O governo federal lançou uma nova modalidade de crédito consignado voltada aos trabalhadores com carteira assinada. O programa, chamado Crédito do Trabalhador, utiliza o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia, oferecendo juros menores e condições diferenciadas em relação aos empréstimos tradicionais.
Novo crédito consignado: saiba como o Crédito do Trabalhador pode facilitar seu acesso ao crédito
Crédito do Trabalhador permite usar FGTS como garantia para empréstimos consignados. Veja como funciona.
A iniciativa começou a valer em abril e promete se tornar uma alternativa para quem precisa de financiamento sem recorrer a linhas de crédito mais caras, como cartão de crédito ou cheque especial.
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Como funciona o crédito com garantia do FGTS?

Solicitação digital e sistema de leilão
A adesão é feita pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou em bancos credenciados. No momento da solicitação, o trabalhador escolhe o valor desejado e recebe propostas de diferentes instituições financeiras. O sistema funciona em formato de leilão: o cliente avalia as condições oferecidas, como taxa de juros e prazo, e seleciona a opção mais vantajosa.
Desconto em folha e limite de comprometimento
As parcelas são descontadas diretamente do salário por meio do eSocial, com limite de até 35% da renda mensal. Segundo o governo, esse modelo garante juros mais baixos do que os praticados no consignado tradicional, já que o risco para os bancos é menor.
Além disso, até 10% do saldo do FGTS pode ser usado como garantia. Em caso de demissão, a multa rescisória de 100% é direcionada automaticamente para a quitação da dívida. Caso o trabalhador mude de emprego, o contrato permanece válido, desde que ele continue no regime CLT.
Quem gerencia o programa?
O Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado será responsável por definir limites de juros, regras adicionais e eventuais ajustes na política. Desde 25 de abril, trabalhadores que já possuem empréstimos em folha podem migrar para o novo modelo.
A ideia central do programa é reduzir o risco de inadimplência e diminuir o superendividamento, que atinge milhões de famílias brasileiras.
Quando vale a pena contratar o Crédito do Trabalhador?
Vantagem frente a dívidas caras
Especialistas recomendam essa linha de crédito principalmente para quem busca substituir dívidas com juros altos, como rotativo do cartão de crédito, cheque especial ou CDC. Nessas situações, trocar uma dívida cara por uma com juros menores pode aliviar o orçamento.
A planejadora financeira Leticia Camargo, da associação Planejar, afirma que essa modalidade é indicada para emergências em que o trabalhador não possui reserva financeira.
Comparação com outros consignados
Já aposentados que continuam na ativa devem priorizar o consignado do INSS, que tende a oferecer taxas ainda mais atrativas. O consignado CLT com FGTS pode ser útil, mas não deve ser a primeira opção para esse público.
Avaliação do custo total
Outro ponto importante é analisar o CET (Custo Efetivo Total), que inclui todos os encargos do contrato. Mesmo com juros reduzidos, assumir parcelas que comprometam grande parte da renda pode ser arriscado.
Segundo Camargo, o crédito pode ser interessante para financiar projetos maiores, como a compra de um imóvel, mas não deve ser utilizado para despesas corriqueiras do dia a dia.
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Como acessar a Carteira de Trabalho Digital?

Para solicitar o Crédito do Trabalhador, é preciso ter cadastro no Gov.br. O processo é rápido e gratuito:
- Acesse o portal Gov.br e informe seus dados básicos: CPF, nome, data de nascimento, nome da mãe e estado de nascimento;
- Responda a cinco perguntas sobre sua trajetória profissional;
- Após a validação, será gerada uma senha provisória, que deve ser alterada no primeiro acesso;
- Concluído o cadastro, a carteira digital estará disponível no aplicativo (Android e iOS) ou no site servicos.mte.gov.br.
O documento é emitido automaticamente para qualquer cidadão com CPF ativo. Quem nunca teve vínculo formal verá apenas os dados de identificação civil.
O que muda para o trabalhador?
Com essa nova linha de crédito, os trabalhadores formais passam a contar com uma alternativa mais segura e barata do que as disponíveis no mercado. A possibilidade de usar o FGTS como garantia reduz o risco para os bancos e melhora as condições de financiamento.
No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cautela. Embora seja uma opção válida para emergências ou para substituir dívidas mais caras, o Crédito do Trabalhador não deve ser visto como solução para cobrir gastos rotineiros.
Perspectivas e impacto no mercado financeiro
O governo aposta que a nova modalidade pode estimular o consumo consciente e movimentar o setor financeiro, oferecendo crédito com menos risco de inadimplência. Para os bancos, trata-se de uma oportunidade de ampliar a carteira de clientes com garantias mais sólidas.
Já para os trabalhadores, o desafio será usar a linha de crédito de forma planejada, evitando cair na armadilha do superendividamento. A recomendação de especialistas é clara: antes de contratar, faça contas e avalie o impacto das parcelas no orçamento mensal.
Imagem: Freepik e Canva

