A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, instaurada no Senado Federal para apurar irregularidades no setor de apostas online, apresentou seu relatório final com pedidos de indiciamento contra 16 pessoas e empresas.
CPI das bets: relatora sugere indiciamento de Virgínia e Deolane por estelionato
Relatório final da CPI das Bets pede indiciamento de Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra por estelionato, lavagem de dinheiro e mais.
A relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), justificou os indiciamentos com base em práticas como propaganda enganosa, estelionato, lavagem de dinheiro e promoção de jogos ilegais, condutas que teriam sido promovidas por meio das redes sociais das investigadas.
As acusações contra Virgínia Fonseca

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Simulação de apostas e contratos abusivos
Durante depoimento à CPI, Virgínia Fonseca admitiu o uso de contas fictícias para divulgar vídeos simulando ganhos em plataformas de apostas. Com mais de 52 milhões de seguidores, a influenciadora teria induzido o público a acreditar que era possível obter lucros fáceis e rápidos com os jogos.
A senadora também revelou a existência de contratos nos quais Virgínia receberia 30% do valor perdido pelos seguidores, desde que utilizassem um link de afiliação fornecido por ela.
O “cachê da desgraça alheia”
O parecer da relatora batizou a prática como “cachê da desgraça alheia”, destacando o caráter abusivo da remuneração condicionada à perda de dinheiro por terceiros. Soraya propôs que esse tipo de acordo seja proibido no setor.
A CPI entendeu que o modelo de negócio estimulava a influenciadora a atrair o maior número possível de apostadores, mesmo que isso representasse prejuízo financeiro para seus seguidores.
Manipulação e algoritmos não auditáveis
As plataformas promovidas por Virgínia, segundo o relatório, utilizam jogos do tipo “tigrinho”, que operam por meio de algoritmos fechados e sem qualquer fiscalização externa. Isso abriria margem para manipulação de resultados, prática vedada por normas internacionais de integridade em jogos de azar.
Deolane Bezerra
Ligação com plataforma não autorizada
Deolane Bezerra, que possui mais de 21 milhões de seguidores, também entrou na mira da CPI por sua relação com uma empresa de apostas supostamente ilegal. Embora negue envolvimento, a senadora Soraya apontou evidências de que a influenciadora já foi sócia da companhia e que pode ainda estar envolvida por meio de terceiros.
Uso de laranjas e movimentações suspeitas
Apesar de não constar no quadro societário atual, Deolane teria utilizado “laranjas” para ocultar sua participação real. Repasses financeiros a título de propaganda reforçam a tese de que a influenciadora ainda exerce influência direta sobre a plataforma, segundo a relatora.
Esse tipo de ocultação de vínculo é uma das características de lavagem de dinheiro, delito que também foi atribuído a ela no relatório final.
As recomendações da relatora da CPI
Indiciamento e restrições futuras
A CPI ainda sugere ao Ministério da Justiça e à Receita Federal a criação de regras mais rígidas para impedir:
- Contratos que remunerem influenciadores com base em perdas de apostadores.
- Divulgação de plataformas não autorizadas.
- Uso de simulações ou contas falsas em campanhas publicitárias.
Marco regulatório para apostas online
A relatora defendeu que o Congresso avance na elaboração de um marco legal para as apostas online, com mecanismos de fiscalização e transparência, especialmente no que diz respeito à atuação de influenciadores digitais.
O impacto nas redes sociais e na opinião pública
Influência e responsabilidade
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, onde muitos usuários questionam a responsabilidade de celebridades com grande alcance ao promoverem serviços potencialmente prejudiciais. Para especialistas, a confiança depositada nessas figuras torna sua atuação ainda mais impactante e passível de regulação específica.
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+311 mil seguidores
O próximo passo: Ministério Público e Judiciário

Com o encerramento da CPI, o relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes. Caberá ao MP decidir se oferece denúncia formal à Justiça contra os investigados.
A senadora Soraya Thronicke defende que as investigações não parem com o fim da CPI, e que os envolvidos sejam responsabilizados nos termos da lei.
FAQ
Por que Virgínia Fonseca foi indicada para indiciamento?
Segundo a CPI, ela teria promovido apostas simuladas, induzido seguidores ao erro e assinado contratos com cláusulas abusivas que lucravam com as perdas alheias.
O que é o “cachê da desgraça alheia”?
Termo utilizado pela CPI para se referir à prática de remuneração proporcional às perdas dos seguidores em plataformas de apostas promovidas por influenciadores.
O que acontece após a CPI?
O relatório será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncias formais à Justiça.
Considerações finais
A linha tênue entre publicidade e enganação foi cruzada, segundo o parecer, quando se utilizou da credibilidade para induzir seguidores ao erro — algo que, se comprovado, caracteriza crime contra o consumidor e contra a ordem econômica.
A repercussão do caso pode ser o ponto de partida para uma nova era na publicidade digital, em que transparência, responsabilidade e ética sejam pilares inegociáveis.
