Empresas gestoras de debêntures da Light entraram na justiça contra a companhia na última segunda-feira (17). O objetivo é reverter uma decisão da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que concedeu a suspensão do pagamento das dívidas da fornecedora de energia.
De acordo com os gestores, a Justiça concedeu uma vantagem indevida para a empresa que tenta renegociar as suas dívidas. Atualmente, a Light deve R$ 11 bilhões aos credores, sendo que R$ 4,7 bilhões em debêntures e R$ 1,3 bilhão com vencimento em curto prazo.
A decisão de suspender o pagamento de dívidas da Light atingiu os debenturistas da empresa. São cerca de 33 mil pessoas físicas e pensionistas que correm um risco de tomar um “calote” da fornecedora de energia.
Credores da Light dizem que decisão da Justiça não tem precedentes
De acordo com a legislação atual, por fornecer serviços públicos, a Light não pode entrar com um pedido de recuperação judicial. Entretanto, ela pode entrar com medidas cautelares para bloquear o pagamento de dívidas enquanto negocia com os credores.
Contudo, os credores da empresa afirmam que o valor dos pagamentos suspensos não iriam comprometer o funcionamento nem a oferta de serviços da fornecedora de energia. Além disso, reclamam que a Justiça não estabeleceu nenhuma contrapartida para a suspensão.
Ou seja, os credores não têm como saber onde a Light vai aplicar o dinheiro que iria para os debenturistas. A Justiça também não determinou um prazo para que a empresa apresente o seu plano de reestruturação.
Diretores podem ficar milionários
Enquanto a Light pede na justiça o bloqueio do pagamento de suas dívidas, os diretores da empresa podem ficar milionários. De acordo com o plano de reestruturação, caso os diretores consigam diminuir as dívidas, eles poderão comprar até 5% das ações da empresa por R$ 0,01.
Considerando o preço atual das ações da Light, os diretores poderiam comprar o equivalente a R$ 37,5 milhões em ações, mas pagariam apenas R$ 185 mil.
Foto: Divulgação/Light
