A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou na manhã desta terça-feira (27) uma operação que visa combater um esquema criminoso responsável por inserir celulares, drogas e outros objetos ilícitos dentro do Complexo Penitenciário de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Delivery de celular: operação investiga policial aposentado
Polícia Civil do Paraná investiga esquema de delivery de celular e drogas na penitenciária de Piraquara. Policial aposentado é suspeito.
O grupo criminoso, que também atua com tráfico de drogas e outros delitos, está sendo alvo de sete mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente nas cidades de Curitiba, Piraquara, Colombo, Campina Grande do Sul e Quatro Barras.
Leia Mais:
O que acontece se o MEI não pagar o DAS no prazo? Entenda
🔍 Investigação aponta envolvimento de policial aposentado

Ex-servidor é suspeito de facilitar entrada de ilícitos no presídio
De acordo com informações apuradas pela Polícia Civil, o esquema contava com a participação de um policial penal aposentado, que teria usado seus antigos acessos e conhecimento da rotina do presídio para facilitar a entrada de celulares e drogas.
“Apuramos que ele recebia valores para introduzir drogas e celulares dentro da unidade prisional”, declarou a delegada Juliana Cordeiro, responsável pelo inquérito policial. A investigação revelou ainda que o ex-agente era uma peça-chave na operação criminosa, atuando como elo entre os detentos e o mundo externo.
🚓 Dinâmica do crime: o ‘delivery’ de celulares na prisão
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo operava de forma bem estruturada. A logística envolvia a arrecadação de dinheiro por familiares de presos ou integrantes da facção criminosa, que posteriormente era repassado ao policial aposentado e a outros colaboradores externos.
A entrada dos aparelhos celulares e entorpecentes ocorria em dias e horários específicos, aproveitando brechas na segurança e contando, em alguns casos, com a colaboração de outros agentes públicos ou terceirizados que ainda estão sob investigação.
Além dos eletrônicos, a organização também introduzia carregadores, chips e drogas, que eram distribuídos internamente entre os detentos mediante pagamento.
Comunicação entre presos e o exterior
A utilização dos celulares dentro da unidade penitenciária permitia aos detentos continuar praticando crimes, coordenando ações externas, aplicando golpes e até ordenando homicídios. Esse tipo de prática agrava não apenas a segurança do sistema prisional, mas também impacta diretamente a sociedade, que acaba sendo vítima das ações planejadas de dentro dos presídios.
⚖️ Mandados, prisões e apreensões
Locais e alvos da operação
A operação foi deflagrada de forma simultânea em cinco municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Os mandados de busca e apreensão visaram imóveis utilizados pelos integrantes do grupo, onde foram encontrados documentos, celulares, dinheiro em espécie e outros elementos que reforçam as provas já colhidas durante a investigação.
Até o momento, a Polícia Civil confirmou a prisão de alguns dos alvos, incluindo o policial penal aposentado. As identidades dos presos não foram divulgadas oficialmente para não comprometer o andamento das investigações.
🏛️ Impacto no sistema penitenciário e resposta das autoridades

Autoridades reforçam combate ao crime organizado
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) destacou que o combate à corrupção dentro do sistema penitenciário é uma prioridade, especialmente quando envolve servidores ou ex-servidores que deveriam zelar pela segurança pública.
“A participação de qualquer servidor, ainda que aposentado, em atividades criminosas é algo gravíssimo e que será combatido com todo rigor da lei”, afirmou um porta-voz da secretaria.
Além disso, a operação reforça a necessidade de constantes melhorias nos sistemas de fiscalização, revista e controle de acesso nas unidades prisionais do estado.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
📊 Dados que preocupam: celulares nas prisões brasileiras
Um problema nacional
O caso do Complexo Penitenciário de Piraquara não é isolado. Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) apontam que, em 2024, foram apreendidos mais de 56 mil celulares em unidades prisionais de todo o Brasil.
Esses aparelhos se tornam verdadeiras ferramentas de crime dentro das cadeias, permitindo que líderes de facções comandem o tráfico de drogas, realizem extorsões, sequestros virtuais e outros delitos.
Desafio constante
Apesar dos avanços em tecnologias como bloqueadores de sinal e drones de vigilância, o combate à entrada de celulares permanece sendo um dos maiores desafios da segurança penitenciária no país.
🏁 Próximos passos da investigação
Desdobramentos esperados
A Polícia Civil do Paraná informou que as investigações continuam, e novos mandados podem ser expedidos nos próximos dias. A análise dos materiais apreendidos será fundamental para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da organização criminosa.
A expectativa é que o Ministério Público apresente as denúncias formais assim que o inquérito for concluído. Dependendo da gravidade dos crimes apurados, os envolvidos poderão responder por associação criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de drogas, facilitação de entrada de objetos proibidos em unidade prisional, entre outros.
Imagem: Vergani Fotografia/ Shutterstock

