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Alívio no bolso: inflação de alimentos recua e consumo doméstico avança em agosto

Consumo nos lares brasileiros sobe 2,08% em agosto com queda de preços de alimentos, aumento da renda e programas sociais. Entenda a mudança na cesta de consumo.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Assaí

O consumo das famílias brasileiras voltou a ganhar força em agosto de 2025, sustentado pela queda nos preços de alimentos, aumento da renda disponível e maior nível de emprego. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os lares do país registraram alta de 2,08% nas compras em relação a julho, já descontada a inflação medida pelo IPCA.

Na comparação com agosto de 2024, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 4,56%, enquanto o acumulado do ano aponta elevação de 2,68%. O movimento reflete a recomposição do poder de compra das famílias e está reconfigurando a cesta de abastecimento dos brasileiros.

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Pressão dos alimentos em queda: impacto direto no consumo

Preço do feijão em joão pessoa registra a maior alta entre alimentos da cesta básica
Imagem: Reprodução

Três meses de alívio consecutivo

O recuo nos preços de alimentos, pelo terceiro mês seguido, foi determinante para a retomada do consumo. O AbrasMercado, indicador que acompanha 35 itens de largo consumo, caiu 1,06% em agosto, chegando a R$ 804,85.

Entre os principais destaques:

  • Frango congelado: queda de 1,45%;
  • Carne bovina traseiro: recuo de 0,86%;
  • Ovos: baixa de 1,66%;
  • Arroz: queda de 2,61%;
  • Feijão: redução de 2,30%;
  • Café: retração de 2,17%.

Descompasso no acumulado de 12 meses

Apesar da queda recente, algumas proteínas ainda acumulam fortes altas no período de um ano:

  • Carne bovina dianteiro: +29,15%;
  • Frango congelado: +9,9%.

Segundo a Abras, fatores como estiagem, custos de produção elevados e valorização do dólar — que estimula exportações — explicam o descompasso entre alimentos básicos e proteínas.


Reconfiguração da cesta de consumo

Do básico ao valor agregado

A queda nos preços abriu espaço para uma mudança no perfil de consumo. Em apenas um ano, a participação de produtos de preço médio passou de 44,1% para 56,3% da cesta, um salto de 12,2 pontos percentuais.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, explica que a maior massa salarial não apenas aumentou o consumo de alimentos básicos, como também permitiu a diversificação para produtos de maior valor agregado, refletindo maior confiança do consumidor.

Produtos in natura mais acessíveis

Entre os itens in natura, houve quedas significativas:

  • Tomate: -13,39%;
  • Cebola: -8,69%;
  • Batata: -8,59%.

Já produtos de higiene e limpeza tiveram variações positivas, mas moderadas, como creme dental (+1,68%) e sabão em pó (+0,55%).


Emprego e renda reforçam o consumo

Dados do IBGE confirmam tendência

A PNAD Contínua revelou que a população ocupada chegou a 102,4 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho, aumento de 400 mil em relação ao mesmo período de 2024.

A massa de rendimento real habitual passou de R$ 322,4 bilhões para R$ 352,3 bilhões, ou seja, quase R$ 30 bilhões a mais circulando na economia.

Recursos extraordinários aumentam o poder de compra

Além da melhora estrutural, a renda das famílias foi reforçada por aportes temporários, entre eles:

  • Restituições do Imposto de Renda: R$ 12,9 bilhões entre julho e agosto;
  • Bolsa Família: R$ 12,8 bilhões;
  • Auxílio-Gás: R$ 554 milhões;
  • Pagamentos do PIS/Pasep;
  • Devoluções do INSS por descontos indevidos.

Nos próximos meses, novos recursos como o programa Gás do Povo e liberações adicionais do PIS/Pasep devem sustentar a trajetória de crescimento do consumo.


Panorama regional do consumo e preços

Nordeste lidera queda de preços

A análise regional mostra variações importantes no custo da cesta de consumo:

  • Nordeste: -1,72%;
  • Norte: -1,50%;
  • Sudeste: -1,23%.

Apesar do recuo, o Norte ainda concentra as cestas mais caras do país, enquanto o Nordeste mantém os menores valores médios.

Capitais com menores e maiores preços

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  • Mais baratas: Recife, São Luís e Salvador.
  • Mais caras: Rio Branco e Belém.

Essa disparidade reflete fatores logísticos, custos de transporte e condições de produção regionais.


O papel dos programas sociais e transferências

Bolsa Família e benefícios complementares

Os repasses do Bolsa Família continuam desempenhando papel central no alívio orçamentário das famílias de baixa renda. Somados ao Auxílio-Gás e às devoluções do INSS, esses recursos ampliaram a base de consumo nos supermercados.

Impacto no médio prazo

Segundo especialistas, a combinação de emprego formal em alta, massa salarial crescente e políticas de transferência de renda cria um ciclo virtuoso para o varejo alimentar, que pode se estender ao longo do segundo semestre.


Setor supermercadista em destaque

tomate inflação
Imagem: stockking – freepik

Representatividade no PIB

O setor supermercadista brasileiro faturou R$ 1,067 trilhão em 2024, equivalente a 9% do PIB nacional, segundo a Abras. Esse peso econômico reforça o impacto direto do consumo dos lares sobre a atividade do setor e, consequentemente, sobre a economia como um todo.

Desafios e perspectivas

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta:

  • Oscilações cambiais que afetam custos de importação;
  • Incertezas climáticas que influenciam preços de in natura;
  • Pressões logísticas em regiões mais isoladas.

A expectativa é de que a tendência de crescimento se mantenha, ainda que em ritmo moderado, no segundo semestre.


Considerações finais

O mês de agosto consolidou um cenário de recuperação do consumo nos lares brasileiros, impulsionado por queda nos preços de alimentos, aumento do emprego e reforço da renda via salários e programas sociais.

Mais do que crescimento no volume de compras, os dados revelam uma mudança na qualidade da cesta de consumo, com famílias migrando para itens de maior valor agregado. Essa transformação indica não apenas recuperação econômica, mas também uma possível reconfiguração estrutural do padrão de consumo no país.

Se as condições de renda e preços se mantiverem favoráveis, o setor supermercadista seguirá como protagonista no crescimento da economia brasileira em 2025.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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