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Novas regras do Pix entram no radar dos usuários; veja as mudanças do Banco Central

Banco Central atualizou padrões do Pix em agosto. Entenda as mudanças no Pix Automático, QR Code, recorrências e o impacto para os usuários.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··13 min de leitura
Novas regras do Pix entram no radar dos usuários; veja as mudanças do Banco Central

O Banco Central (BC) publicou uma nova atualização das regras técnicas do Pix, trazendo mudanças relacionadas à iniciação de pagamentos, cobranças por QR Code e operações do Pix Automático.

As alterações constam da Instrução Normativa BCB nº 769, de 19 de agosto de 2026, que modifica o Manual de Padrões para Iniciação do Pix.

Apesar de envolverem um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros, as novidades não mudam de maneira significativa a rotina de quem utiliza o Pix para fazer uma transferência comum pelo celular.

O principal impacto está nos bastidores. Bancos, fintechs, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e demais participantes precisam adequar seus sistemas aos novos padrões estabelecidos pelo BC.

A atualização faz parte da evolução contínua do Pix, que deixou de ser apenas uma ferramenta de transferências instantâneas e passou a incorporar recursos como pagamentos recorrentes, aproximação e cobranças mais sofisticadas.

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Banco Central atualizou o Manual do Pix

Pix
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A Instrução Normativa BCB nº 769/2026 altera uma parte bastante técnica da infraestrutura do sistema: o Manual de Padrões para Iniciação do Pix.

O documento estabelece requisitos que precisam ser seguidos pelas instituições para que diferentes sistemas consigam trocar informações corretamente.

Essa padronização é fundamental.

Uma transferência pode sair de um banco tradicional, por exemplo, e chegar à conta de uma fintech em poucos segundos porque todos os participantes utilizam padrões compatíveis com a infraestrutura estabelecida pelo Banco Central.

Quando novas funcionalidades são criadas, esses padrões também precisam evoluir.

O que muda no Pix com a nova atualização?

As mudanças publicadas pelo BC concentram-se principalmente em quatro pontos:

  • inclusão da forma de iniciação “AUTO”;
  • ajustes relacionados ao município do pagador em determinadas operações;
  • alteração de orientações envolvendo cobrança de juros;
  • atualização dos procedimentos de recorrência do Pix Automático.

Embora pareçam detalhes pequenos para quem está fazendo um pagamento, essas informações são importantes para que sistemas de instituições diferentes interpretem as transações da mesma maneira.

Nova forma de iniciação “AUTO” entra no padrão

Uma das novidades é a inclusão da forma de iniciação identificada como “AUTO” entre as informações utilizadas em operações realizadas por serviços de iniciação de pagamento.

O conceito está relacionado à forma como determinada transação Pix é iniciada e identificada tecnicamente pelos sistemas.

Para o usuário comum, não significa que aparecerá necessariamente um novo botão chamado “AUTO” no aplicativo bancário.

A mudança está relacionada à comunicação e à classificação das transações nos sistemas envolvidos no processo de pagamento.

Por que identificar a forma de iniciação?

Uma operação Pix pode começar de diferentes maneiras.

O usuário pode digitar uma chave, escanear um QR Code ou utilizar outros mecanismos disponibilizados pelas instituições.

Identificar corretamente a origem e o tipo de iniciação ajuda a manter a padronização das mensagens trocadas dentro do ecossistema.

Também permite que novos serviços sejam incorporados sem comprometer a comunicação entre diferentes participantes.

QR Code dinâmico com vencimento também teve ajuste

Outro ponto atualizado envolve a identificação do município do usuário pagador em transações realizadas por QR Code dinâmico com vencimento.

Esse tipo de QR Code pode ser utilizado em cobranças que possuem informações estruturadas, como data de vencimento e outros dados necessários para o pagamento.

Diferentemente de uma simples transferência entre duas pessoas, uma cobrança pode exigir que diversas informações sejam processadas durante a operação.

O BC atualizou as orientações relacionadas ao preenchimento e tratamento dessas informações.

Novamente, o impacto está principalmente nos sistemas das instituições, e não em uma nova obrigação manual para o consumidor.

Mudança também envolve cobrança de juros

A nova versão do manual traz ajuste relacionado ao campo utilizado para cobrança de juros em pagamentos realizados pelo Pix.

Cobranças estruturadas podem conter diferentes componentes, dependendo das condições estabelecidas pelo recebedor.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando existe vencimento e uma regra previamente definida para pagamento após determinada data.

A padronização desses campos é importante para que a instituição do pagador consiga interpretar corretamente as informações enviadas na cobrança.

Para o consumidor, a atualização não significa a criação de uma tarifa ou de juros sobre transferências comuns feitas por Pix.

Esse ponto merece atenção porque uma alteração técnica relacionada a “juros” pode ser interpretada equivocadamente como uma nova cobrança do Banco Central.

Não se trata disso.

Pix comum terá cobrança de juros?

A atualização não cria juros para quem faz uma transferência Pix comum.

Quando o manual menciona campos relacionados a juros, está tratando de informações presentes em determinadas cobranças, nas quais o recebedor pode estabelecer condições aplicáveis ao pagamento.

Imagine uma cobrança com vencimento.

Se as condições daquele débito preveem encargos pelo atraso, o sistema precisa possuir uma maneira padronizada de transmitir essas informações.

A atualização técnica serve justamente para organizar esse tipo de comunicação.

Portanto, não significa que mandar dinheiro para outra pessoa utilizando uma chave Pix passará a gerar juros.

Pix Automático também recebeu novas regras

Uma das partes mais relevantes da atualização envolve o Pix Automático.

A funcionalidade foi desenvolvida para facilitar pagamentos recorrentes, permitindo que cobranças periódicas sejam realizadas depois de uma autorização prévia do cliente.

A lógica pode ser aplicada a despesas como:

  • mensalidades;
  • assinaturas;
  • serviços recorrentes;
  • academias;
  • escolas;
  • condomínios;
  • contas de consumo;
  • outros pagamentos periódicos.

Com a nova atualização, o Banco Central ajustou regras relacionadas ao encerramento de recorrências e de solicitações de pagamentos recorrentes.

O que é uma recorrência no Pix Automático?

A recorrência representa uma relação de pagamentos que devem acontecer periodicamente.

Em vez de realizar manualmente uma transferência todos os meses, o usuário pode autorizar previamente determinado recebedor a encaminhar cobranças dentro das condições aceitas.

Esse processo exige controles específicos.

O sistema precisa saber, por exemplo, quando uma autorização existe, quais pagamentos estão associados a ela e quando a relação recorrente foi encerrada.

É justamente nesse tipo de fluxo que entram algumas das mudanças técnicas publicadas pelo Banco Central.

Encerrar uma recorrência precisa ser entendido por todos os sistemas

Imagine que um consumidor cancele um serviço que era pago mensalmente pelo Pix Automático.

Não basta apenas uma instituição entender que aquela recorrência terminou.

As informações precisam ser processadas corretamente pelos participantes envolvidos para impedir que o fluxo permaneça ativo de forma indevida.

Por isso, procedimentos de encerramento fazem parte dos manuais técnicos.

A atualização busca padronizar ainda mais o tratamento dessas situações.

Preciso fazer alguma coisa no aplicativo do banco?

Para a maioria dos usuários, não.

As mudanças publicadas pelo Banco Central são direcionadas principalmente às instituições participantes do Pix.

Bancos e fintechs precisam adaptar sistemas, processos e integrações aos padrões estabelecidos.

Quem utiliza o Pix normalmente continuará podendo:

  • transferir por chave Pix;
  • copiar e colar códigos;
  • pagar utilizando QR Code;
  • receber dinheiro;
  • consultar comprovantes;
  • utilizar funcionalidades disponibilizadas pelo próprio banco.

Caso alguma instituição faça alterações em seu aplicativo em decorrência das novas especificações, ela poderá comunicar os clientes.

Mas a publicação da norma, por si só, não exige que o consumidor realize cadastro novamente ou substitua suas chaves.

Preciso cadastrar minhas chaves Pix novamente?

Não há, nessa atualização, uma determinação geral para que os brasileiros refaçam o cadastro das chaves Pix.

CPF, número de celular, e-mail e chave aleatória continuam funcionando conforme as regras aplicáveis ao Diretório de Identificadores de Contas Transacionais.

Por isso, mensagens alegando que o usuário precisa clicar em um link para “atualizar o Pix devido às novas regras do Banco Central” devem ser vistas com muita cautela.

Mudanças regulatórias costumam ser aproveitadas por criminosos para criar golpes.

Cuidado com golpes usando as “novas regras do Pix”

Sempre que o Banco Central anuncia uma alteração no sistema, fraudadores podem tentar transformar a novidade em isca.

O usuário pode receber uma mensagem afirmando, por exemplo:

“Seu Pix precisa ser atualizado.”

“Cadastre novamente sua chave.”

“Seu Pix será bloqueado pelas novas regras.”

“Confirme seus dados para continuar utilizando o Pix.”

O objetivo pode ser direcionar a vítima para uma página falsa e roubar senhas, dados bancários ou outras informações.

A Instrução Normativa BCB nº 769/2026 não cria uma obrigação geral de recadastramento para os usuários.

Caso exista alguma providência específica relacionada à sua conta, consulte diretamente o aplicativo ou os canais oficiais de atendimento da instituição financeira.

Por que o Banco Central muda os padrões técnicos?

O Pix não é um produto estático.

Desde que entrou em funcionamento, em novembro de 2020, o sistema recebeu diferentes funcionalidades.

Cada novo recurso exige adaptações para que centenas de participantes consigam operar dentro de padrões comuns.

É esse trabalho que permite que uma pessoa utilize o aplicativo de uma instituição e transfira dinheiro para outra completamente diferente quase instantaneamente.

Sem regras técnicas padronizadas, cada banco poderia interpretar uma informação de maneira diferente, prejudicando a interoperabilidade.

Pix deixou de ser apenas uma transferência por chave

Nos primeiros anos, o Pix ficou conhecido principalmente pela facilidade de enviar dinheiro utilizando CPF, telefone, e-mail ou chave aleatória.

O ecossistema cresceu rapidamente.

Entre as funcionalidades desenvolvidas posteriormente estão:

Pix Saque

Permite utilizar estabelecimentos participantes para retirar dinheiro depois de realizar uma operação Pix.

Pix Troco

Possibilita realizar um pagamento e receber parte do valor em espécie, dentro das regras do serviço.

Pix por Aproximação

Torna possível iniciar pagamentos por aproximação em situações compatíveis, reduzindo etapas necessárias em determinadas compras presenciais.

Pix Automático

Permite organizar pagamentos recorrentes depois da autorização do usuário, ampliando a utilização do sistema para despesas periódicas.

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A expansão ajuda a explicar por que os manuais do Banco Central precisam ser atualizados com frequência.

Mudanças ajudam a manter a interoperabilidade

Uma das palavras mais importantes para entender a infraestrutura do Pix é interoperabilidade.

Na prática, significa permitir que instituições diferentes consigam operar entre si.

O cliente de um banco não precisa abrir uma conta na mesma instituição utilizada pelo recebedor para conseguir transferir dinheiro.

Essa característica depende de regras comuns.

Informações como identificação da transação, forma de iniciação, dados de cobranças e situação de pagamentos recorrentes precisam seguir padrões conhecidos por todos os participantes.

É justamente nesse nível que se concentra grande parte das mudanças da nova instrução normativa.

Quem precisa se adequar às novas regras?

O impacto direto recai sobre os participantes e empresas envolvidos na infraestrutura e nos serviços relacionados ao Pix.

Entre eles podem estar:

  • bancos;
  • cooperativas de crédito;
  • instituições de pagamento;
  • fintechs;
  • prestadores de serviços de iniciação de transação de pagamento;
  • empresas responsáveis por soluções integradas ao ecossistema.

Cada instituição precisa avaliar as especificações técnicas aplicáveis às atividades que desempenha.

Para o consumidor, a expectativa é que essa adaptação ocorra nos bastidores.

O que são serviços de iniciação de pagamento?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Um serviço de iniciação permite que um pagamento seja iniciado por uma instituição ou ambiente diferente daquele no qual o dinheiro do cliente está depositado, desde que sejam cumpridos os requisitos de segurança e exista a autorização necessária.

Esse modelo está relacionado à evolução do sistema financeiro digital e do Open Finance.

A instituição iniciadora não precisa necessariamente manter a conta de onde o dinheiro sairá.

Ela inicia a operação, enquanto a instituição que mantém a conta do cliente participa da autorização e execução conforme os padrões definidos.

É por isso que informações sobre a forma de iniciação são tecnicamente importantes.

Segurança continua sendo parte central do Pix

Embora a nova norma seja predominantemente técnica, padronização também está relacionada à segurança.

Quanto mais claramente uma operação é identificada e processada, menores são as chances de incompatibilidades entre sistemas.

Isso não elimina golpes envolvendo engenharia social, celulares roubados ou páginas falsas.

Por esse motivo, o usuário continua precisando conferir os dados antes de confirmar uma operação.

No Pix, a tela de confirmação normalmente apresenta informações sobre o destinatário. O consumidor deve verificar cuidadosamente esses dados antes de autorizar a transferência.

Banco Central dispensou Análise de Impacto Regulatório

A norma informa que as mudanças possuem natureza predominantemente técnica e contratual.

Por esse motivo, foi dispensada a realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR).

A AIR é um instrumento utilizado para avaliar previamente possíveis efeitos de determinadas decisões regulatórias.

No caso dessa atualização, o entendimento foi de que as características das alterações permitiam a dispensa do procedimento.

Isso reforça que a instrução normativa não representa uma reformulação geral das regras do Pix para o consumidor.

Perguntas frequentes sobre as novas regras do Pix

O Pix mudou em agosto de 2026?

O Banco Central atualizou o Manual de Padrões para Iniciação do Pix por meio da Instrução Normativa BCB nº 769/2026. As alterações são predominantemente técnicas.

Vou precisar cadastrar minha chave novamente?

Não há nessa atualização uma obrigação geral de recadastrar chaves Pix.

O Pix comum terá juros?

A norma não cria juros para transferências comuns. O ajuste relacionado a juros envolve campos utilizados em determinadas cobranças.

O que significa a nova opção “AUTO”?

Trata-se de uma forma de iniciação que passa a integrar as informações previstas nos padrões técnicos de determinadas transações. Não significa necessariamente um novo botão que aparecerá para todos os usuários.

O QR Code do Pix vai mudar?

A atualização inclui orientações relacionadas a informações de operações com QR Code dinâmico com vencimento, mas isso não significa que o consumidor precisará aprender um novo procedimento geral para escanear códigos.

O Pix Automático mudou?

Foram atualizados procedimentos técnicos relacionados a recorrências e solicitações de pagamentos recorrentes, incluindo situações de encerramento.

Preciso atualizar o aplicativo do banco?

A norma não determina que todos os usuários façam manualmente uma atualização específica. As instituições são responsáveis pelas adequações necessárias aos seus sistemas.

Bancos e fintechs precisam mudar seus sistemas?

Sim. Os participantes abrangidos pelas especificações devem observar os novos padrões definidos pelo Banco Central e implementar as adequações aplicáveis.

Para o usuário, Pix continua funcionando normalmente

A atualização publicada pelo Banco Central em agosto de 2026 mostra como grande parte das mudanças no Pix acontece sem que o consumidor perceba.

A inclusão da iniciação “AUTO”, os ajustes em QR Codes dinâmicos, as especificações relacionadas aos juros em cobranças e as mudanças no tratamento das recorrências do Pix Automático são relevantes principalmente para as instituições responsáveis por processar essas operações.

Para quem simplesmente abre o aplicativo do banco para enviar ou receber dinheiro, não existe uma mudança geral na maneira de utilizar o Pix decorrente dessa atualização.

O principal efeito acontece nos bastidores: bancos, fintechs e instituições de pagamento precisam manter seus sistemas compatíveis com os padrões do Banco Central.

É justamente essa atualização constante da infraestrutura que permite ao Pix incorporar novas funcionalidades sem abandonar uma de suas principais características: possibilitar que milhões de brasileiros façam pagamentos e transferências de maneira integrada entre diferentes instituições.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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