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Conta de luz mais cara: entenda os tributos que pesam no seu bolso

Congresso derruba vetos na Lei das Eólicas Offshore, medida pode elevar conta de luz em 3,5% e aumentar uso de termelétricas no país.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
conta de luz

Em mais um capítulo de tensão entre o Executivo e o Legislativo, o Congresso Nacional derrubou os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos da Lei das Eólicas Offshore, provocando reação imediata no setor elétrico. A decisão, tomada na última semana, pode resultar em um aumento médio de 3,5% na conta de luz dos brasileiros, além de reforçar a dependência de fontes poluentes como as termelétricas movidas a óleo diesel.

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Conta de luz ficará 3,5% mais cara com decisão do Congresso; impacto é de R$ 197 bi

Imagem do Congresso Nacional do Brasil, casa do governo brasileiro.
Imagem: Alejandro Zambrana / Shutterstock

Entenda a decisão do Congresso Nacional

O que foi votado

A votação no Congresso teve como foco os vetos presidenciais a dispositivos que previam subsídios e a contratação compulsória de usinas termelétricas dentro da regulamentação do mercado de energia offshore. O presidente Lula havia vetado pontos considerados prejudiciais ao equilíbrio ambiental e econômico do setor.

Principais pontos derrubados

  • Incentivos à contratação obrigatória de termelétricas, muitas delas movidas a óleo diesel
  • Subsídios cruzados para viabilizar a instalação dessas usinas em locais de pouca infraestrutura energética
  • Exigência de reserva de capacidade térmica, independentemente da demanda real

Reações do governo e de entidades do setor

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) classificou a decisão como um “retrocesso”. Já o Ministério de Minas e Energia (MME) manifestou preocupação com o aumento da tarifa e com o impacto ambiental. Segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace), o impacto financeiro acumulado pode chegar a R$ 197 bilhões nos próximos 25 anos.

Por que a conta de luz deve ficar mais cara?

Composição da tarifa de energia

De acordo com o MME, o valor pago pelo consumidor é composto por:

  • Custo de geração
  • Custo de transmissão
  • Custo de distribuição
  • Encargos setoriais
  • Tributos federais, estaduais e municipais

O peso dos encargos setoriais

As alterações trazidas pela derrubada dos vetos impactam principalmente a parte de encargos setoriais, responsável por financiar subsídios e programas específicos do setor elétrico.

Exemplo de composição da tarifa (Neoenergia Brasília)

  • Impostos e encargos: 47,08%
  • Energia e transmissão: 40%
  • Distribuição: 12,92%

Estimativa de reajuste

Com os novos subsídios e obrigações contratuais para as termelétricas, o setor estima um aumento médio de 3,5% nas contas de luz já nos próximos anos, com efeito acumulado nos reajustes anuais.

Impacto ambiental: mais uso de termelétricas a diesel

Aumento nas emissões de gases de efeito estufa

Outro efeito negativo da medida é o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE), devido à maior utilização de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis como o óleo diesel.

Contradição com metas ambientais

A decisão ocorre em um momento delicado para a política ambiental brasileira. Em novembro de 2025, o Brasil sediará a COP30 em Belém (PA), conferência internacional da ONU sobre mudanças climáticas. A ampliação do uso de termelétricas é vista por ambientalistas como um movimento contrário aos compromissos assumidos internacionalmente.

Custo ambiental e de saúde pública

Além da elevação das emissões de CO₂, a maior queima de diesel tende a aumentar a poluição do ar, com possíveis impactos na saúde pública, especialmente nas regiões próximas às usinas.

Sistema de bandeiras tarifárias: como a decisão pode afetar o consumidor

Situação atual das bandeiras tarifárias

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que o mês de junho de 2025 está sob a bandeira vermelha patamar 1, com cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos.

Critérios para definição das bandeiras

O sistema de bandeiras tarifárias considera:

  • Condições hídricas
  • Custo de geração
  • Necessidade de acionamento de fontes emergenciais, como termelétricas

Possível agravamento com as novas medidas

Com a obrigatoriedade de contratação de termelétricas, o acionamento dessas usinas tende a ser mais frequente, o que pode resultar em bandeiras tarifárias mais caras, como a vermelha patamar 2 ou até a criação de novos patamares de cobrança extra.

Como funciona a estrutura da conta de luz no Brasil

contas-de-luz
Imagem: Reprodução/ Freepik

Componentes da conta de luz

A estrutura tarifária inclui:

Geração de energia

Responsável pelo custo de produção de energia nas usinas, seja hidrelétrica, solar, eólica ou térmica.

Transmissão

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Cobre os custos de transporte da energia das usinas até as distribuidoras.

Distribuição

Refere-se ao serviço das distribuidoras locais para entregar energia aos consumidores finais.

Encargos setoriais

Incluem subsídios definidos por leis e regulamentos, como os recentemente ampliados com a derrubada dos vetos.

Tributos

Impostos federais (PIS/Cofins), estaduais (ICMS) e municipais (CIP – iluminação pública).

Exemplo prático: distribuição dos custos em Brasília

  • 47,08%: impostos e encargos
  • 40%: geração e transmissão
  • 12,92%: distribuição

O que dizem os defensores da derrubada dos vetos

Argumento de segurança energética

Deputados e senadores que votaram pela derrubada dos vetos afirmam que a medida garante a segurança energética em regiões com baixa oferta de energia, como o Norte e o Nordeste.

Interiorização da geração elétrica

Outro argumento usado é a necessidade de interiorizar a produção de energia, reduzindo a dependência de grandes centros geradores e fortalecendo o abastecimento em áreas remotas.

Incentivo à indústria nacional

O setor de equipamentos e serviços ligados a termelétricas também vê a medida como um estímulo à geração de empregos e à produção nacional.

Próximos passos: judicialização no STF

STF decisão polêmica
Imagem: Fellip Agner / Shutterstock.com

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) já estuda ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a medida pode ferir princípios constitucionais relacionados ao direito do consumidor e à proteção ambiental.

Posição da Abrace

A Abrace, que representa grandes consumidores de energia, também considera recorrer judicialmente, sob o argumento de que os custos da decisão serão repassados de forma desigual, afetando especialmente os consumidores residenciais e as pequenas empresas.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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