O governo federal anunciou, nesta semana, uma Medida Provisória (MP) que promete transformar o setor elétrico brasileiro e aliviar o bolso de milhões de brasileiros.
Conta de luz com desconto: veja quem será beneficiado pela nova MP
Descubra quem terá desconto na conta de luz com a nova medida do governo. Veja se você está na lista!
A proposta, apresentada pelos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), prevê ampliar o alcance da tarifa social de energia, com descontos significativos nas contas de luz de até 60 milhões de pessoas em todo o país.
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O que diz a nova Medida Provisória?

A MP traz uma série de mudanças estruturais no sistema de tarifação e distribuição de energia elétrica no Brasil. A principal delas é a ampliação do desconto da tarifa social, que atualmente beneficia cerca de 17 milhões de famílias, e poderá alcançar um total de 21 milhões, o que representa aproximadamente 60 milhões de brasileiros.
Essa mudança será possível com a revisão de subsídios anteriormente concedidos a fontes de energia renováveis, como solar e eólica.
Novo modelo de tarifa social: quem terá direito
Famílias com renda de até meio salário mínimo
Segundo o texto da MP, o desconto total da conta de luz será concedido para quem consumir até 80 kWh por mês, desde que se enquadre em um dos seguintes perfis:
Regras para obter 100% de desconto
- Estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico);
- Ter renda mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 759);
- Ser beneficiário do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas);
- Ser indígena ou quilombola com inscrição no CadÚnico;
- Viver em sistemas isolados (regiões não conectadas ao sistema nacional).
Nesse caso, o desconto será total nos primeiros 80 kWh/mês consumidos. Se o consumo for maior, o excedente será tarifado normalmente.
Famílias com renda entre meio e um salário mínimo
Há também isenção da cobrança da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para famílias com:
- Renda per capita entre R$ 759 e R$ 1.518;
- Consumo mensal de até 120 kWh.
A CDE representa cerca de 12% do valor da fatura de energia. Com a nova regra, essa parcela da conta será eliminada para milhões de famílias.
Como funciona a tarifa social atualmente
Atualmente, a tarifa social oferece descontos escalonados de até 65% para consumidores de baixa renda, com base em três critérios principais:
- Renda per capita menor que meio salário mínimo;
- Inscrição no CadÚnico;
- Beneficiários do BPC/Loas ou famílias com renda de até três salários mínimos com pessoa com deficiência.
A ampliação proposta na MP atualiza esses critérios e aumenta o número de beneficiários de forma significativa.
Fim de subsídios para energia solar e eólica
Para viabilizar o desconto na conta de luz, a medida prevê o fim gradual de subsídios dados a consumidores de energia solar e eólica.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, esses benefícios custam R$ 10 bilhões por ano à CDE — um valor que acaba sendo repassado para os demais consumidores, especialmente os mais pobres e de classe média. Com o novo modelo, esse custo será redistribuído de forma mais justa, segundo o governo.
Quando a medida começa a valer?
O início da vigência está previsto para junho de 2025, após a tramitação da MP no Congresso Nacional. Como toda medida provisória, o texto já tem força de lei ao ser publicado, mas precisa ser aprovado por deputados e senadores para se tornar definitivo.
Abertura do mercado de energia: o que muda?
Outro ponto importante da reforma é a proposta de abertura total do mercado de energia elétrica. Isso permitirá que todos os consumidores escolham o fornecedor de energia que desejarem — algo hoje restrito a grandes empresas.
Cronograma da abertura
- Agosto de 2026: indústria e comércio poderão migrar para o mercado livre;
- Dezembro de 2027: consumidores residenciais também terão acesso.
Essa liberdade trará mais concorrência, possibilidade de escolha por fontes renováveis e redução de preços por meio da competição.
Medidas complementares para reequilibrar o setor
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Além dos descontos e da abertura de mercado, a MP prevê ajustes em outras áreas do setor elétrico:
Inclusão dos consumidores livres
Consumidores do mercado livre passarão a contribuir com:
- Os custos de operação das usinas Angra 1 e 2;
- Incentivos à geração distribuída, hoje concentrados no mercado cativo.
Nova regra para irrigação
A proposta altera os horários com desconto para irrigação e aquicultura. Em vez de 8h30 contínuos, o consumo será deslocado para horários de menor impacto no sistema elétrico.
Declarações do governo sobre a medida
O ministro Alexandre Silveira afirmou que a proposta foi bem recebida no Congresso e reforçou a importância de garantir justiça tarifária. Já Rui Costa destacou que o modelo atual penaliza famílias que não têm energia própria ou acesso ao mercado livre.
“É como um condomínio: todos os moradores devem contribuir de forma justa para os custos coletivos”, disse Costa.
Impacto estimado da MP

| Categoria | Impacto |
|---|---|
| Número de famílias beneficiadas | 21 milhões |
| Total de pessoas atendidas | Cerca de 60 milhões |
| Economia na conta de luz | Até 12% (isenção da CDE) |
| Custo anual da medida | R$ 3,6 bilhões |
| Valor recuperado com corte de subsídios | R$ 10 bilhões por ano |
Como saber se você será beneficiado?
Quem já está no CadÚnico e atende aos critérios de renda e consumo poderá ser automaticamente incluído na nova tarifa social. O governo ainda deve publicar uma portaria com as regras detalhadas de inclusão, atualização de dados e eventuais recadastramentos.
Conclusão
A nova MP representa uma mudança significativa na política energética do Brasil. Com foco na justiça tarifária e no acesso universal à energia, a medida visa aliviar a conta de luz de milhões de brasileiros e equilibrar os custos do sistema entre todos os consumidores.
A ampliação da tarifa social, aliada à abertura do mercado e ao corte de subsídios concentrados, pode transformar o setor e garantir mais equidade e eficiência energética para o país.
Imagem: Canva
