No competitivo e dinâmico universo das fintechs brasileiras, a Cora tem se destacado pela sua estratégia de crescimento progressivo e focado nas reais necessidades de seus clientes. Desde a criação de sua conta digital no final de 2020, a empresa avançou para produtos como cartão de crédito, crédito para capital de giro e, agora, aposta na antecipação de recebíveis como novo vetor de crescimento.
Cora libera crédito com adiantamento de boletos e acelera crescimento
Cora lança antecipação de recebíveis com foco em PMEs e planeja crescer até 70% em 2025, após atingir o breakeven e escalar crédito com IA.
A proposta, lançada oficialmente após um período de testes iniciado em janeiro de 2025, surge em um momento em que o crédito permanece restrito e caro para pequenas e médias empresas (PMEs) — público-alvo da Cora.
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Um produto pensado para escalar

A evolução do portfólio
Segundo Igor Senra, fundador e CEO da Cora, a nova funcionalidade é parte de uma evolução natural da empresa:
“Esse é o produto que a gente quer escalar. Mas não conseguiríamos colocá-lo no ar sem antes ter feito o anterior [de capital de giro]”, afirmou em entrevista.
Resultados promissores
Os números validam o otimismo: com 70% de recontratação, a solução tem se mostrado não apenas funcional, mas também recorrente. Alguns clientes já realizam até três contratações por mês, o que indica forte aderência e fidelização à nova linha de crédito.
O cenário de crédito para pequenas empresas no Brasil
A dificuldade de acesso ao crédito
Mesmo com avanços regulatórios e maior presença de fintechs no mercado, o acesso ao crédito segue sendo um dos grandes gargalos enfrentados por pequenos negócios. As taxas de juros elevadas e os critérios rígidos impostos pelas instituições financeiras tradicionais dificultam a obtenção de crédito em momentos estratégicos.
A vantagem da Cora: dados e boletos
Um dos diferenciais competitivos da Cora está na capacidade de analisar o comportamento financeiro de seus clientes por meio da emissão recorrente de boletos — prática já consolidada pela empresa, que movimenta bilhões de reais mensalmente nesse formato. Isso permite que a fintech avalie com precisão a saúde financeira de cada cliente, reduzindo o risco de inadimplência.
Nova modalidade amplia acesso ao crédito
Inclusão financeira real
A antecipação de recebíveis traz uma nova camada de inclusão financeira. Muitos dos clientes que antes não atendiam aos critérios para o capital de giro agora encontram uma alternativa viável.
“Com a antecipação de boletos, conseguimos oferecer crédito até para quem não passava nos critérios anteriores. Isso amplia o acesso com mais segurança”, explicou Senra.
Ser novata no mercado de crédito: uma vantagem competitiva

Menos bagagem, mais agilidade
Embora à primeira vista possa parecer um desafio, o fato de a Cora ser uma novata na concessão de crédito tem trazido vantagens estratégicas. Diferentemente dos grandes bancos, a fintech não carrega carteiras antigas com problemas históricos, o que lhe permite operar com mais agilidade e menos amarras.
“Os grandes bancos precisam limpar carteiras antigas, e isso impede novas concessões. Nós não temos esse problema. Podemos ser mais agressivos — com responsabilidade”, reforça o CEO.
Aposta na inteligência artificial para acelerar análise de risco
Redução do tempo de análise
Com investimentos contínuos em inteligência artificial (IA), a Cora conseguiu reduzir o tempo necessário para formar histórico de crédito de novos clientes. O que antes levava seis meses, agora pode ser feito em três — com a perspectiva de redução ainda maior no futuro próximo.
“Estamos conseguindo antecipar esse processo com IA. Isso vai abrir espaço para mais negócios se beneficiarem da antecipação de recebíveis logo após abrirem conta com a gente”, comenta Igor.
Panorama da operação atual da Cora
Número de contas e volume transacionado
Com 1,7 milhão de contas abertas e um total de R$ 190 bilhões transacionados desde sua fundação, a Cora alcançou em 2024 um marco importante: o breakeven. Isso significa que a empresa passou a operar sem prejuízo, financiando as operações de crédito com capital próprio, o que demonstra sustentabilidade e autonomia financeira.
Licença de financeira e consolidação do portfólio
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+311 mil seguidores
Em 2023, a Cora obteve a licença de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) junto ao Banco Central. Esse passo foi crucial para a consolidação da estratégia de ampliação do portfólio de produtos financeiros voltados para PMEs.
“Sabemos que há boas empresas no mercado que precisam de crédito, mesmo quando o cenário está adverso. E queremos estar aqui para elas”, afirmou Senra.
Perfil dos clientes e origem dos usuários
Dois grandes públicos
A fintech tem atraído dois perfis principais de clientes:
- Empresas recém-abertas, sem histórico em outras instituições financeiras;
- Migrantes de bancos tradicionais, muitas vezes insatisfeitos com taxas altas ou burocracias excessivas.
Essa dupla origem tem impulsionado a diversificação da carteira da Cora e estimulado a busca por produtos financeiros mais personalizados e acessíveis.
O caminho para o crescimento sustentável

Metas para 2025
A meta da Cora para 2025 é crescer entre 60% e 70%, mantendo a rentabilidade e a eficiência operacional. A decisão estratégica é de não buscar um crescimento explosivo, mas sim equilibrar expansão e lucratividade.
“Poderíamos crescer mais, mas seríamos menos eficientes. Estamos tentando equilibrar as duas coisas para manter a qualidade da operação”, declarou Igor.
A visão dos investidores
Com aportes de nomes como Kaszek, Ribbit Capital, GreenOaks, Tiger Global, QED e Tencent, a fintech já levantou cerca de US$ 130 milhões em três rodadas de investimento. O foco agora está em construir uma operação sólida, que una inovação, agilidade e inteligência de dados para sustentar um crescimento contínuo.
Considerações finais
A jornada da Cora ilustra como uma fintech pode construir um portfólio sólido de serviços financeiros a partir de uma visão estratégica e incremental. A aposta na antecipação de recebíveis demonstra a capacidade da empresa de identificar oportunidades em cenários desafiadores, utilizar dados com inteligência e oferecer soluções escaláveis para um público frequentemente negligenciado pelos bancos tradicionais.
Se a fintech mantiver o ritmo atual, com tecnologia a favor da análise de risco e compromisso com a eficiência, não apenas atingirá suas metas de crescimento para 2025 como poderá, no médio prazo, transformar o mercado de crédito para PMEs no Brasil.
