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Poder Judiciário vai ensinar uso de inteligência artificial generativa em novo curso da EJUD

O Poder Judiciário brasileiro dá mais um passo em direção à inovação tecnológica com o lançamento de um curso pioneiro sobre inteligência artificial generativa, promovido pela Escola Judiciária do Piauí (EJUD). A iniciativa marca o avanço do sistema de Justiça rumo à modernização e ao uso ético de novas ferramentas digitais. Em um momento em […]

Avatar de Erivelto Lopes Erivelto Lopes · · 7 min de leitura
Poder Judiciário vai ensinar uso de inteligência artificial

O Poder Judiciário brasileiro dá mais um passo em direção à inovação tecnológica com o lançamento de um curso pioneiro sobre inteligência artificial generativa, promovido pela Escola Judiciária do Piauí (EJUD). A iniciativa marca o avanço do sistema de Justiça rumo à modernização e ao uso ético de novas ferramentas digitais.

Em um momento em que a transformação digital atinge todos os setores da sociedade, o Judiciário busca acompanhar esse ritmo acelerado de mudanças. A capacitação oferecida pela EJUD pretende preparar magistrados e servidores para utilizar a tecnologia de forma estratégica, garantindo mais eficiência e precisão nas decisões judiciais.

Malhete em uma mesa ao lado da balança que simboliza a justiça
Imagem: MIND AND I / Shutterstock.com

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Formação inédita sobre o uso da inteligência artificial no Judiciário

O curso “Utilização da Inteligência Artificial Generativa no Poder Judiciário” teve suas inscrições abertas em 5 de novembro e seguirá recebendo candidatos até o dia 11 do mesmo mês. A formação será conduzida pela instrutora Lia Raquel Sousa Rabelo Fernandes, profissional reconhecida por sua experiência em inovação aplicada à administração pública e transformação digital.

Voltado exclusivamente a magistrados(as) e servidores(as) do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), o curso ocorrerá entre os dias 12 e 14 de novembro de 2025, das 14h30 às 18h30, com carga horária total de 15 horas. Essa estrutura busca oferecer um equilíbrio entre teoria e prática, proporcionando um aprendizado dinâmico e aplicado à realidade do sistema judicial.

Estrutura e metodologia do curso

A formação será oferecida em formato híbrido, com 20 vagas presenciais na sede da EJUD, localizada no Complexo Judiciário Piauiense, e 50 vagas na modalidade on-line, transmitidas pela plataforma Microsoft Teams. Essa combinação amplia o alcance do conteúdo e permite que profissionais de diferentes regiões participem da capacitação.

A metodologia do curso foi cuidadosamente planejada para estimular a compreensão das potencialidades da IA generativa dentro do contexto jurídico. A abordagem inclui estudo de casos práticos, demonstrações de uso de ferramentas e debates sobre aspectos éticos e legais da aplicação da tecnologia em atividades judiciais.

Segundo a coordenação da EJUD, a proposta é transformar o curso em um laboratório de inovação, em que os participantes poderão testar e avaliar como a IA pode auxiliar na elaboração de despachos, sentenças e pareceres.

A importância da capacitação em inteligência artificial

A adoção de tecnologias como a IA generativa no setor público exige não apenas infraestrutura, mas também preparo humano. O curso da EJUD surge justamente para suprir essa necessidade de formação técnica e conceitual, capacitando profissionais a utilizar essas ferramentas com responsabilidade e domínio.

Na prática, a inteligência artificial pode ajudar a otimizar o tempo de trabalho dos magistrados e servidores, reduzir o acúmulo de processos e aumentar a consistência das decisões. Ao mesmo tempo, requer uma compreensão crítica sobre seus limites, seus riscos e sua compatibilidade com os princípios da ética judicial.

O papel da EJUD na inovação do Judiciário

A Escola Judiciária do Piauí vem se consolidando como um espaço de referência em inovação e capacitação continuada. Nos últimos anos, a instituição ampliou seu portfólio de cursos voltados à modernização do Judiciário, abordando temas como transformação digital, segurança da informação e gestão de dados públicos.

Com o novo curso de inteligência artificial, a EJUD reforça seu compromisso em preparar o corpo técnico do TJPI para os desafios do futuro. Segundo a diretoria da escola, a missão é garantir que o uso da tecnologia seja acompanhado por formação qualificada, evitando a dependência cega de algoritmos e assegurando que o fator humano continue no centro das decisões.

IA generativa: o que muda na rotina judicial

A inteligência artificial generativa representa uma das maiores revoluções tecnológicas da atualidade. Diferente de sistemas tradicionais de automação, essa tecnologia é capaz de criar conteúdo original, como textos, resumos e análises, a partir de dados fornecidos.

No contexto do Judiciário, isso abre novas possibilidades de aplicação. Entre os exemplos mais promissores estão:

  • Elaboração assistida de despachos e decisões, reduzindo o tempo de produção de documentos jurídicos;
  • Análise de precedentes e jurisprudência, permitindo maior coerência nas sentenças;
  • Organização de processos e relatórios automáticos, otimizando tarefas administrativas;
  • Suporte na redação de votos e pareceres, mantendo o estilo e a coerência textual.

Essas funcionalidades não substituem o trabalho humano, mas atuam como ferramentas de apoio, permitindo que magistrados e servidores se concentrem em análises complexas e decisões estratégicas.

Ética e segurança: pilares da aplicação da IA

Apesar das inúmeras vantagens, o uso da inteligência artificial no Judiciário precisa ser guiado por critérios éticos rigorosos. O curso da EJUD também abordará as questões relacionadas à privacidade de dados, à transparência algorítmica e à responsabilidade sobre as decisões automatizadas.

A instrutora Lia Raquel Fernandes destaca que compreender como os algoritmos são treinados e quais dados utilizam é essencial para garantir que a tecnologia seja aplicada de forma justa e imparcial. Essa preocupação é especialmente importante em um setor sensível como o Poder Judiciário, onde a confiança pública é um valor fundamental.

Além disso, o curso discutirá a importância da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no uso de sistemas de IA, destacando como ela serve de base para o tratamento adequado de informações pessoais e institucionais.

O futuro da inteligência artificial na Justiça brasileira

A incorporação da IA no Judiciário brasileiro já é uma realidade em expansão. Diversos tribunais vêm testando soluções automatizadas para triagem de processos, atendimento ao público e análise de documentos. No entanto, a IA generativa vai além dessas aplicações iniciais, oferecendo ferramentas de compreensão linguística avançada que podem transformar a forma como a Justiça opera.

O curso da EJUD busca não apenas apresentar essas tecnologias, mas também provocar uma reflexão crítica sobre o papel da inovação na administração pública. O objetivo é formar profissionais capazes de atuar como agentes de transformação digital, conduzindo o uso da IA com responsabilidade e alinhamento aos valores constitucionais.

Um Judiciário mais eficiente e humano

A modernização tecnológica não precisa significar desumanização. Ao contrário, a aplicação correta da inteligência artificial pode tornar o Judiciário mais acessível, rápido e transparente.

A proposta da EJUD é justamente demonstrar que a IA generativa pode ser usada como aliada do trabalho humano, não como substituta. Com o apoio dessas ferramentas, o tempo gasto em tarefas repetitivas é reduzido, e os profissionais podem dedicar mais atenção à análise de mérito e à prestação jurisdicional de qualidade.

Além disso, o curso pretende criar um ambiente colaborativo de aprendizado, em que os participantes possam compartilhar experiências, discutir desafios e propor soluções inovadoras para o cotidiano das varas e tribunais.

Futuro definido quase 80% das empresas IA vão apostar mais em inteligência artificial Deep Reflection
Imagem: Freepik

O lançamento do curso “Utilização da Inteligência Artificial Generativa no Poder Judiciário” representa um marco no processo de modernização da Justiça brasileira. Ao investir em formação e capacitação, a EJUD reafirma o compromisso do Judiciário com a inovação responsável e o aprimoramento contínuo de seus profissionais.

Mais do que uma simples atualização tecnológica, a iniciativa simboliza a valorização do conhecimento, da ética e da eficiência. É o reconhecimento de que, para construir um Judiciário do futuro, é preciso unir a força da tecnologia à sabedoria humana — um equilíbrio que começa na sala de aula e se reflete nas decisões que impactam toda a sociedade.

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