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Mercado de celulares deve encolher mais que o previsto

Crise da memória pode derrubar vendas de celulares em 2026 e elevar preços em até 14%, segundo a IDC. Confira os detalhes.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Celulares

O mercado global de smartphones caminha para enfrentar, em 2026, a maior retração já registrada desde o início da era dos celulares inteligentes. A projeção é da consultoria internacional International Data Corporation (IDC), referência mundial em análises de tecnologia.

Segundo o relatório mais recente da IDC, as fabricantes devem vender cerca de 1,1 bilhão de unidades em 2026 — uma queda de 12,9% em comparação com 2025. Trata-se de um recuo histórico, superior ao observado durante períodos críticos como a pandemia e a crise global de semicondutores.

A previsão indica que a recuperação não será imediata. Para 2027, a expectativa é de crescimento tímido, em torno de 2%. Já em 2028, a consultoria projeta uma retomada mais consistente, com alta de 5,2% nas vendas globais.

O principal motivo para esse cenário é a chamada “crise da memória”, que afeta diretamente a produção de smartphones em todo o mundo.

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O que é a crise da memória e por que ela preocupa

A chamada crise da memória está relacionada à escassez de chips de memória RAM utilizados na fabricação de dispositivos eletrônicos.

O papel da memória RAM nos celulares

A memória RAM é responsável por armazenar temporariamente dados utilizados pelo sistema operacional e pelos aplicativos. Quando o usuário abre um aplicativo de banco, acessa redes sociais ou assiste a vídeos, é a RAM que garante o funcionamento fluido dessas atividades.

Sem esse componente, o smartphone simplesmente não opera de forma adequada.

Além dos celulares, chips de memória são usados em:

  • Smart TVs
  • Tablets
  • Consoles de videogame
  • Relógios inteligentes
  • Aspiradores robô
  • Veículos modernos
  • Impressoras

Ou seja, a demanda por memória é ampla e crescente.

Por que a oferta diminuiu

De acordo com a IDC, o problema não está em uma paralisação das fábricas, mas em uma mudança estratégica da indústria.

Fabricantes de semicondutores vêm direcionando investimentos para a produção de chips mais avançados, especialmente aqueles voltados a data centers e aplicações de inteligência artificial (IA). O crescimento exponencial da IA generativa e dos grandes modelos de linguagem ampliou drasticamente a demanda por memória de alta performance.

Com isso, houve redução na produção de chips de memória considerados “tradicionais”, utilizados em smartphones e eletrônicos de consumo.

O resultado é um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Impacto maior nos celulares Android de baixo custo

O relatório aponta que os celulares Android de entrada e intermediários devem ser os mais afetados.

Isso ocorre porque esses modelos operam com margens de lucro mais apertadas. Qualquer aumento no custo de componentes compromete diretamente a viabilidade financeira desses aparelhos.

Por outro lado, empresas com forte presença no segmento premium, como Apple e Samsung Electronics, tendem a sofrer impacto menor.

Essas companhias:

  • Trabalham com preços mais elevados
  • Possuem maior poder de negociação com fornecedores
  • Têm capacidade financeira para absorver custos temporários
  • Operam com cadeias de suprimentos mais diversificadas

Além disso, consumidores do segmento premium costumam ser menos sensíveis a reajustes de preço.

Preço médio deve subir 14% em 2026

A IDC projeta que o preço médio global dos smartphones deve aumentar cerca de 14% em 2026.

Esse movimento não será apenas consequência da escassez de componentes, mas também de uma mudança estratégica das fabricantes.

Nova estratégia: vender menos, mas com maior margem

Diante da limitação na oferta de chips, as empresas devem priorizar a produção de aparelhos com maior rentabilidade.

Na prática, isso pode significar:

  • Redução no lançamento de modelos básicos
  • Aumento do foco em versões “Pro” e “Ultra”
  • Incentivo à troca por aparelhos mais caros
  • Diminuição de promoções agressivas

Para o consumidor brasileiro, isso pode se traduzir em:

  • Menos opções de celulares abaixo de R$ 1.500
  • Aumento nos preços de lançamentos
  • Maior valorização de aparelhos seminovos
  • Crescimento do mercado de recondicionados

Declaração da IDC aponta transformação estrutural

Para Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, o impacto não será apenas conjuntural.

Segundo ela, a crise pode provocar uma reestruturação profunda no setor global de smartphones.

Em declaração, Popal afirmou que tarifas comerciais e até mesmo os efeitos da pandemia parecerão pequenos diante do que está por vir. Na avaliação da executiva, o mercado passará por uma “mudança sísmica” até o fim da crise.

Essa transformação pode incluir:

  • Consolidação de fabricantes menores
  • Saída de marcas regionais do mercado
  • Maior concentração em grandes players globais
  • Redefinição da cadeia global de fornecimento

Como a crise pode afetar o consumidor brasileiro

O Brasil é fortemente dependente da importação de componentes eletrônicos, mesmo com produção local em polos industriais como a Zona Franca de Manaus.

Quando o custo global sobe, o impacto tende a ser amplificado por fatores como:

  • Variação cambial
  • Carga tributária
  • Custos logísticos
  • Política de importação

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Caso a projeção da IDC se confirme, o consumidor brasileiro pode enfrentar:

  • Lançamentos mais caros em 2026
  • Redução de estoque de modelos populares
  • Menos promoções no varejo
  • Aumento no parcelamento

Para quem pretende trocar de aparelho, 2025 pode se tornar um ano estratégico para antecipar a compra antes da pressão mais intensa nos preços.

A relação com a inteligência artificial

Um dos fatores centrais da crise é o crescimento acelerado da inteligência artificial.

Data centers que operam IA generativa exigem grande volume de memória de alto desempenho. Empresas de tecnologia vêm disputando capacidade produtiva de chips, elevando preços e reduzindo disponibilidade para o mercado de consumo.

Essa disputa cria um efeito indireto: quanto mais a IA cresce, maior a pressão sobre componentes usados em smartphones.

Paradoxalmente, muitos dos novos celulares também prometem recursos baseados em IA embarcada, o que exige ainda mais memória — intensificando o problema.

Quando o mercado deve se recuperar

De acordo com a IDC, a estabilização pode começar apenas em meados de 2027.

A projeção indica:

  • 2026: queda de 12,9% nas vendas globais
  • 2027: crescimento modesto de 2%
  • 2028: recuperação mais robusta de 5,2%

A retomada dependerá de:

  • Reequilíbrio da produção de memória
  • Normalização da cadeia de suprimentos
  • Ajuste estratégico das fabricantes
  • Estabilização da demanda global

Até lá, o setor deve atravessar um período de forte turbulência.

O que esperar dos próximos anos

O mercado global de smartphones já vinha mostrando sinais de maturidade, com ciclos de troca mais longos e menor crescimento anual.

A crise da memória pode acelerar tendências como:

  • Maior durabilidade dos aparelhos
  • Incentivo a atualizações de software mais longas
  • Crescimento do mercado de usados
  • Consolidação de grandes fabricantes

Se as previsões se confirmarem, 2026 ficará marcado como um divisor de águas na indústria móvel.

Para o consumidor, o cenário exige planejamento. Para as fabricantes, será um teste de resiliência estratégica.

Imagem: Canva

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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