Uma mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocou lado a lado dois pagamentos feitos pela instituição financeira: um destinado ao portal Metrópoles e outro ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O registro foi divulgado nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, pelo jornal O Estado de S. Paulo. Na mensagem, um funcionário teria informado a Vorcaro: “Pagamos Metrópoles e Barci”. O conteúdo, isoladamente, não informa os valores envolvidos nem demonstra que os dois pagamentos tenham qualquer relação entre si.
A descoberta faz parte do conjunto de documentos analisados pela PF na investigação envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de novas informações sobre as relações mantidas pelo banqueiro com autoridades, empresas e diferentes setores.
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O que a mensagem encontrada pela PF revela

O principal elemento novo é a indicação de que os dois pagamentos foram realizados no mesmo dia. A expressão registrada no celular de Vorcaro aponta para o Metrópoles e para o escritório Barci de Moraes como destinatários de transferências que estavam sendo acompanhadas pela tesouraria do banco.
Apesar disso, a mensagem não apresenta, por si só, informações suficientes para estabelecer uma conexão entre os pagamentos.
Também não está indicado no registro divulgado qual foi o valor transferido para cada destinatário, qual conta recebeu os recursos ou qual documento fiscal estaria associado a cada operação.
Essas informações são importantes porque um pagamento realizado por uma instituição financeira pode decorrer de diferentes relações comerciais ou profissionais. A análise de contratos, notas fiscais, comprovantes bancários e serviços efetivamente prestados é que pode esclarecer a finalidade de cada operação.
Por que o Metrópoles aparece no registro
O portal Metrópoles confirmou que recebeu pagamentos do Banco Master. Segundo a explicação divulgada pelo próprio veículo, os valores estavam relacionados a contratos de publicidade mantidos com o Banco Master e também com o Will Bank.
Essa justificativa é relevante porque diferencia uma operação comercial de publicidade de uma eventual transferência sem causa contratual. A existência de um pagamento, portanto, não é suficiente para caracterizar uma irregularidade.
A PF deverá considerar os contratos e demais documentos financeiros para verificar se os valores pagos correspondem aos serviços contratados e se as operações seguiram os procedimentos comerciais normalmente utilizados.
O que se sabe sobre o escritório Barci de Moraes
O outro destinatário citado na mensagem é o escritório Barci de Moraes, que pertence à advogada Viviane Barci de Moraes.
O escritório foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços jurídicos. Informações divulgadas a partir dos documentos da investigação indicam que o contrato previa 36 parcelas de R$ 3 milhões, relacionadas à atuação jurídica em processos envolvendo a instituição financeira.
A Polícia Federal também encontrou mensagens que mostram Daniel Vorcaro cobrando funcionários sobre pagamentos destinados ao escritório. Em um dos episódios revelados, o banqueiro teria tratado uma parcela como prioritária e exigido que o repasse fosse realizado sem atraso.
Outro conjunto de mensagens divulgado pela imprensa indica que Vorcaro teria orientado funcionários a evitar pagamentos via Pix para o escritório. Essas informações estão sendo analisadas dentro do material apreendido pela PF.
Pagamentos no mesmo dia significam irregularidade?
Não necessariamente.
A coincidência temporal entre duas transferências pode chamar a atenção dos investigadores, mas não comprova que exista uma relação ilícita entre elas. Para chegar a uma conclusão, é necessário verificar a origem dos recursos, os contratos correspondentes, a finalidade dos pagamentos e eventual existência de contrapartidas.
No caso do Metrópoles, o veículo apresentou uma explicação comercial para os valores recebidos. Já no caso do escritório Barci de Moraes, existem contratos advocatícios que precisam ser considerados na análise.
O ponto central da investigação é descobrir se os pagamentos tiveram justificativa econômica e jurídica compatível com os serviços declarados ou se existem outros elementos que indiquem alguma irregularidade.
O caso Banco Master já é investigado pelo STF

As novas informações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre o Banco Master. O ministro André Mendonça, do STF, é o relator de procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo a instituição financeira.
Em junho, por exemplo, o Supremo autorizou a nona fase da operação, com medidas cautelares solicitadas pela Polícia Federal para investigar possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa relacionados ao Banco Master.
O próprio STF também já havia determinado medidas envolvendo familiares de Daniel Vorcaro no contexto das investigações. Em junho, a Segunda Turma manteve prisões preventivas determinadas por Mendonça, considerando a necessidade de preservar as apurações.
Além disso, o Supremo determinou anteriormente a abertura de investigação para apurar o vazamento de mensagens extraídas de celulares de Vorcaro.
O que ainda precisa ser esclarecido
A mensagem “Pagamos Metrópoles e Barci” é apenas uma parte do material apreendido pela PF. Para compreender seu significado, os investigadores precisam confrontá-la com documentos financeiros e contratos.
Entre os pontos que podem ser esclarecidos estão os valores individuais das transferências, as datas exatas, os contratos relacionados, os serviços prestados e a eventual existência de outras mensagens tratando das operações.
Também será necessário estabelecer se a coincidência entre os pagamentos foi apenas uma questão operacional da tesouraria ou se havia alguma orientação específica por trás das transferências.
Por enquanto, a informação permite afirmar que a PF encontrou um registro indicando pagamentos ao Metrópoles e ao escritório Barci de Moraes no mesmo dia. Ela não permite concluir, sozinha, que os pagamentos tenham sido irregulares ou que exista uma relação entre as duas operações.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
