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Banco Central registra R$ 7,4 trilhões em crédito no país em julho

Crédito do SFN chega a R$ 7,4 trilhões em julho, mas inadimplência avança entre famílias e empresas. Veja os principais números do BC.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Banco Central registra R$ 7,4 trilhões em crédito no país em julho

O mercado de crédito brasileiro encerrou julho de 2026 com um estoque de R$ 7,4 trilhões, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central (BC). O volume representa crescimento de 0,3% em relação a junho e de 9,5% na comparação com julho do ano passado.

Apesar da expansão, os dados mostram um cenário de atenção para consumidores e empresas. Enquanto o crédito para as famílias continuou avançando, a inadimplência aumentou e o custo dos empréstimos permanece elevado, principalmente nas operações com recursos livres.

O movimento ajuda a explicar uma aparente contradição da economia: há mais dinheiro circulando por meio de empréstimos e financiamentos, mas uma parcela maior dos tomadores está encontrando dificuldades para manter os pagamentos em dia.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Crédito para famílias cresce mais que o destinado às empresas

Do total registrado pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN), R$ 4,6 trilhões correspondem às pessoas físicas, enquanto as empresas concentram R$ 2,7 trilhões.

Em julho, o crédito destinado às famílias aumentou 0,8%, enquanto o saldo das empresas recuou 0,7%. Em 12 meses, a diferença também aparece: o crédito para pessoas físicas cresceu 10,8%, contra 7,4% para pessoas jurídicas.

O resultado indica que as famílias continuam recorrendo ao sistema financeiro para financiar consumo, despesas e outras necessidades. Ao mesmo tempo, as empresas apresentaram uma redução no estoque de operações no mês.

O Banco Central acompanha esses movimentos por meio das estatísticas de crédito, que permitem avaliar tanto a evolução do financiamento da economia quanto os riscos associados ao endividamento.

Crédito livre movimenta R$ 4,2 trilhões

Outra parte importante dos dados está no chamado crédito com recursos livres, modalidade em que as instituições financeiras têm maior liberdade para definir as condições das operações.

Esse estoque alcançou R$ 4,2 trilhões em julho, com queda de 0,1% no mês e alta de 7% em 12 meses.

Entre as empresas, o saldo caiu 1,9%, para R$ 1,6 trilhão. Já entre as pessoas físicas, houve aumento de 1%, levando o estoque para R$ 2,6 trilhões.

Na prática, isso significa que o avanço do crédito observado em julho foi sustentado principalmente pelas famílias, enquanto o segmento empresarial apresentou retração.

Juros continuam sendo um dos principais desafios

A taxa média de juros das novas concessões ficou em 32,1% ao ano em julho. Houve redução de 1,2 ponto percentual no mês, mas a taxa ainda ficou 0,3 ponto percentual acima da registrada um ano antes.

Quando considerados apenas os recursos livres, a taxa média chegou a 47,7% ao ano. Para as pessoas físicas, o custo médio caiu 3,9 pontos percentuais no mês, para 60% ao ano.

Mesmo com a redução mensal, o percentual permanece elevado. Em julho de 2025, a taxa para pessoas físicas era 1,6 ponto percentual menor.

Para as empresas, ocorreu o movimento contrário: a taxa média do crédito livre aumentou 1,1 ponto percentual no mês, chegando a 25,4% ao ano.

Para o consumidor, a diferença entre as modalidades é relevante. Uma taxa menor pode reduzir o custo total de um financiamento ou empréstimo, mas é necessário comparar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas, seguros e outros encargos.

Inadimplência sobe entre famílias e empresas

O avanço do crédito veio acompanhado de uma piora nos indicadores de atraso.

A inadimplência da carteira total do SFN alcançou 4,9% em julho, alta de 0,3 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto percentual em 12 meses.

Entre as empresas, o índice chegou a 3,3%. Para as famílias, o percentual foi ainda maior, de 5,8%.

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No crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 6,4%. A taxa chegou a 7,8% entre pessoas físicas e a 4,2% entre empresas.

O crescimento dos atrasos merece atenção porque o aumento do crédito não significa necessariamente melhora na capacidade financeira dos consumidores. Quando a dívida cresce mais rapidamente que a renda disponível, o orçamento fica mais vulnerável a juros e despesas inesperadas.

Endividamento das famílias permanece elevado

Os dados mais recentes do Banco Central sobre endividamento das famílias, referentes a junho, mostram um índice de 49,8% da renda acumulada em 12 meses.

O comprometimento de renda, que mede a parcela destinada ao serviço das dívidas, chegou a 28,9%. O BC utiliza indicadores específicos para acompanhar a relação entre as dívidas das famílias e sua renda, permitindo avaliar a pressão financeira provocada pelo crédito.

Para o consumidor, esses números reforçam a importância de avaliar a capacidade de pagamento antes de contratar uma nova operação. Uma parcela que parece administrável isoladamente pode se tornar pesada quando somada a cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal e outras contas.

Crédito ampliado chega a R$ 21,9 trilhões

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Imagem: Rmcarvalho / Getty Images

O cenário fica ainda maior quando é utilizado o conceito de crédito ampliado ao setor não financeiro.

Esse indicador chegou a R$ 21,9 trilhões em julho, equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O montante cresceu 0,1% no mês e 11,9% em 12 meses.

A diferença é que o crédito ampliado não considera apenas empréstimos e financiamentos concedidos pelo sistema bancário. Ele também incorpora outras formas de financiamento, como títulos de dívida e empréstimos externos.

Entre as empresas, o crédito ampliado somou R$ 7,2 trilhões, equivalente a 54,4% do PIB. O saldo recuou 0,3% no mês, mas acumulou alta de 7,1% em 12 meses.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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