específicas.
Outro dado relevante é que 44% dos entrevistados consomem de três a cinco xícaras por dia, mostrando que a tradição permanece, mas em menor intensidade para parte da população.
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Consumo de café: tradição que resiste às mudanças
Mesmo com a disparada nos preços, o café mantém sua relevância cultural e social no Brasil. Reuniões, encontros familiares e momentos de pausa no trabalho continuam sendo marcados pela bebida.
Esse vínculo cultural ajuda a explicar por que, mesmo diante da alta nos preços, a maioria da população não abandona o café. O que muda é a forma de consumir: menos quantidade ou marcas mais acessíveis.
Perspectivas para o mercado de café

De acordo com a Abic, os preços devem subir novamente nas próximas semanas, com previsão de alta em torno de 15%. Esse movimento é consequência direta da valorização internacional do grão e da pressão sobre a indústria.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que, nos últimos 12 meses, a bebida acumulou alta de 60,85% no valor final, mesmo com quedas pontuais em julho e agosto.
Esse cenário indica que a adaptação dos consumidores deve continuar sendo a regra, ao menos no curto prazo.
