A mais recente pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta sexta-feira (30), em parceria com a Bloomberg, revela que a crise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teve efeito direto e imediato na popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Crise no INSS impacta imagem do governo Lula; 54% o consideram ruim ou péssimo
Após crise no INSS, avaliação negativa do governo Lula atinge 54%, segundo pesquisa Atlas. Popularidade atinge pior patamar desde 2025.
O levantamento mostra que 53,7% dos entrevistados consideram o governo ruim ou péssimo, o pior índice registrado desde fevereiro de 2025.
A desaprovação subiu 3,6 pontos percentuais em relação à última sondagem, e a avaliação positiva, que já vinha em queda, oscila para baixo, dentro da margem de erro de um ponto percentual.
A pesquisa escancara o custo político da instabilidade na prestação de serviços da Previdência, agravada pelas denúncias de fraudes, filas e falhas no atendimento aos beneficiários.
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O que mostra a pesquisa Atlas
Principais números da sondagem
- Desempenho ruim ou péssimo: 53,7%
- Desempenho ótimo ou bom: 26,1%
- Avaliação regular: 20,2%
- Margem de erro: 1 ponto percentual
- Data da coleta: 25 a 28 de maio de 2025
- Amostra: 2.200 entrevistas em todo o Brasil
Os dados refletem a percepção pública de que o governo federal não conseguiu responder de forma eficaz à crise no INSS.
Ela ganhou destaque nacional nas últimas semanas devido ao volume crescente de denúncias de descontos indevidos, fraudes em empréstimos consignados, e colapso no atendimento aos aposentados.
Comparativo com levantamentos anteriores
Em fevereiro de 2025, a desaprovação ao governo Lula estava em 48,2%. O salto de mais de cinco pontos em apenas três meses é atribuído principalmente aos problemas na gestão da Previdência Social, um dos pilares do sistema de proteção social brasileiro.
Segundo os analistas da AtlasIntel, a crise do INSS foi o gatilho mais visível para essa deterioração na percepção pública, embora outros fatores, como a desaceleração econômica e disputas internas no Congresso, também tenham influenciado.
Entenda a crise do INSS
O que desencadeou o problema
A crise do INSS ganhou força a partir de março de 2025, com o aumento no número de denúncias de descontos indevidos em benefícios previdenciários, envolvendo sindicatos, seguradoras e instituições financeiras.
Idosos relataram cobranças por serviços que nunca contrataram, empréstimos consignados não autorizados, e a dificuldade de cancelar débitos fraudulentos.
A resposta do governo foi considerada lenta. O canal telefônico 135 ficou sobrecarregado, o aplicativo Meu INSS apresentou falhas, e houve críticas à falta de uma política coordenada de enfrentamento à crise.
Tentativas de solução
Para tentar conter o desgaste, o Ministério da Previdência firmou parcerias com os Correios para permitir a contestação presencial de descontos indevidos em milhares de agências espalhadas pelo Brasil.
A medida foi vista como positiva, mas chegou tarde para muitos aposentados já prejudicados financeiramente.
Além disso, o governo anunciou a criação de um grupo de trabalho interministerial para investigar irregularidades e revisar contratos, mas os resultados concretos ainda não foram divulgados.
Reação política e desgaste institucional
Oposição pressiona no Congresso
A oposição aproveitou o momento para intensificar o discurso de ineficiência administrativa e abandono dos mais pobres, centrando críticas especialmente no ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e no presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
Líderes da oposição no Senado e na Câmara propuseram audiências públicas e abertura de uma CPI para investigar os contratos e práticas de instituições que operam com o INSS.
Reação do governo
O presidente Lula tentou minimizar os efeitos políticos, afirmando que “problemas históricos do sistema previdenciário estão sendo enfrentados com coragem e responsabilidade”. Em um evento recente, Lula declarou:
“A Previdência é um dos maiores desafios do Brasil. Estamos trabalhando para corrigir falhas e proteger quem mais precisa: o povo trabalhador.”
Apesar disso, a percepção popular é de que o governo não agiu com a rapidez e contundência necessárias para conter os prejuízos aos beneficiários.
Impactos na base de apoio e eleições municipais
Erosão no eleitorado tradicional
Um dos efeitos colaterais da crise foi o desgaste entre aposentados e pensionistas, historicamente uma das bases de apoio mais fiéis ao Partido dos Trabalhadores (PT).
A confiança de que o governo defenderia os direitos previdenciários foi abalada, e líderes comunitários relatam recuo no entusiasmo com o governo federal.
Essa frustração pode ter consequências diretas nas eleições municipais de 2024, especialmente em cidades médias e pequenas, onde os programas sociais e o INSS têm forte impacto na economia local.
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Com a aprovação em queda, prefeitos aliados também começam a demonstrar preocupação. Durante a Marcha dos Prefeitos, evento realizado em Brasília nesta semana, o clima entre os gestores municipais era de tensão, com cobranças por respostas mais rápidas do governo às demandas sociais.
A crise além dos números: o impacto humano
Depoimentos de quem foi afetado
Os problemas com o INSS não são apenas estatísticos. A crise atingiu diretamente a vida de milhões de brasileiros. Aposentados em todo o país relatam dificuldades financeiras graves após descontos que consomem parte significativa do benefício.
Casos como o da aposentada Maria de Lourdes, de 69 anos, que teve R$ 284 descontados indevidamente por um seguro não contratado, tornaram-se comuns. Ela relata:
“Fui no banco, ninguém sabia explicar. Liguei no INSS, fiquei horas na linha. Só consegui atendimento agora, nos Correios. Mas o prejuízo já foi.”
Consequências psicológicas e sociais
Além dos prejuízos financeiros, muitos idosos relatam ansiedade, estresse e até depressão em decorrência da sensação de impotência. Organizações da sociedade civil têm pressionado por atendimento humanizado e prioritário para essas vítimas.
Projeções para os próximos meses
Governo aposta na recuperação
Apesar do cenário negativo, o governo Lula aposta em medidas emergenciais para reverter o desgaste. Entre as ações previstas estão:
- Mutirões de atendimento em regiões afetadas
- Investimento em tecnologia para o sistema Meu INSS
- Revisão contratual com bancos e empresas conveniadas
- Campanha de comunicação para reestabelecer confiança
Desafio de médio prazo
Recuperar a imagem pública, no entanto, exigirá mais do que medidas paliativas. Analistas políticos apontam que a capacidade do governo de responder a crises sociais com rapidez e transparência será determinante para definir os rumos de sua popularidade até o fim de 2025.
Conclusão
A pesquisa Atlas escancara o custo político de uma das maiores crises enfrentadas pelo sistema previdenciário brasileiro nos últimos anos.
O efeito direto sobre a popularidade do presidente Lula reforça a urgência de ações mais contundentes e estruturadas para restaurar a confiança dos aposentados e da população em geral.
O governo ainda tem margem para reação, mas o tempo corre contra. O desgaste acumulado, se não for contido, pode comprometer não apenas a governabilidade, mas também os planos do PT para as eleições de 2026.
Enquanto isso, a população mais vulnerável continua enfrentando desafios diários para garantir seu direito básico à aposentadoria, esperando que a resposta do Estado esteja à altura da sua necessidade.
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