A conta de luz pode ficar mais pesada para cerca de 2,03 milhões de unidades consumidoras atendidas pela CEEE-D no Rio Grande do Sul. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu uma consulta pública sobre a revisão das tarifas da distribuidora, com proposta de aumento médio de 24,24% para consumidores de baixa tensão.
Esse grupo inclui residências, pequenos comércios, propriedades rurais e outros imóveis ligados à rede de menor voltagem. Para consumidores de alta tensão, como grandes lojas e indústrias, o efeito médio calculado é de 15,88%. Considerando todas as classes, a proposta representa aumento médio de 22,31%.
Os percentuais, porém, ainda não foram aprovados definitivamente. A consulta ficará aberta até 9 de outubro de 2026, e a decisão final será tomada após a análise das contribuições da sociedade. Caso os índices sejam confirmados, as novas tarifas deverão entrar em vigor em 22 de novembro.
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O que a ANEEL está propondo para a CEEE-D

A proposta faz parte da Revisão Tarifária Periódica da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica, a CEEE-D, atualmente controlada pelo Grupo Equatorial.
A revisão tarifária é um processo regulatório no qual a ANEEL reavalia os custos, os investimentos, a eficiência operacional e a remuneração da distribuidora. Ao final dessa análise, a agência estabelece quanto a concessionária poderá cobrar pelo serviço de distribuição de energia.
De acordo com os índices preliminares apresentados pela ANEEL, os efeitos médios seriam:
| Grupo de consumidores | Índice proposto |
|---|---|
| Baixa tensão | 24,24% |
| Alta tensão | 15,88% |
| Efeito médio geral | 22,31% |
A baixa tensão concentra a maior parte dos consumidores comuns. Por isso, o índice de 24,24% é o que mais chama a atenção das famílias gaúchas.
Quem está no grupo de baixa tensão
São classificados como consumidores de baixa tensão os imóveis atendidos com fornecimento elétrico em tensões inferiores a 2,3 quilovolts. Na prática, essa categoria reúne:
- residências;
- apartamentos e condomínios;
- pequenos estabelecimentos comerciais;
- propriedades rurais;
- oficinas e pequenos prestadores de serviços;
- parte dos prédios públicos.
Já a alta tensão atende, principalmente, indústrias, redes comerciais de maior porte e empreendimentos com equipamentos que exigem uma carga elétrica mais elevada.
A conta de luz vai subir exatamente 24,24%?
Não necessariamente. O percentual divulgado representa um efeito médio sobre as tarifas dos consumidores de baixa tensão, e não uma garantia de que todas as faturas terão aumento idêntico.
A conta de energia é formada por diferentes componentes. Além da tarifa de fornecimento, podem aparecer tributos, cobrança de bandeira tarifária, contribuição de iluminação pública, multas, juros, parcelamentos e outros serviços.
Também existem diferenças conforme a classe do consumidor, a modalidade tarifária e a quantidade de energia utilizada. Por isso, duas famílias com consumo semelhante podem não receber contas exatamente iguais.
Veja uma simulação aproximada
Considere, como exemplo hipotético, uma conta de R$ 200. Se todo o valor acompanhasse uma alta de 24,24%, a nova cobrança chegaria a aproximadamente R$ 248,48 — uma diferença de R$ 48,48.
A conta é simples:
R$ 200 × 24,24% = R$ 48,48
Entretanto, essa simulação serve apenas para dimensionar o possível impacto. A contribuição de iluminação pública, por exemplo, é definida pelo município e pode não acompanhar o mesmo percentual. Impostos, bandeiras e descontos também interferem no resultado final.
A maneira mais segura de estimar o novo gasto será comparar as tarifas homologadas pela ANEEL com uma fatura anterior, mantendo o mesmo consumo em quilowatts-hora.
Por que a tarifa pode aumentar tanto
A ANEEL informou que dois fatores tiveram peso relevante no cálculo preliminar: o aumento da base de remuneração da distribuidora e a recomposição de parte do diferimento tarifário realizado em 2024.
Embora os termos pareçam técnicos, eles podem ser compreendidos de maneira simples.
Aumento da base de remuneração
A base de remuneração reúne os investimentos reconhecidos pela agência reguladora como necessários para a prestação do serviço. Entram nesse cálculo ativos como postes, redes, transformadores, subestações e outros equipamentos utilizados pela concessionária.
A distribuidora tem direito a uma remuneração regulada sobre esses investimentos. Quando a base reconhecida aumenta, esse componente pode pressionar a tarifa paga pelos consumidores.
Isso não significa que todo valor solicitado pela empresa seja aceito automaticamente. A ANEEL analisa se os investimentos foram realizados de maneira adequada, se são úteis ao serviço e se os custos estão compatíveis com as regras do setor elétrico.
Recomposição do diferimento de 2024
Diferimento tarifário é o adiamento da cobrança de determinados custos. Em vez de repassar toda a despesa imediatamente ao consumidor, parte dela é transferida para um processo tarifário futuro.
No caso da CEEE-D, a proposta prevê a recomposição de valores cuja cobrança foi adiada em 2024, diante dos efeitos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
O mecanismo ajudou a evitar uma pressão maior sobre as tarifas naquele momento, quando famílias e empresas ainda enfrentavam os impactos econômicos da tragédia climática. Agora, parte do valor adiado aparece no cálculo da revisão de 2026.
Na prática, é semelhante a uma despesa que não desapareceu, mas teve seu pagamento transferido para depois.
Revisão tarifária não é o mesmo que reajuste anual
A revisão tarifária periódica é mais ampla do que o reajuste anual. Embora os dois processos possam alterar a conta de luz, eles possuem objetivos diferentes.
O reajuste anual atualiza custos que variaram desde o processo anterior, como compra de energia, transmissão, encargos e inflação sobre despesas administráveis.
A revisão periódica ocorre em intervalos definidos no contrato de concessão. Ela reavalia a estrutura econômica da distribuidora, os investimentos realizados, os níveis de eficiência e a remuneração necessária para a prestação do serviço.
É nesse processo que a ANEEL também busca evitar que o consumidor pague por custos excessivos ou por ineficiências que deveriam ser assumidas pela própria empresa.
A proposta afeta todos os consumidores do Rio Grande do Sul?
Não. A eventual alta será aplicada somente às unidades consumidoras atendidas pela CEEE-D.
O Rio Grande do Sul possui diferentes distribuidoras de energia. Consumidores atendidos por empresas como RGE ou por determinadas cooperativas de eletrificação não fazem parte desta revisão tarifária.
Para descobrir qual é a distribuidora responsável pelo imóvel, basta consultar a parte superior da conta de luz. O nome da concessionária e o número da unidade consumidora aparecem na fatura.
Também é importante observar que o índice médio não depende do município isoladamente. Se duas cidades fizerem parte da área de concessão da CEEE-D, ambas estarão submetidas às tarifas aprovadas para a empresa.
Clientes da Tarifa Social também podem ser afetados?
Os consumidores inscritos na Tarifa Social de Energia Elétrica recebem descontos conforme as regras do benefício e o consumo mensal. A revisão da CEEE-D não elimina automaticamente esse direito.
Ainda assim, uma mudança na tarifa-base pode influenciar o valor sobre o qual o desconto é calculado. Isso significa que o consumidor pode continuar recebendo o benefício e, mesmo assim, perceber alteração na fatura.
A recomendação é verificar se o cadastro familiar e os dados do titular da conta estão atualizados. Quem acredita ter direito ao benefício, mas não recebe o desconto, deve procurar a distribuidora e conferir as informações do Cadastro Único.
Quando o aumento poderá entrar em vigor
A previsão é que as tarifas revisadas passem a valer em 22 de novembro de 2026. Essa data, contudo, depende da conclusão do processo e da homologação dos índices pela diretoria da ANEEL.
O calendário previsto é o seguinte:
- 26 de agosto: início do período de contribuições;
- 8 de outubro: audiência pública em Porto Alegre;
- 9 de outubro: encerramento da consulta;
- 22 de novembro: data prevista para entrada em vigor das tarifas aprovadas.
Até a decisão final, o consumidor deve tratar os 24,24% como uma proposta. As contribuições recebidas, as análises técnicas e eventuais ajustes regulatórios podem alterar o resultado.
Como participar da consulta pública
A Consulta Pública nº 027/2026 permite que consumidores, órgãos públicos, entidades de defesa do consumidor, especialistas e representantes do setor elétrico enviem sugestões e questionamentos.
As contribuições podem ser encaminhadas até 9 de outubro aos endereços informados pela agência:
- [email protected]: revisão tarifária;
- [email protected]: estrutura tarifária;
- [email protected]: perdas técnicas.
A audiência pública está marcada para 8 de outubro, em Porto Alegre. O objetivo é apresentar os cálculos e ouvir manifestações da sociedade antes da decisão.
Para que uma contribuição tenha mais força, é recomendável identificar o ponto questionado, apresentar a justificativa e, quando possível, incluir documentos ou cálculos que sustentem o argumento.
O que fazer para reduzir o impacto na fatura
Enquanto o índice definitivo não é divulgado, o consumidor pode usar a própria conta de luz para identificar onde está o maior gasto. O histórico mensal mostra o consumo em quilowatts-hora e permite comparar períodos semelhantes.
Algumas medidas práticas podem ajudar:
- reduzir o tempo do chuveiro elétrico;
- evitar o uso simultâneo de equipamentos de alta potência;
- revisar a vedação da geladeira;
- desligar aparelhos que permanecem em espera;
- trocar lâmpadas antigas por modelos de LED;
- verificar possíveis fugas de energia;
- conferir se a leitura registrada corresponde ao medidor;
- manter os dados atualizados para acesso à Tarifa Social, quando houver direito.
O consumidor também deve separar aumento de tarifa de aumento de consumo. Se o número de quilowatts-hora subir, a conta poderá crescer mesmo antes da revisão tarifária.
Em caso de variação inesperada, é possível solicitar à CEEE Equatorial a conferência da leitura e a verificação do medidor. Se o problema não for resolvido, o consumidor pode recorrer à ANEEL ou aos órgãos de defesa do consumidor.
O que acontece depois da consulta
Depois do encerramento da consulta e da audiência pública, a área técnica da ANEEL analisará as contribuições. Os argumentos poderão ser acolhidos, parcialmente aceitos ou rejeitados, sempre com justificativas dentro do processo regulatório.
Em seguida, a diretoria da agência decidirá os percentuais definitivos. Somente após essa deliberação será possível saber quanto a tarifa da CEEE-D realmente aumentará.
Portanto, a principal informação para o consumidor gaúcho é esta: existe uma proposta de alta média de 24,24% para a baixa tensão, mas o percentual ainda não está fechado. Quem é atendido pela distribuidora deve acompanhar a decisão da ANEEL antes de calcular o novo orçamento doméstico.
Perguntas frequentes

O aumento de 24,24% da CEEE-D já foi aprovado?
Não. O índice faz parte de uma proposta submetida à Consulta Pública nº 027/2026. A ANEEL ainda analisará as contribuições antes de aprovar as tarifas definitivas.
Quando a nova tarifa da CEEE Equatorial começa a valer?
A previsão é 22 de novembro de 2026, desde que a revisão seja concluída e homologada pela ANEEL.
Quem será atingido pelo possível aumento?
O processo afeta os consumidores atendidos pela CEEE-D no Rio Grande do Sul. O índice médio de 24,24% é destinado à baixa tensão, que inclui residências, pequenos comércios e propriedades rurais.
Todos os gaúchos pagarão a tarifa mais alta?
Não. Consumidores atendidos por outras distribuidoras ou cooperativas não fazem parte da revisão da CEEE-D.
Uma conta de R$ 200 passará para R$ 248,48?
Esse valor é apenas uma estimativa matemática. A fatura possui impostos, contribuição de iluminação pública, bandeiras e outros componentes que podem não variar exatamente no mesmo percentual.
Quem recebe Tarifa Social perderá o desconto?
Não por causa desta revisão. O benefício continua sujeito às regras próprias. Contudo, o valor final pode mudar se houver alteração na tarifa usada como base para o cálculo.
Como reclamar de uma conta de luz muito alta?
Primeiro, o consumidor deve conferir o consumo, a leitura e os lançamentos da fatura e procurar a distribuidora. Se a situação não for resolvida, poderá acionar a ouvidoria da empresa, a ANEEL e os órgãos de defesa do consumidor.
