A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos após a divulgação de informações sobre mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O assunto também resgata uma recomendação que constava do relatório final apresentado pela CPMI do INSS. O documento, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, mencionava o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
É importante destacar, porém, que o relatório não foi aprovado pela comissão. Em 28 de março de 2026, os integrantes da CPMI rejeitaram o texto por 19 votos a 12. Com isso, as conclusões e recomendações apresentadas pelo relator não se transformaram em decisões da comissão. A Câmara dos Deputados e o Senado registraram oficialmente que a CPMI terminou sem aprovação de relatório final.
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O que o relatório da CPMI do INSS dizia sobre o contrato
Entre as conclusões apresentadas por Alfredo Gaspar estava uma recomendação para que órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal analisassem o contrato de honorários firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
A justificativa estava relacionada ao capítulo que investigava relações entre o banco e autoridades públicas. O objetivo indicado no documento era verificar a natureza dos pagamentos, os serviços contratados e as circunstâncias que envolveram a contratação.
A recomendação também mencionava o Senado Federal, dentro de suas atribuições constitucionais relacionadas a eventual crime de responsabilidade de ministro do STF.
Na prática, entretanto, o fato de a recomendação aparecer no relatório não significa que tenha sido determinada uma investigação pelo Congresso. Como o documento foi rejeitado, ele não representa a conclusão oficial da CPMI.
A comissão encerrou os trabalhos após sete meses de funcionamento e sem aprovar o relatório apresentado pelo relator.
Por que o contrato voltou ao centro das atenções
A discussão ganhou novo peso depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados à investigação sobre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A decisão foi tomada em 1º de setembro de 2026, no âmbito da PET 16.662. O material reúne informações produzidas pela Polícia Federal a partir de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos durante as investigações da Operação Compliance Zero.
Segundo as informações divulgadas, entre os elementos analisados estão mensagens atribuídas a Vorcaro e a uma pessoa que inicialmente não havia sido identificada nos relatórios policiais. Posteriormente, a Polícia Federal apontou Alexandre de Moraes como interlocutor.
Mendonça indicou ainda que os novos elementos deverão ser submetidos à análise do Plenário do STF, em uma discussão que poderá avaliar o conteúdo das informações e seus possíveis desdobramentos institucionais.
O que as mensagens reveladas pela investigação mostram
As mensagens atribuídas a Vorcaro incluem pedidos relacionados às investigações que atingiam o Banco Master.
Entre os conteúdos divulgados está uma conversa na qual o banqueiro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país pouco antes de uma operação policial. Também aparecem referências a autoridades responsáveis por investigações envolvendo o banco.
A existência das mensagens, entretanto, não significa automaticamente que todos os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos. A própria investigação precisa estabelecer o contexto das conversas, a autenticidade dos conteúdos e se houve efetivamente alguma atuação irregular de autoridades.
A Agência Brasil informou que Mendonça retirou o sigilo dos diálogos e defendeu que o material seja analisado pelo plenário da Corte.
Qual é a relação com Viviane Barci de Moraes

Viviane Barci de Moraes é advogada e mantém escritório próprio. O contrato com o Banco Master já havia aparecido nas conclusões do relatório rejeitado da CPMI do INSS.
Agora, o tema voltou ao debate público porque os documentos liberados na investigação do Banco Master também apresentam informações sobre a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Reportagens baseadas nos documentos da investigação apontam que as negociações envolvendo o escritório da advogada ocorreram em período próximo a encontros entre o banqueiro e o ministro. Essas informações estão sendo tratadas no contexto da apuração conduzida pela Polícia Federal.
A existência de um contrato de prestação de serviços advocatícios, por si só, não comprova irregularidade. Para que haja responsabilização, é necessário demonstrar eventual ilícito, conflito de interesses, tráfico de influência ou outra conduta juridicamente relevante, conforme as circunstâncias que vierem a ser comprovadas.
O que acontece depois da retirada do sigilo
A abertura dos autos permite que uma parcela maior das informações produzidas durante a investigação seja conhecida e analisada publicamente. O próximo passo relevante indicado por Mendonça é a avaliação dos novos elementos pelo Plenário do Supremo.
Isso significa que o caso ainda está em fase de apuração e análise. Não se deve confundir a divulgação de mensagens ou a existência de suspeitas com uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal ou administrativa.
O episódio também é diferente da recomendação apresentada pela CPMI do INSS. No caso da comissão parlamentar, o relatório foi rejeitado. Já a investigação conduzida no STF decorre de procedimentos próprios relacionados à Operação Compliance Zero e às diligências da Polícia Federal.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
