A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) chegou ao fim neste sábado (22), com a assinatura de 29 documentos por unanimidade, conhecidos como Pacote de Belém.
Cop30 anuncia pacote de belém com ações inéditas; entenda o que foi assinado
COP30 aprova Pacote de Belém com medidas inéditas de adaptação, florestas e emissões. Saiba detalhes e impactos da conferência.
A reunião contou com 195 países e trouxe decisões voltadas à adaptação climática, preservação de florestas tropicais e redução de emissões de carbono.
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Principais mudanças anunciadas na COP30
A COP30, que durou 13 dias, exigiu unanimidade na assinatura dos documentos, garantindo que todas as decisões fossem reconhecidas internacionalmente. O Pacote de Belém reúne medidas de transição justa, financiamento climático, tecnologia, comércio e questões de gênero.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Um dos destaques da COP30 é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que transforma a preservação ambiental em investimento. Países contribuem financeiramente para manter florestas tropicais e recebem retorno monetário baseado nas taxas de mercado, somando atualmente US$ 6,7 bilhões com 63 países participantes.
Triplicação do financiamento para adaptação
Os países acordaram triplicar os recursos destinados à adaptação climática até 2035, com destaque para apoio financeiro dos países desenvolvidos aos em desenvolvimento. O montante projetado é de pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais durante uma década.
Meta Global de Adaptação
A COP30 definiu 59 indicadores voluntários para monitorar a Meta Global de Adaptação, presente no Acordo de Paris de 2015. Setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência serão acompanhados por esses indicadores, fortalecendo ações práticas de adaptação.
Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs)
Durante a conferência, 122 países apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos para reduzir emissões de gases de efeito estufa. As NDCs, estabelecidas na COP21, devem ser atualizadas a cada cinco anos, reforçando metas globais de mitigação.
Mutirão e implementação de ações
O documento “Mutirão” estabelece mecanismos para aumentar a ambição coletiva:
- Acelerador Global de Implementação: iniciativa voluntária para apoiar países na execução de NDCs e Planos Nacionais de Adaptação.
- Missão Belém para 1,5°C: plataforma voltada à cooperação internacional em mitigação, adaptação e investimento, coordenada entre COP29 e COP31.
Foco em pessoas e gênero
A COP30 também enfatizou a necessidade de atenção às pessoas e questões de gênero. A transição justa deve priorizar populações vulneráveis, incluindo afrodescendentes e mulheres indígenas, rurais e em situação de vulnerabilidade, ampliando recursos e oportunidades de liderança.
Investimentos e iniciativas estratégicas
Algumas ações de destaque incluem:
- US$ 1,4 bilhão da Fundação Gates para apoiar pequenos agricultores;
- Plano de Ação de Saúde de Belém com US$ 300 milhões do Fundo de Financiadores do Clima e Saúde;
- Acelerador Raiz, com apoio de 10 países para restaurar terras agrícolas degradadas;
- Iniciativa Fini (Fostering Investible National Implementation), que reúne capital público e privado para viabilizar planos de adaptação, com meta de US$ 1 trilhão em três anos, sendo 20% de aporte privado.
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Ação sobre combustíveis fósseis
Uma das propostas brasileiras, o Mapa do Caminho para combustíveis fósseis, não foi aprovada por falta de unanimidade, embora tenha apoio de 80 a 85 países. A iniciativa continua em discussão, com o objetivo de promover a transição energética e reduzir emissões.
Continuidade da liderança do Brasil
O país mantém a presidência da COP até novembro de 2026, o que permite dar continuidade a ações estratégicas, como o Fundo Florestas Tropicais, a Fini e o acompanhamento de planos nacionais de adaptação. Segundo autoridades, a edição de 2025 é a COP da Implementação, focada em resultados concretos para clima, saúde, agricultura e florestas.
Impactos esperados do Pacote de Belém
O conjunto de decisões aprovado visa:
- Fortalecer a adaptação e mitigação climática global;
- Incentivar investimentos em florestas tropicais e infraestrutura sustentável;
- Priorizar equidade social e inclusão de populações vulneráveis;
- Criar mecanismos de cooperação internacional e monitoramento efetivo;
- Garantir ambição e compromisso contínuo para alcançar metas climáticas globais.
Especialistas afirmam que, embora desafios permaneçam, o Pacote de Belém representa um avanço significativo para consolidar ações concretas, investimentos estratégicos e governança internacional eficiente em mudanças climáticas.
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Com informações de: Olhar Digital
