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Dataprev admite vazamento de 400 senhas de sistemas internos, aponta TCU

TCU revela que Dataprev admitiu o vazamento senhas internas e presença de dispositivos suspeitos em suas redes. Caso envolve R$ 1,4 bilhão.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Prédio do DataPrev

A Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), responsável pelo processamento de dados de milhões de brasileiros vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), confirmou a existência de uma grave falha de segurança.

Isso resultou no vazamento de 400 senhas internas de seus sistemas. A revelação veio à tona após auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que também identificou a presença de dispositivos suspeitos nas redes da estatal.

A auditoria foi realizada entre janeiro e agosto de 2023, em meio a um contexto de crescentes denúncias de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.

As investigações do TCU apontam para um prejuízo de R$ 1,4 bilhão no período de 2022 a 2023, em fraudes relacionadas a empréstimos consignados e descontos indevidos.

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O que é a Dataprev e qual sua função?

Imagem: Divulgação: Gov/INSS

A Dataprev é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Previdência Social, especializada em tecnologia da informação e processamento de dados sociais.

Ela gerencia dados sensíveis de milhões de brasileiros, incluindo aposentados, pensionistas, beneficiários do Bolsa Família, CadÚnico e programas do Governo Federal.

Embora o INSS seja tradicionalmente seu maior cliente, atualmente mais de 50% da receita da Dataprev vem de instituições financeiras que operam com empréstimos consignados, segundo o próprio balanço da empresa.

Como o vazamento foi descoberto?

Durante a inspeção técnica do TCU, auditores identificaram não apenas o comprometimento de 400 credenciais de acesso, como também a presença de 60 dispositivos estranhos conectados à rede da Dataprev.

Tais dispositivos podem ter servido como pontos de entrada para ataques cibernéticos ou coleta de dados confidenciais.

A gravidade da situação levou à abertura de um processo sigiloso na corte de contas, sob alegação de comprometimento da integridade dos sistemas da Previdência. Segundo os técnicos do TCU, o nível de conhecimento demonstrado pelos fraudadores sobre a estrutura tecnológica da empresa sugere acesso a códigos-fonte e manuais internos.

R$ 1,4 bilhão em fraudes: impacto direto nos aposentados

De acordo com a auditoria, entre janeiro de 2022 e agosto de 2023, os sistemas da Dataprev teriam sido utilizados indevidamente em fraudes que somam cerca de R$ 1,4 bilhão. O valor envolve transações como:

  • Descontos indevidos em folha de pagamento de aposentados;
  • Concessão irregular de empréstimos consignados;
  • Inclusão de beneficiários fantasmas ou não autorizados em programas sociais.

Essas práticas têm gerado grande instabilidade entre os aposentados, que, em muitos casos, só percebem os descontos após consultarem extratos bancários ou receberem cobrança de parcelas nunca solicitadas.

TCU critica acesso restrito durante auditoria

O relatório do TCU também critica a postura da Dataprev durante a auditoria. Os auditores relataram dificuldades de acesso a informações técnicas e operacionais dos sistemas investigados.

A resistência da empresa gerou desconfiança nos investigadores, que suspeitam que a arquitetura da rede pode ter sido ainda mais comprometida do que o inicialmente admitido.

Além disso, o TCU levantou a hipótese de que os dados vazados não foram apenas extraídos por acesso indevido de credenciais, mas também por meio de cópias ilegais de sistemas e documentos técnicos.

Medidas adotadas pela Dataprev

Após a detecção dos problemas, a Dataprev informou ter adotado uma série de medidas corretivas emergenciais:

  • Redefinição das 400 senhas comprometidas;
  • Remoção dos 60 dispositivos suspeitos;
  • Notificação à Polícia Federal, que passou a investigar o caso;
  • Revisão de políticas de segurança da informação;
  • Reforço na autenticação de acessos e revisão de perfis administrativos.

Apesar das ações, a confiança na empresa foi abalada. Especialistas alertam para a necessidade de um plano de cibersegurança estruturado e contínuo, não apenas reativo, para evitar que situações semelhantes se repitam.

O papel das instituições financeiras

Uma das revelações mais sensíveis da auditoria do TCU é que, atualmente, o maior “cliente” da Dataprev não é mais o INSS, mas sim as instituições financeiras que operam linhas de crédito consignado. Segundo os dados, elas são responsáveis por mais da metade do faturamento da estatal.

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Esse vínculo comercial levanta questionamentos sobre a priorização de interesses dentro da empresa.

O acesso aos dados dos beneficiários permite aos bancos uma atuação mais agressiva e, muitas vezes, com pouca transparência, no oferecimento de produtos financeiros — o que pode facilitar a prática de fraudes.

Especialistas alertam para riscos estruturais

Para especialistas em segurança da informação e gestão pública, o caso expõe um modelo de gestão vulnerável, que coloca em risco não apenas os dados dos beneficiários, mas também a credibilidade de políticas públicas.

Segundo o professor Ricardo Machado, especialista em cibersegurança:

“É inadmissível que uma empresa estatal com acesso a informações tão sensíveis apresente brechas básicas como o uso de dispositivos não identificados dentro da rede. Isso é uma falha grave de governança de TI.”

Já para a pesquisadora Fernanda Lopes, do Instituto de Estudos em Políticas Públicas:

“A dependência da Dataprev em relação às instituições financeiras cria uma zona cinzenta que precisa ser melhor regulada. Não podemos ter empresas públicas operando como braço de vendas de bancos.”

Próximos passos e consequências legais

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O TCU deve apresentar, ainda neste semestre, um relatório consolidado sobre o caso. A depender das conclusões, punições administrativas e judiciais podem ser impostas à direção da Dataprev e a gestores responsáveis pela segurança cibernética.

Além disso, a Polícia Federal já abriu inquérito para investigar possíveis crimes cibernéticos, vazamento de dados e associação criminosa. O Ministério Público Federal também acompanha o caso de perto.

Conclusão: um alerta sobre a fragilidade dos dados públicos

O episódio envolvendo a Dataprev é mais um sinal de alerta sobre a fragilidade dos sistemas de dados públicos no Brasil.

A falta de investimento contínuo em segurança da informação, somada à terceirização de interesses, abre brechas não apenas para fraudes milionárias, mas para a erosão da confiança pública em instituições essenciais como o INSS.

É fundamental que medidas estruturais sejam adotadas, garantindo transparência, responsabilidade e segurança nos sistemas que lidam com a vida financeira e social de milhões de brasileiros.

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Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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