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STF libera investigada e presidente da CPI do INSS reage com críticas duras

Presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, critica decisão do STF de liberar investigada de depor e promete endurecer investigações.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira, 18 de setembro de 2025, após declarações contundentes do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). O parlamentar criticou duramente a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar liberando uma investigada de prestar depoimento na CPMI.

A medida do STF gerou forte reação entre membros da comissão, que vêm intensificando esforços para apurar desvios milionários em aposentadorias e benefícios previdenciários. Segundo Viana, decisões como essa “são aplaudidas por fraudadores” e enfraquecem o trabalho do Parlamento na defesa dos cofres públicos.

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Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil

Entenda a decisão do STF que gerou polêmica

Habeas corpus impede depoimento de investigada

A polêmica teve origem após o ministro Flávio Dino conceder uma liminar em habeas corpus garantindo que uma investigada não fosse obrigada a comparecer ou a prestar compromisso como testemunha à CPMI. O nome da investigada não foi divulgado oficialmente, mas ela estaria diretamente ligada ao esquema de fraudes previdenciárias em apuração.

Segundo Dino, a investigada já é alvo de inquérito no próprio STF e cumpre medidas cautelares, o que, em sua avaliação, afasta a condição de imparcialidade exigida para um depoente na condição de testemunha. Com isso, ela passa a ter o direito ao silêncio e à não autoincriminação, prerrogativas garantidas a investigados.

Reação de Carlos Viana

Carlos Viana criticou duramente a decisão, afirmando que o entendimento do Supremo enfraquece o combate à corrupção:

“É uma decisão muito estranha, mas nós não vamos parar. Essas decisões envolvem pessoas com muitos amigos no Judiciário que buscam seus padrinhos políticos para não comparecerem na CPI. Os fraudadores aplaudem a decisão do ministro Dino”, afirmou o presidente da CPMI.

O impacto da decisão nas investigações da CPMI

Clima de tensão entre Legislativo e Judiciário

A crítica de Viana insere-se em um contexto mais amplo de tensão institucional entre o Congresso e o STF. A CPMI do INSS foi instaurada para apurar fraudes sistêmicas na concessão de benefícios e tem se debruçado sobre esquemas envolvendo associações de aposentados, empresas de assessoria e até servidores públicos.

A liberação de depoentes por decisões judiciais já havia ocorrido anteriormente, mas a concessão de habeas corpus por Dino reacendeu os debates sobre os limites da atuação das CPIs diante do Judiciário.

Cronograma da próxima semana: novos alvos da CPMI

Apesar da decisão judicial, o senador Carlos Viana confirmou que a CPMI manterá o ritmo das investigações e apresentou os próximos passos do colegiado. As oitivas da próxima semana prometem aumentar a temperatura política da comissão.

Onyx Lorenzoni será ouvido

Um dos principais nomes confirmados para a próxima semana é o ex-ministro Onyx Lorenzoni, que deve prestar depoimento na próxima quinta-feira, 25 de setembro. O motivo da convocação ainda não foi detalhado publicamente, mas fontes da comissão apontam que Onyx teria relação política ou funcional com pessoas envolvidas nos esquemas investigados, sobretudo no período em que esteve à frente da Casa Civil e do Ministério do Trabalho.

O retorno do “Careca do INSS”

O nome mais aguardado, porém, continua sendo o de Antônio Camilo, conhecido como o Careca do INSS, apontado como peça central no esquema de fraudes em descontos previdenciários ilegais. Camilo foi convocado para comparecer à CPMI na segunda-feira anterior, mas não apareceu.

Carlos Viana confirmou que o Careca será novamente convidado, mas deixou claro que a comissão está disposta a solicitar condução coercitiva, caso ele volte a se ausentar.

“Se ele não vier, ela virá. Teremos que fazer uma condução coercitiva, mas ofertamos ao Careca a vinda de forma voluntária”, disse Viana, referindo-se à esposa de Camilo.

Esposa e filho do Careca também serão ouvidos

INSS Careca do INSS
Imagem: Reprodução

Tânia Carvalho: convocação obrigatória

A esposa de Antônio Camilo, Tânia Carvalho dos Santos, também está na mira da CPMI. Segundo Viana, caso Camilo se recuse a comparecer novamente, a comissão convocará Tânia de forma obrigatória, com possibilidade de condução coercitiva autorizada judicialmente.

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Tânia seria, segundo as investigações preliminares, responsável por movimentações financeiras do esquema, além de manter vínculos com entidades associativas que teriam lucrado indevidamente com descontos não autorizados de aposentados e pensionistas.

Romeu Carvalho Antunes: filho também irá depor

O senador Carlos Viana confirmou ainda que o filho de Camilo, Romeu Carvalho Antunes, será ouvido pela CPMI “de qualquer maneira”, independentemente da presença ou não dos pais. Romeu estaria formalmente vinculado como sócio em empresas usadas para operacionalizar os descontos fraudulentos, e seu depoimento é considerado estratégico para aprofundar as investigações.

Entenda o escândalo investigado pela CPMI do INSS

Fraudes em larga escala

A CPMI do INSS foi criada em 2025 com o objetivo de investigar um grande esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Estima-se que mais de R$ 2 bilhões foram desviados por meio de descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

As denúncias incluem a falsificação de autorizações para desconto, uso indevido de dados sigilosos, criação de sindicatos e associações fantasmas e envolvimento de intermediários com acesso privilegiado aos sistemas da Previdência.

Envolvimento de agentes políticos

Além de empresários e líderes de entidades associativas, as investigações indicam possível envolvimento de políticos, ex-ministros e assessores, o que eleva o grau de complexidade e a tensão em torno da CPMI.

A condução coercitiva: instrumento polêmico

INSS
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A possibilidade de condução coercitiva voltou ao debate. Trata-se de um instrumento jurídico pelo qual uma pessoa é levada à força para depor, quando não comparece voluntariamente a uma convocação judicial ou parlamentar.

Embora controverso, o mecanismo pode ser solicitado ao Judiciário caso haja recusa sem justificativa legal de comparecimento. Carlos Viana deixou claro que, se necessário, a CPMI irá usar esse recurso para garantir o andamento das apurações.

Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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