O Comitê de Política Monetária, o Copom, iniciou nesta terça-feira (15) a reunião que definirá o novo patamar da taxa Selic. O anúncio está previsto para esta quarta-feira (16), a partir das 18h30, e pode mexer com empréstimos, financiamentos, investimentos e a cotação do dólar.
A expectativa predominante no mercado financeiro é de uma redução de 0,25 ponto percentual. Se a projeção for confirmada, a Selic passará dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Esse possível corte não significa, porém, que o crédito ficará barato imediatamente. A taxa continuará elevada, enquanto o cenário internacional e as projeções de inflação exigem cautela do Banco Central.
O Copom precisa decidir entre continuar reduzindo os juros diante da desaceleração da economia ou interromper o movimento para evitar que a inflação volte a ganhar força.
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O que acontece durante a reunião do Copom?

A primeira etapa da reunião começou às 10h06 desta terça-feira. Nessa fase, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os demais integrantes do comitê acompanham apresentações técnicas preparadas pelo corpo funcional da instituição.
Essas apresentações formam a chamada análise de conjuntura. Em linguagem simples, é o momento em que o Copom reúne as principais informações sobre a economia brasileira e internacional antes de tomar uma decisão.
Entre os assuntos examinados estão:
- comportamento da inflação;
- ritmo da atividade econômica;
- situação do mercado de trabalho;
- evolução do crédito e do consumo;
- contas públicas;
- cotação do dólar;
- preços das commodities;
- decisões de outros bancos centrais;
- expectativas de consumidores, empresas e investidores.
O comitê também analisa diferentes projeções para os próximos meses. Isso é necessário porque os juros não produzem todos os seus efeitos imediatamente.
Uma alteração da Selic pode levar meses para aparecer de forma mais clara nos financiamentos, no consumo e nos preços. Por esse motivo, o Banco Central precisa decidir olhando não apenas para a inflação atual, mas principalmente para o que pode acontecer no futuro.
Como funciona a segunda etapa?
A segunda parte da reunião acontece nesta quarta-feira. Nela, os integrantes do Copom discutem as alternativas para a taxa básica de juros e apresentam seus votos.
Ao final, o Banco Central divulga um comunicado com a decisão. O texto também costuma trazer uma avaliação dos principais riscos e indicar quais condições poderão influenciar as próximas reuniões.
O horário habitual de divulgação é a partir das 18h30, conforme o calendário do Banco Central. A decisão entra em vigor após sua publicação.
Na terça-feira seguinte à reunião, o Copom publica a ata. Esse documento é mais detalhado e ajuda a entender por que os integrantes decidiram aumentar, manter ou reduzir a Selic.
Para o mercado, a linguagem utilizada pode ser tão importante quanto a própria taxa. Um corte acompanhado de um comunicado cauteloso, por exemplo, pode indicar que novas reduções não estão garantidas.
A Selic vai cair para 13,75%?
A maioria das instituições financeiras consultadas antes da reunião espera um corte de 0,25 ponto percentual.
Em levantamento da Projeções Broadcast, 75 das 78 instituições ouvidas apostavam na redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano. As outras três projetavam a manutenção no nível atual.
O Boletim Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central com economistas do mercado, também apontava a expectativa de Selic em 13,75% ao final de 2026. A reunião de setembro ocorre nos dias 15 e 16.
Ainda assim, a redução não está confirmada. Somente o comunicado do Copom poderá transformar a projeção em decisão oficial.
O comitê pode seguir a expectativa predominante, manter os juros em 14% ou tomar outra decisão se considerar que houve uma mudança relevante no equilíbrio de riscos.
O que favorece um novo corte dos juros?
Os dados mais recentes mostram uma perda de ritmo da economia e uma inflação corrente mais baixa. Esses dois fatores costumam abrir espaço para a redução da Selic.
Inflação de agosto ficou negativa
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, recuou 0,32% em agosto. Foi a menor taxa mensal desde agosto de 2022.
A queda foi influenciada principalmente pela energia elétrica, pelos alimentos, pelas passagens aéreas e pelos combustíveis. Em 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,44% para 4,22%, segundo os dados divulgados pelo IBGE. O indicador acumulava alta de 3,11% em 2026.
A inflação negativa ajuda o Copom porque indica uma redução do nível médio dos preços naquele mês. Mas o resultado precisa ser interpretado com cuidado.
Parte da deflação veio de fatores que podem não se repetir, como o bônus de Itaipu aplicado à conta de energia. Isso significa que a queda de agosto não garante novos meses de inflação negativa.
Além disso, 54% dos produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. Esse índice, chamado de difusão, mostra que as altas ainda estavam espalhadas por uma parcela relevante da cesta de consumo.
Economia perdeu velocidade
O Produto Interno Bruto, o PIB, cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano.
O resultado mostra que a economia continuou crescendo, mas em ritmo menor. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. O PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no trimestre.
As vendas no varejo também recuaram 0,8% em julho na comparação com junho. A fraqueza do consumo reforça a leitura de que os juros altos estão reduzindo a disposição das famílias para comprar e contratar crédito.
Quando a atividade desacelera, as empresas encontram mais dificuldade para reajustar preços. Isso pode ajudar a controlar a inflação e permitir uma redução gradual dos juros.
Por que o Copom ainda pode ser cauteloso?
Mesmo com a inflação mensal negativa e a atividade mais fraca, o Banco Central observa riscos que podem pressionar os preços nos próximos meses.
O primeiro deles está nas próprias projeções. A mediana do Boletim Focus para o IPCA de 2026 caiu de aproximadamente 5% para 4,90%, mas ainda permanece acima do limite superior da meta.
O sistema brasileiro trabalha com uma meta contínua de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o limite superior é de 4,5%.
Para 2027, a estimativa do mercado subiu de 4,22% para 4,30%. As projeções para 2028 e 2029 também permanecem acima do centro da meta.
Esses números importam porque as expectativas podem influenciar os preços atuais. Se empresas acreditam que a inflação ficará alta, podem antecipar reajustes. Trabalhadores também podem pedir aumentos maiores para tentar preservar o poder de compra.
Petróleo caro representa novo risco
Outro motivo de preocupação é a alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent voltou a superar US$ 100, aumentando o risco de pressão sobre combustíveis, transportes e custos industriais.
O efeito não chega automaticamente aos postos brasileiros. Os preços dependem da cotação do dólar, da política comercial das empresas, dos impostos, da mistura de biocombustíveis e das margens de distribuição e revenda.
Mesmo assim, uma alta prolongada do petróleo pode tornar gasolina e diesel mais caros. Como o transporte rodoviário é predominante no Brasil, o impacto pode alcançar alimentos, medicamentos e outros produtos.
Dólar também entra na conta
Juros menores no Brasil podem reduzir a diferença entre a remuneração dos investimentos brasileiros e estrangeiros. Isso pode diminuir a entrada de capital e pressionar a cotação do dólar.
Quando o dólar sobe, produtos e insumos importados ficam mais caros em reais. O impacto pode aparecer em eletrônicos, medicamentos, trigo, fertilizantes, combustíveis e componentes industriais.
O cenário internacional está especialmente delicado porque o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também decidirá os juros nesta semana.
Se os juros norte-americanos subirem, os títulos dos Estados Unidos se tornam mais atraentes. Parte dos investidores pode retirar dinheiro de países emergentes, como o Brasil, para buscar a remuneração oferecida pelo mercado norte-americano.
O que muda se a Selic cair?
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia o custo do dinheiro, mas não determina sozinha quanto bancos e financeiras cobram dos consumidores.
Se o Copom reduzir a Selic para 13,75%, aplicações e operações de crédito poderão começar a incorporar a nova taxa. O efeito, entretanto, tende a ser gradual e desigual.
Empréstimos e financiamentos
Uma Selic menor pode contribuir para a redução dos juros de empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e crédito para empresas.
Isso não significa que todas as taxas cairão 0,25 ponto percentual. Os bancos também consideram risco de inadimplência, prazo, garantias, impostos, despesas operacionais e margem de lucro.
No cartão de crédito e no cheque especial, por exemplo, os juros costumam ficar muito acima da Selic. Um corte pequeno na taxa básica tende a produzir um impacto limitado nessas modalidades.
Para o consumidor, a orientação continua sendo comparar o Custo Efetivo Total, o CET. Esse indicador reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos, mostrando quanto o contrato realmente custará.
Investimentos de renda fixa
Aplicações ligadas ao CDI ou à Selic podem passar a render um pouco menos se o corte for confirmado.
Esse efeito pode alcançar:
- Tesouro Selic;
- CDBs pós-fixados;
- fundos DI;
- contas remuneradas;
- outros investimentos vinculados ao CDI.
Como a redução esperada é pequena, a renda fixa continuará oferecendo remuneração elevada. Um investimento que paga 100% do CDI não deixará de ser atrativo apenas porque a Selic caiu de 14% para 13,75%.
O rendimento líquido dependerá também do Imposto de Renda, das taxas cobradas e do tempo que o dinheiro permanecer aplicado.
Bolsa e fundos imobiliários
Juros menores podem beneficiar ativos de risco, como ações e fundos imobiliários. Isso acontece porque a renda fixa perde uma pequena parte da atratividade e o custo de financiamento das empresas pode diminuir.
O efeito não é automático. As cotações também dependem dos lucros das companhias, do cenário político, das contas públicas, do dólar e da economia internacional.
Se o mercado já esperava o corte, parte do impacto pode ter sido incorporada aos preços antes da reunião. Nesse caso, a reação dependerá mais do comunicado sobre os próximos passos do que da redução em si.
Financiamento imobiliário
Os juros dos financiamentos habitacionais podem acompanhar a Selic ao longo do tempo, mas não mudam imediatamente após uma única reunião do Copom.
As taxas dependem do custo de captação dos bancos, das regras de cada linha de crédito, da disponibilidade de recursos da poupança e do perfil do cliente.
Quem já possui financiamento com taxa prefixada também não terá a parcela reduzida automaticamente. O contrato segue as condições assinadas, salvo se houver renegociação ou portabilidade.
Um corte de 0,25 ponto faz diferença no bolso?
Para uma dívida individual, a mudança imediata pode ser pequena. O impacto se torna mais relevante quando os cortes se acumulam ao longo de várias reuniões.
Em um exemplo hipotético, um empréstimo de R$ 10 mil não ficará automaticamente R$ 25 mais barato porque a Selic caiu 0,25 ponto percentual. A taxa básica é anual, enquanto o custo final inclui vários componentes.
Além disso, bancos não são obrigados a repassar integralmente cada redução. A queda pode aparecer em intensidades diferentes conforme o produto e o risco do cliente.
Para a economia como um todo, entretanto, mesmo um corte pequeno movimenta valores expressivos. A Selic influencia parte importante dos títulos da dívida pública, o crédito bancário e a remuneração de trilhões de reais aplicados no país.
O corte pode ser o último de 2026?
Algumas instituições avaliam que o Copom poderá reduzir a Selic nesta reunião e interromper o ciclo em novembro. Essa leitura ganhou força com a alta do petróleo, as expectativas de inflação ainda elevadas e as incertezas internas e externas.
Uma pausa significa manter a taxa no mesmo nível por uma ou mais reuniões para observar os efeitos das decisões anteriores. Não representa necessariamente o fim definitivo dos cortes.
O Banco Central costuma afirmar que os próximos passos dependerão dos dados. Na prática, isso significa que inflação, atividade econômica, dólar, contas públicas e cenário internacional continuarão sendo monitorados.
Se as expectativas de inflação melhorarem, poderá surgir espaço para novos cortes. Se os preços voltarem a acelerar ou o dólar apresentar forte valorização, o comitê poderá manter a taxa elevada por mais tempo.
Quando o consumidor sentirá os efeitos?
Os investimentos de renda fixa costumam reagir rapidamente às decisões e, principalmente, às expectativas do mercado. Já o crédito para pessoas físicas pode demorar mais para refletir a nova Selic.
Quem pretende contratar um financiamento não precisa necessariamente esperar a reunião, mas deve pesquisar diferentes instituições. A diferença entre duas propostas costuma ser maior do que o impacto de um único corte de 0,25 ponto.
Também pode valer a pena verificar a portabilidade de dívidas antigas. A operação permite transferir o saldo devedor para outro banco que ofereça condições melhores, desde que a economia seja real depois de considerados todos os custos.
Para quem investe, a decisão do Copom não deve provocar uma mudança impulsiva de carteira. O ideal é considerar objetivo, prazo, necessidade de resgate e tolerância a oscilações.
O que acompanhar após a decisão?
O primeiro documento será o comunicado divulgado na noite desta quarta-feira. O texto informará o novo nível da Selic e apresentará uma avaliação resumida da economia.
Os principais pontos a observar serão:
- decisão unânime ou existência de divergências;
- avaliação sobre a inflação;
- comentário sobre as expectativas do mercado;
- impacto do petróleo e do cenário externo;
- sinais de desaceleração da economia;
- indicação sobre novas reduções;
- possibilidade de pausa nas próximas reuniões.
A ata, publicada na semana seguinte, trará uma explicação mais aprofundada. Ela ajudará a identificar se o Copom acredita que a inflação está convergindo para a meta ou se ainda considera necessário manter uma política monetária restritiva.
Até o anúncio oficial, a redução para 13,75% continua sendo apenas a projeção predominante. O próximo passo do consumidor é evitar decisões baseadas somente na expectativa e comparar as condições reais oferecidas pelos bancos depois que a nova taxa for divulgada.
Perguntas frequentes

Quando sai a decisão do Copom?
A decisão está prevista para esta quarta-feira, 16 de setembro, a partir das 18h30.
Qual é a Selic atual?
A Selic está em 14% ao ano antes da conclusão da reunião de setembro.
Para quanto a Selic pode cair?
A maioria das instituições financeiras espera um corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa para 13,75% ao ano.
A redução da Selic já está confirmada?
Não. O corte é uma projeção do mercado. A decisão oficial será anunciada pelo Banco Central depois da reunião do Copom.
Empréstimos ficarão mais baratos imediatamente?
Não necessariamente. Os bancos consideram risco, prazo, garantias, inadimplência e custos operacionais. O repasse de uma queda da Selic costuma ser gradual.
A poupança muda com a Selic em 13,75%?
Não muda sua regra de rendimento. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, a TR.
O Tesouro Selic passará a render menos?
Se a taxa for reduzida, a remuneração futura do Tesouro Selic tende a acompanhar o novo patamar. A mudança será pequena em um corte de 0,25 ponto percentual.
Por que o Copom não reduz os juros mais rapidamente?
O comitê tenta evitar que uma redução acelerada estimule o consumo e pressione novamente a inflação. Também considera dólar, contas públicas, petróleo e juros internacionais.
