O governo federal está articulando novas medidas para estimular o crédito imobiliário voltado à classe média, com foco em imóveis de até R$ 1,5 milhão.
Governo Lula quer facilitar compra de imóveis de até R$ 1,5 milhão
Governo Lula estuda facilitar financiamento de imóveis até R$ 1,5 milhão via BC, IPCA e R$ 80 bi em crédito injetado no setor.
A iniciativa, coordenada pelo Banco Central, foi apresentada ao presidente Lula e prevê injeção de até R$ 80 bilhões no mercado de crédito por meio de incentivo a depósitos compulsórios e aprimoramento de contratos indexados ao IPCA.
Por que a proposta foi lançada agora?

O setor imobiliário tem enfrentado desaquecimento nos últimos anos e o governo busca retomar o ritmo de concessão de crédito.
Segundo dados da Abecip, o funding imobiliário atingiu R$ 2,4 trilhões em 2024, um aumento de 10% em relação a 2023, porém com participação da poupança caindo de 34% para 32% do total.
Como funciona o incentivo via depósitos compulsórios
Atualmente:
- 65% dos depósitos em poupança são obrigatoriamente direcionados ao crédito imobiliário
- 20% ficam retidos no Banco Central
- 15% podem ser usados livremente pelos bancos
A nova proposta prevê que, para cada real adicional destinado ao crédito habitacional, o banco teria acesso a parte proporcional dos depósitos compulsórios atualmente retidos. A estimativa é de que isso injete até R$ 80 bilhões no mercado, sem alterar diretamente a política monetária.
Mudanças nos contratos indexados ao IPCA
Atualmente, apenas 2% dos novos financiamentos usam correção pelo IPCA. A baixa adesão se dá principalmente por causa da volatilidade inflacionária. A nova proposta pretende aliviar esse cenário com:
- Amortizações mais altas no início do contrato
- Reajustes menores nos primeiros anos
- Maior estabilidade nas prestações iniciais
- Redução do risco de inadimplência
- Contratos facilitados para acesso ao crédito
Essa reformulação pode tornar a correção pelo IPCA mais atraente e previsível para mutuários e bancos.
Comparativo entre reduções diretas e incentivos flexíveis

Enquanto alguns defendem redução direta dos depósitos compulsórios, o governo opta por abordagem indireta, mantendo controle sobre o sistema financeiro. Esse modelo permitiria:
- Ampliação do crédito sem abrir mão do controle macroeconômico
- Fomento ao uso de mercado de capitais, diminuindo a dependência da poupança
Expectativas para o setor de habitação
A medida, segundo fontes do governo, pode:
- Destravar crédito para imóveis de classe média
- Injetar até R$ 80 bilhões em liquidez no setor
- Impulsionar o setor da construção civil
- Gerar empregos e contribuir para o crescimento econômico
Panorama atual do financiamento imobiliário
De acordo com a Abecip:
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- O funding imobiliário total chegou a R$ 2,4 trilhões em 2024, aumento de 10%
- Participação da poupança no funding caiu de 34% em 2023 para 32% em 2024
- O FGTS representou 27% do funding em 2024, acima dos 26% de 2023
Essa dinâmica reforça a urgência de alternativas para financiar o setor habitacional.
Possíveis impactos no bolso dos mutuários
- Maior previsibilidade nas prestações de financiamentos corrigidos pelo IPCA
- Ampliação do crédito para imóveis de maior valor (até R$ 1,5 milhão)
- Redução da dependência de regras tradicionais de poupança e compulsórios
Etapas previstas para implementação

- Formulação técnica pelo Banco Central
- Aprovação do incentivo via instrumento normativo ou legislação complementar
- Adaptação dos produtos bancários e correntes contratuais
- Divulgação dos termos e orientações para bancos e tomadores
A importância do timing econômico
Com a renda média da classe média pressionada por juros elevados, o estímulo ao crédito imobiliário pode ajudar a dinamizar a economia quando as taxas Selic ainda se mantêm em níveis altos. Mas a Abecip projeta que o volume de financiamento imobiliário recuará cerca de 10% em 2025, comparado a 2024, por conta da inflação e juros elevados.
Links úteis e clicáveis
- Site oficial do Banco Central do Brasil: https://www.bcb.gov.br
- Página da Abecip: https://www.abecip.org.br
- Informações sobre o IPCA no site do IBGE: https://www.ibge.gov.br/explica/inflacao.php
- Consulta a linhas de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal: https://www.caixa.gov.br/credito-habitacao
- Informações sobre FGTS no site da Caixa: https://www.caixa.gov.br/fgts
