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Crédito com FGTS: aprenda a usar o fundo para equilibrar suas finanças

O governo lançou o Crédito do Trabalhador, empréstimo com garantia do FGTS e juros reduzidos. Veja como funciona, quem pode solicitar, taxas e quando vale a pena usar.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
fgts multa caixa

O governo federal lançou o Crédito do Trabalhador, uma modalidade inovadora que permite usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia em empréstimos pessoais com juros mais baixos do que os praticados no mercado.

A iniciativa surge em meio a um cenário de endividamento recorde no país. De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), em julho de 2025, 30,2% das famílias brasileiras estavam inadimplentes, o maior índice desde 2023.

A proposta é clara: transformar o FGTS em um instrumento para baratear o crédito e permitir que trabalhadores substituam dívidas mais caras — como cartão de crédito, cheque especial e carnês — por uma linha mais acessível e sustentável.

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Como funciona o Crédito do Trabalhador

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Quem pode solicitar

O Crédito do Trabalhador está disponível para trabalhadores com contrato ativo e saldo em conta vinculada do FGTS, incluindo:

  • Empregados CLT em geral (código 101 no eSocial);
  • Empregados domésticos (código 104);
  • Diretores não empregados com FGTS (código 721).

A expectativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é que, em até 4 anos, cerca de 25 milhões de trabalhadores sejam incluídos no consignado privado.

Valores e juros médios

  • Valor médio contratado: R$ 7.179,18 por trabalhador;
  • Taxa média de juros: 3,59% ao mês;
  • Instituições habilitadas: 122, sendo 62 já em operação;
  • Total contratado até agosto de 2025: R$ 30,2 bilhões, em 6,2 milhões de contratos.

Cerca de 60% dos empréstimos foram feitos por trabalhadores que ganham até quatro salários mínimos, mostrando que o programa é mais procurado pelas famílias de baixa renda.

Por que os juros são menores

O segredo está na garantia. Como o saldo do FGTS fica vinculado ao empréstimo, o risco de inadimplência diminui para os bancos, permitindo juros mais baixos e prazos maiores do que no crédito pessoal tradicional.


Opinião de especialistas

Redução do custo do crédito

Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional de Executivos), o mecanismo é eficiente:

“Quando o banco tem uma garantia como o FGTS, o risco é menor, e isso permite oferecer prazos mais longos, juros mais baixos e liberar um volume maior de crédito do que seria possível sem garantia”.

Rendimento baixo do FGTS favorece o uso

O FGTS rende apenas TR + 3% ao ano, um ganho baixo frente à inflação e às taxas de mercado. Por isso, usá-lo como garantia pode ser mais vantajoso do que pagar juros de 8% ou mais em empréstimos pessoais.

Risco em caso de demissão

Oliveira alerta para o uso consciente:

“O Fundo de Garantia é uma reserva em caso de demissão. Se o trabalhador perde o emprego, o valor pode ser usado automaticamente para quitar a dívida, deixando-o sem esse recurso de segurança”.

Reorganização financeira

Para João Kepler, CEO da Equity Group, o crédito pode ser uma chance de reorganizar dívidas:

“O consignado sempre foi mais acessível a aposentados, pensionistas e servidores. Agora, o FGTS abre espaço para trabalhadores da iniciativa privada. Mas é essencial comparar taxas, prazos e calcular o impacto da parcela no orçamento”.


Quando vale a pena usar o Crédito do Trabalhador

Para substituir dívidas caras

Especialistas são unânimes: vale a pena quando substitui dívidas mais onerosas, como:

  • Cartão de crédito (juros acima de 12% ao mês);
  • Cheque especial (juros em torno de 7% ao mês);
  • Crédito pessoal sem garantia (juros médios acima de 5% ao mês).

Exemplos práticos

  • Um trabalhador endividado em cartão de crédito pode trocar uma dívida de 12% ao mês por um empréstimo com juros de 3,59% ao mês.
  • Isso significa economia significativa e possibilidade de quitar o débito em prazo mais longo e com menor comprometimento da renda.

Quando NÃO usar

  • Para gastos supérfluos (viagens, bens não essenciais);
  • Quando não há dívida a ser substituída;
  • Se a parcela comprometer mais de 30% da renda mensal.

Como solicitar o Crédito do Trabalhador

Passo a passo

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  1. Baixe o app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) disponível para Android e iOS;
  2. Faça login com seu CPF e senha do Gov.br;
  3. No menu inferior, clique em “Empréstimos”;
  4. Faça uma simulação com base no seu saldo do FGTS;
  5. Compare as opções apresentadas por instituições financeiras habilitadas;
  6. Selecione a proposta que melhor se adapta ao seu orçamento;
  7. Formalize o contrato digitalmente.

Documentos necessários

  • CPF e documento de identificação;
  • Carteira de Trabalho digital;
  • Cadastro atualizado no eSocial;
  • Conta ativa do FGTS com saldo suficiente para garantir o contrato.

Vantagens e desvantagens do Crédito do Trabalhador

Principais vantagens

  • Juros reduzidos em relação a outras modalidades de crédito;
  • Facilidade na contratação via app, sem burocracia;
  • Inclusão financeira para trabalhadores da iniciativa privada e domésticos;
  • Possibilidade de reorganizar dívidas caras.

Principais desvantagens

  • Risco de perder a reserva do FGTS em caso de demissão;
  • Comprometimento da margem consignável, reduzindo flexibilidade futura;
  • Exige cautela no planejamento para não trocar uma dívida por outra.

Impacto esperado na economia

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o programa pode movimentar R$ 30 bilhões anuais em crédito, com potencial para alcançar 25 milhões de trabalhadores até 2029.

A medida contribui para:

  • Redução da inadimplência, ao trocar dívidas caras por empréstimos mais baratos;
  • Maior circulação de recursos, estimulando o consumo;
  • Alívio financeiro imediato para famílias de baixa renda.

Por outro lado, aumenta a responsabilidade fiscal do governo e pode criar dependência de crédito, caso não seja usado com responsabilidade.


Considerações finais

O Crédito do Trabalhador representa uma inovação importante no mercado financeiro brasileiro, oferecendo uma alternativa de crédito mais acessível para milhões de trabalhadores com carteira assinada.

Ao usar o FGTS como garantia, os bancos conseguem reduzir o risco e oferecer juros menores, o que pode ser um alívio para famílias endividadas.

No entanto, o uso da modalidade deve ser cauteloso. Comprometer o FGTS é assumir que, em caso de demissão, o saldo poderá ser utilizado para quitar a dívida, deixando o trabalhador sem essa reserva de emergência.

Assim, a regra é clara: vale a pena para substituir dívidas caras e reorganizar as finanças; não vale para consumo supérfluo ou gastos que poderiam ser evitados.

O governo aposta que, até 2029, milhões de brasileiros terão acesso a essa linha, com impacto positivo na economia e no bem-estar das famílias.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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