O governo federal lançou o Crédito do Trabalhador, uma modalidade inovadora que permite usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia em empréstimos pessoais com juros mais baixos do que os praticados no mercado.
Crédito com FGTS: aprenda a usar o fundo para equilibrar suas finanças
O governo lançou o Crédito do Trabalhador, empréstimo com garantia do FGTS e juros reduzidos. Veja como funciona, quem pode solicitar, taxas e quando vale a pena usar.
A iniciativa surge em meio a um cenário de endividamento recorde no país. De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), em julho de 2025, 30,2% das famílias brasileiras estavam inadimplentes, o maior índice desde 2023.
A proposta é clara: transformar o FGTS em um instrumento para baratear o crédito e permitir que trabalhadores substituam dívidas mais caras — como cartão de crédito, cheque especial e carnês — por uma linha mais acessível e sustentável.
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Como funciona o Crédito do Trabalhador

Quem pode solicitar
O Crédito do Trabalhador está disponível para trabalhadores com contrato ativo e saldo em conta vinculada do FGTS, incluindo:
- Empregados CLT em geral (código 101 no eSocial);
- Empregados domésticos (código 104);
- Diretores não empregados com FGTS (código 721).
A expectativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é que, em até 4 anos, cerca de 25 milhões de trabalhadores sejam incluídos no consignado privado.
Valores e juros médios
- Valor médio contratado: R$ 7.179,18 por trabalhador;
- Taxa média de juros: 3,59% ao mês;
- Instituições habilitadas: 122, sendo 62 já em operação;
- Total contratado até agosto de 2025: R$ 30,2 bilhões, em 6,2 milhões de contratos.
Cerca de 60% dos empréstimos foram feitos por trabalhadores que ganham até quatro salários mínimos, mostrando que o programa é mais procurado pelas famílias de baixa renda.
Por que os juros são menores
O segredo está na garantia. Como o saldo do FGTS fica vinculado ao empréstimo, o risco de inadimplência diminui para os bancos, permitindo juros mais baixos e prazos maiores do que no crédito pessoal tradicional.
Opinião de especialistas
Redução do custo do crédito
Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional de Executivos), o mecanismo é eficiente:
“Quando o banco tem uma garantia como o FGTS, o risco é menor, e isso permite oferecer prazos mais longos, juros mais baixos e liberar um volume maior de crédito do que seria possível sem garantia”.
Rendimento baixo do FGTS favorece o uso
O FGTS rende apenas TR + 3% ao ano, um ganho baixo frente à inflação e às taxas de mercado. Por isso, usá-lo como garantia pode ser mais vantajoso do que pagar juros de 8% ou mais em empréstimos pessoais.
Risco em caso de demissão
Oliveira alerta para o uso consciente:
“O Fundo de Garantia é uma reserva em caso de demissão. Se o trabalhador perde o emprego, o valor pode ser usado automaticamente para quitar a dívida, deixando-o sem esse recurso de segurança”.
Reorganização financeira
Para João Kepler, CEO da Equity Group, o crédito pode ser uma chance de reorganizar dívidas:
“O consignado sempre foi mais acessível a aposentados, pensionistas e servidores. Agora, o FGTS abre espaço para trabalhadores da iniciativa privada. Mas é essencial comparar taxas, prazos e calcular o impacto da parcela no orçamento”.
Quando vale a pena usar o Crédito do Trabalhador
Para substituir dívidas caras
Especialistas são unânimes: vale a pena quando substitui dívidas mais onerosas, como:
- Cartão de crédito (juros acima de 12% ao mês);
- Cheque especial (juros em torno de 7% ao mês);
- Crédito pessoal sem garantia (juros médios acima de 5% ao mês).
Exemplos práticos
- Um trabalhador endividado em cartão de crédito pode trocar uma dívida de 12% ao mês por um empréstimo com juros de 3,59% ao mês.
- Isso significa economia significativa e possibilidade de quitar o débito em prazo mais longo e com menor comprometimento da renda.
Quando NÃO usar
- Para gastos supérfluos (viagens, bens não essenciais);
- Quando não há dívida a ser substituída;
- Se a parcela comprometer mais de 30% da renda mensal.
Como solicitar o Crédito do Trabalhador
Passo a passo
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- Baixe o app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) disponível para Android e iOS;
- Faça login com seu CPF e senha do Gov.br;
- No menu inferior, clique em “Empréstimos”;
- Faça uma simulação com base no seu saldo do FGTS;
- Compare as opções apresentadas por instituições financeiras habilitadas;
- Selecione a proposta que melhor se adapta ao seu orçamento;
- Formalize o contrato digitalmente.
Documentos necessários
- CPF e documento de identificação;
- Carteira de Trabalho digital;
- Cadastro atualizado no eSocial;
- Conta ativa do FGTS com saldo suficiente para garantir o contrato.
Vantagens e desvantagens do Crédito do Trabalhador
Principais vantagens
- Juros reduzidos em relação a outras modalidades de crédito;
- Facilidade na contratação via app, sem burocracia;
- Inclusão financeira para trabalhadores da iniciativa privada e domésticos;
- Possibilidade de reorganizar dívidas caras.
Principais desvantagens
- Risco de perder a reserva do FGTS em caso de demissão;
- Comprometimento da margem consignável, reduzindo flexibilidade futura;
- Exige cautela no planejamento para não trocar uma dívida por outra.
Impacto esperado na economia

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o programa pode movimentar R$ 30 bilhões anuais em crédito, com potencial para alcançar 25 milhões de trabalhadores até 2029.
A medida contribui para:
- Redução da inadimplência, ao trocar dívidas caras por empréstimos mais baratos;
- Maior circulação de recursos, estimulando o consumo;
- Alívio financeiro imediato para famílias de baixa renda.
Por outro lado, aumenta a responsabilidade fiscal do governo e pode criar dependência de crédito, caso não seja usado com responsabilidade.
Considerações finais
O Crédito do Trabalhador representa uma inovação importante no mercado financeiro brasileiro, oferecendo uma alternativa de crédito mais acessível para milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Ao usar o FGTS como garantia, os bancos conseguem reduzir o risco e oferecer juros menores, o que pode ser um alívio para famílias endividadas.
No entanto, o uso da modalidade deve ser cauteloso. Comprometer o FGTS é assumir que, em caso de demissão, o saldo poderá ser utilizado para quitar a dívida, deixando o trabalhador sem essa reserva de emergência.
Assim, a regra é clara: vale a pena para substituir dívidas caras e reorganizar as finanças; não vale para consumo supérfluo ou gastos que poderiam ser evitados.
O governo aposta que, até 2029, milhões de brasileiros terão acesso a essa linha, com impacto positivo na economia e no bem-estar das famílias.
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