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Segurança da COP30: o que diz a carta da ONU que levou ao reforço no Parque da Cidade

Após alerta da ONU, governo reforça segurança na COP30 com militares e bloqueios; indígenas protestam em Belém.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
cop30

A COP30, conferência climática da ONU que ocorre em Belém (PA), viveu nesta sexta-feira (14) um momento de tensão e reconfiguração de segurança, após a Organização das Nações Unidas (ONU) enviar uma carta crítica às autoridades brasileiras. O documento expôs fragilidades na segurança da chamada Zona Azul, área de acesso restrito onde acontecem as principais negociações internacionais sobre o clima.

O alerta provocou mudanças imediatas na estrutura de segurança do evento, que passou a contar com reforço do Exército, Polícia Federal, GSI da Presidência, Força Nacional, Polícia Militar do Pará e seguranças privados contratados especialmente para a conferência.

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Reforço visível nas ruas e entradas da COP30

Nas primeiras horas da manhã, era possível observar uma nova configuração de bloqueios e policiamento ostensivo. Gradis metálicos foram colocados em pontos estratégicos da Avenida Duque de Caxias, especialmente no cruzamento com a Doutor Freitas, dificultando a formação de aglomerações.

O acesso ao hangar principal da COP30, onde se localiza o pavilhão de exposições e estandes internacionais, também foi alterado. A entrada pela Avenida Brigadeiro Protásio passou a ter bloqueios adicionais, com militares do Exército em prontidão, algo que não era visto nos dias anteriores da conferência.

Além disso, viaturas da Polícia Militar passaram a patrulhar continuamente o perímetro, e agentes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foram incorporados ao controle de acesso nas entradas principais.

O que dizia a carta da ONU?

A carta foi assinada por Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). No documento, ele aponta de forma direta falhas graves de segurança na COP30, citando:

  • Ausência de forças de segurança nos pontos de entrada e saída;
  • Portas e portões frágeis que não podiam ser trancados adequadamente;
  • Baixo número de agentes de segurança enviados pelo País Anfitrião, descumprindo o acordo com o Departamento de Segurança da ONU (UNDSS).

O tom do documento foi considerado severo e excepcional dentro dos protocolos diplomáticos, colocando o governo federal, o governo do Pará e a organização da COP30 sob pressão imediata para corrigir as deficiências.

Indígenas protestam e testam o novo esquema de segurança

O novo cerco foi colocado à prova por um grupo de indígenas da etnia Munduruku, que realizaram uma manifestação pacífica logo ao amanhecer, nas imediações da entrada principal da COP30.

Empunhando faixas com dizeres como:

  • A nossa floresta não está à venda
  • Território indígena Munduruku é sagrado! Chega de invasão e desrespeito!

O grupo exigia falar diretamente com o presidente Lula, que estava em Brasília no momento. Os manifestantes criticaram a exclusão dos povos originários das negociações centrais da conferência, que, segundo eles, ocorrem “de portas fechadas e no ar-condicionado, sem ouvir quem vive nas florestas”.

“Queremos as terras demarcadas. Queremos que não tenha petróleo que prejudique os povos indígenas”, disse a liderança Alessandra Munduruku, uma das principais vozes da luta indígena na Amazônia.

Reação imediata das forças de segurança

Assim que o grupo indígena se aproximou dos portões do hangar, forças de segurança foram mobilizadas rapidamente. A operação envolveu:

  • Exército Brasileiro dentro da Zona Azul;
  • Polícia Federal e Força Nacional de Segurança no entorno;
  • Batalhão de Polícia de Choque da PM do Pará, do lado de fora;
  • Bombeiros civis e seguranças privados, que chegaram a evacuar parte do pavilhão.

O ambiente ficou tenso por pouco mais de uma hora. Segundo relatos, às 6h45, o acesso ao local foi totalmente liberado, e os protestos foram encerrados sem confrontos.

O que é a Zona Azul da COP30?

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A Zona Azul é o espaço mais restrito da COP30, operada sob diretrizes da ONU, onde se concentram:

  • Negociações diplomáticas;
  • Reuniões técnicas de alto nível;
  • Participação de chefes de Estado e ministros;
  • Estandes de países e organismos multilaterais.

Esse espaço, diferentemente da Zona Verde, voltada à sociedade civil e ONGs, é regulado pelo Departamento de Segurança da ONU (UNDSS) e requer credenciamento internacional.

Justamente por essa natureza sensível, as falhas apontadas na carta foram consideradas inaceitáveis pela UNFCCC, uma vez que colocariam em risco autoridades internacionais e a confidencialidade das tratativas climáticas.

Participação indígena e críticas à estrutura da conferência

A COP30 vinha sendo celebrada por seu ineditismo: é a primeira vez que a conferência acontece na Amazônia, coração da luta global contra a mudança climática. No entanto, povos indígenas e organizações da sociedade civil têm criticado a falta de representatividade nas mesas de negociação e o distanciamento físico e simbólico entre autoridades e populações tradicionais.

O protesto do grupo Munduruku escancara essa insatisfação, especialmente frente a temas como:

  • Exploração de petróleo em áreas sensíveis da Amazônia;
  • Não demarcação de terras indígenas;
  • Projetos de infraestrutura com impacto ambiental elevado.

Para especialistas, blindar o evento sem garantir escuta ativa aos povos originários representa um risco à legitimidade da COP30.

Imagem: Divulgação

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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