A segunda-feira (08) foi marcada por forte cautela no mercado cambial brasileiro. Após operar em margens estreitas durante todo o dia, o dólar à vista encerrou praticamente estável, refletindo a combinação de fatores domésticos e externos que deixam os investidores em compasso de espera. O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto dominam as atenções dos próximos dias.
Inflação nos EUA e julgamento de Bolsonaro influenciam valorização do dólar no dia 08/09
Dólar fecha estável em R$5,4179 com investidores atentos ao julgamento de Bolsonaro no STF e à divulgação do IPCA de agosto.
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Cotação do dólar hoje
Mesmo com o enfraquecimento do dólar no mercado internacional, a moeda norte-americana pouco oscilou frente ao real. O dólar à vista teve leve alta de 0,07%, fechando cotado a R$5,4179, após acumular três sessões consecutivas de baixa. No acumulado do ano, a moeda ainda registra queda de 12,32%.
No mercado futuro, o contrato de dólar para outubro — o mais líquido atualmente — subia 0,05%, negociado a R$5,4475 às 17h03 na B3.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,417
- Venda: R$ 5,417
Dólar turismo
- Compra: R$ 5,418
- Venda: R$ 5,598
Mercado opera em compasso de espera
A sessão foi marcada por um volume de negócios reduzido e pouca disposição para apostas mais ousadas. Os investidores preferiram adotar uma postura conservadora, aguardando desdobramentos de temas políticos e econômicos relevantes que devem movimentar os mercados ainda nesta semana.
Expectativa com o julgamento de Bolsonaro no STF
Um dos principais fatores de atenção no cenário doméstico é o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, previsto para retomar nesta terça-feira (09), no Supremo Tribunal Federal. O processo gira em torno de acusações relacionadas à tentativa de golpe de Estado e possível envolvimento em atos antidemocráticos.
Analistas de mercado apontam que instabilidades políticas elevam o nível de risco percebido, o que tende a limitar o apetite por ativos brasileiros e reforçar a demanda por proteção, como a compra de dólares.
“O ruído nas manchetes tende a aumentar até o final do ano, devido aos processos legais contra o ex-presidente Bolsonaro e os debates sobre o orçamento do ano eleitoral”, afirmaram as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios, do Morgan Stanley.
IPCA de agosto é outro ponto de atenção

Outro evento aguardado com ansiedade é a divulgação do IPCA de agosto, indicador oficial de inflação no Brasil. O dado será fundamental para calibrar as expectativas em relação à política monetária do Banco Central, especialmente após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que indicou uma postura mais cautelosa.
O mercado busca sinais sobre a possibilidade de continuidade dos cortes na Selic, o que impactaria o diferencial de juros entre Brasil e outros países, especialmente os Estados Unidos.
Mercado externo: instabilidade no Japão e queda do DXY
No cenário internacional, o destaque desta segunda-feira foi a renúncia do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, aos 68 anos, após derrotas eleitorais consecutivas. O anúncio gerou instabilidade nos mercados asiáticos e trouxe incerteza sobre o futuro político da quarta maior economia do mundo.
Apesar disso, o dólar teve desempenho fraco frente à maioria das moedas fortes. Às 10h27, o índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas principais — recuava 0,36%, para 97,521.
O iene japonês foi uma das poucas moedas que cederam ante o dólar, refletindo a turbulência política local, mas o movimento não foi suficiente para impulsionar o dólar de forma global, mantendo o DXY em queda.
Dados do relatório Focus mantêm estabilidade nas projeções
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe poucas alterações nas projeções para a cotação do dólar em 2025 e 2026. A mediana para o encerramento de 2025 passou de R$5,56 para R$5,55, enquanto a expectativa para o final de 2026 foi revisada de R$5,62 para R$5,60.
Esses valores permanecem acima da cotação atual, refletindo o receio de que fatores estruturais e riscos fiscais possam pressionar a moeda brasileira ao longo do tempo.
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Análise do Morgan Stanley: espaço limitado para valorização do real
Em relatório publicado nesta segunda-feira, as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios, do Morgan Stanley, afirmaram que, embora haja possibilidade de o real quebrar a barreira de R$5,40, esse movimento deve ser pontual e temporário, a depender de uma fraqueza sustentada do dólar global e da manutenção do carry trade favorável à moeda brasileira.
“Preferimos permanecer neutros e manter nossa exposição no mercado de juros”, afirmaram.
O carry trade — prática de investir em moedas de países com juros altos — favorece temporariamente o real, mas o banco alerta que o ímpeto positivo tende a desacelerar até o fim do ano, devido ao aumento das incertezas políticas e fiscais no Brasil.
Banco Central atua com leilões de swap cambial

Nesta segunda-feira, o Banco Central do Brasil realizou um leilão de até 40 mil contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolar os vencimentos de 1º de outubro de 2025. Esse tipo de operação é utilizada para suprir demanda por proteção cambial, sem a necessidade de intervenção direta no mercado à vista.
A medida ajudou a conter oscilações mais intensas, contribuindo para a relativa estabilidade observada no câmbio ao longo do dia.
Perspectivas para os próximos dias
A semana promete ser de grande volatilidade. Com a retomada do julgamento de Bolsonaro, a divulgação do IPCA e novas declarações de autoridades econômicas, os ativos brasileiros podem sofrer reprecificação rápida, especialmente se houver surpresas negativas.
Entre os fatores que devem ser monitorados com atenção:
- Julgamento do ex-presidente Bolsonaro no STF
- IPCA de agosto (a ser divulgado pelo IBGE)
- Declarações do Banco Central e do Ministério da Fazenda
- Comportamento do dólar no exterior
- Movimentações políticas no Congresso sobre o orçamento de 2026
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
