Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

BTG lista empresas para investir em crédito privado

Crédito privado cresce e coloca investidor diante de dilema: debêntures no Brasil ou bonds em dólar. Veja onde faz mais sentido.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Gerdau

O crédito privado ganhou protagonismo no mercado financeiro nos últimos anos, impulsionado pela busca dos investidores por retornos acima da renda fixa tradicional e por alternativas de diversificação. No Brasil, as debêntures seguem como principal porta de entrada. No exterior, os bonds emitidos por empresas brasileiras em dólar passaram a chamar a atenção de quem busca exposição cambial e rendimento adicional.

Na prática, o investidor brasileiro hoje tem dois caminhos para emprestar dinheiro às empresas: comprar títulos emitidos no mercado local, em reais, ou acessar os papéis emitidos lá fora, denominados em dólar. A decisão, no entanto, está longe de ser trivial.

Leia mais:

Dividendos consistentes colocam empresa como favorita do BTG

Diferença de rendimento está cada vez menor

Um levantamento recente do BTG Pactual mostra que, em fevereiro, a diferença média entre investir em crédito privado no Brasil ou no exterior ficou praticamente zerada quando os retornos são ajustados para o real.

Segundo o relatório, os bonds de empresas brasileiras no exterior rendem, em média, USD + 6,80% ao ano — o que equivale aproximadamente a CDI + 2,13%. Já as debêntures emitidas no Brasil pagam, em média, CDI + 2,06%. A diferença entre as duas estratégias é de apenas 0,07 ponto percentual ao ano.

Esse dado ajuda a explicar por que o debate deixou de ser apenas “quanto rende” e passou a envolver fatores como imposto de renda, risco cambial, liquidez e conhecimento sobre cada empresa emissora.

Onde estão os “tesouros escondidos” no crédito em dólar

Apesar da média apertada, os analistas do BTG destacam que existem distorções relevantes em casos específicos. Em algumas empresas brasileiras, o mercado internacional exige juros muito mais altos do que o mercado local para emprestar dinheiro — abrindo espaço para ganhos adicionais ao investidor que consegue acessar esses bonds.

Tupy aparece como principal oportunidade

A Tupy é apontada como a maior assimetria atual entre mercado local e internacional. No Brasil, a debênture da empresa paga cerca de CDI + 2,74%. Já o bond emitido no exterior com vencimento em 2031 (TUPY ’31) rende o equivalente a CDI + 6,76%.

A diferença chega a 3,91 pontos percentuais ao ano, um prêmio expressivo para quem investe em dólar. Segundo o BTG, isso ocorre porque, fora do Brasil, a empresa não tem o mesmo reconhecimento que possui no mercado doméstico, o que eleva o custo de captação.

Brava Energia também oferece prêmio relevante

A Brava Energia, antiga 3R Petroleum, aparece como a segunda melhor oportunidade no crédito em dólar. No mercado internacional, o bond da empresa rende o equivalente a CDI + 4,08%, enquanto no Brasil a debênture paga cerca de CDI + 2,03%.

O ganho adicional estimado é de aproximadamente 2,01 pontos percentuais ao ano para quem opta pelo título em dólar.

Vamos e Movida completam a lista

Empresas controladas pela Simpar também entram no radar. A Vamos oferece um prêmio de cerca de 1,28 ponto percentual ao ano no exterior, com rendimento equivalente a CDI + 5,83%, contra CDI + 4,49% no Brasil.

Já a Movida apresenta um diferencial menor, de cerca de 0,39 ponto percentual, ainda positivo para quem investe nos bonds internacionais.

Quando faz mais sentido ficar no crédito em reais

Em outros casos, a lógica se inverte. Existem empresas brasileiras muito conhecidas no mercado internacional, especialmente exportadoras e companhias de commodities, cujos bonds em dólar pagam menos do que as debêntures locais.

CSN tem prêmio maior no mercado doméstico

A CSN é um exemplo claro. No Brasil, suas debêntures pagam cerca de CDI + 7,77%. Já o título emitido no exterior rende o equivalente a CDI + 4,31%. A vantagem de investir em reais chega a 3,21 pontos percentuais ao ano.

Gerdau e a forte presença nos EUA

No caso da Gerdau, as debêntures brasileiras pagam aproximadamente 1,43 ponto percentual a mais do que os bonds internacionais. Segundo o BTG, os investidores estrangeiros aceitam taxas tão baixas que, em alguns momentos, ficam abaixo do risco soberano do próprio Brasil.

Esse comportamento está ligado à forte presença da empresa nos Estados Unidos, que se intensificou após medidas protecionistas e tarifas de importação adotadas pelo governo norte-americano nos últimos anos.

Prio também remunera melhor em reais

A Prio segue a mesma linha. Suas debêntures no Brasil pagam cerca de CDI + 1,09%, enquanto os bonds no exterior rendem o equivalente a CDI + 0,39%. A diferença, embora menor, favorece o investimento doméstico.

Imposto de renda pode mudar totalmente a conta

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Um ponto decisivo nessa escolha é o imposto de renda. Algumas debêntures, especialmente as de infraestrutura, são isentas de IR para pessoas físicas. Nesses casos, um retorno aparentemente menor pode ser mais vantajoso no bolso do investidor.

Segundo o BTG, uma debênture isenta pagando CDI + 1% no Brasil pode superar um bond internacional pagando CDI + 2%, justamente porque, no exterior, o investidor terá que recolher imposto sobre o ganho de capital e os rendimentos.

Antes de optar pelo crédito em dólar, é fundamental verificar se a debênture equivalente no Brasil possui isenção fiscal.

Risco cambial entra como fator-chave

Outro elemento central é o câmbio. Um bond que rende 6,80% ao ano em dólar pode gerar ganhos maiores ou menores para o investidor brasileiro, dependendo da variação da moeda americana frente ao real.

Se o dólar se valorizar, o retorno em reais tende a aumentar. Se ocorrer uma forte queda da moeda americana, o investidor pode até perder dinheiro, mesmo com juros elevados. No mercado institucional, existem instrumentos como swaps cambiais para proteção, mas essas ferramentas não estão acessíveis à pessoa física e têm custos relevantes.

Liquidez e facilidade de resgate pesam na decisão

A liquidez também diferencia as duas alternativas. As debêntures no Brasil vivem um momento de forte demanda, o que facilita a venda no mercado secundário caso o investidor precise do dinheiro antes do vencimento.

Já os bonds internacionais costumam ter menor liquidez para o investidor pessoa física, além de estarem disponíveis em poucas corretoras no Brasil. Isso pode dificultar o resgate antecipado e aumentar o risco operacional da estratégia.

Crédito privado exige análise além do retorno

O cenário atual mostra que não existe uma resposta única para a pergunta “é melhor investir em crédito privado em reais ou em dólar?”. Em muitos casos, as taxas são semelhantes. Em outros, há prêmios relevantes — tanto no mercado local quanto no internacional.

A escolha depende do perfil do investidor, do conhecimento sobre a empresa emissora, da tributação envolvida, do risco cambial e da necessidade de liquidez. Mais do que nunca, o crédito privado exige análise cuidadosa e comparação caso a caso.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.