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Aposentados podem contestar descontos indevidos no INSS a partir de 14 de maio

INSS começa a notificar aposentados e pensionistas sobre descontos associativos não autorizados; veja como reconhecer, contestar e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dará início a um amplo processo de notificação de descontos associativos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas nos últimos anos. Segundo anunciou o presidente do órgão, Gilberto Waller, nesta quinta-feira (8), cerca de 9 milhões de beneficiários serão informados, a partir da próxima terça-feira (13), sobre valores que foram descontados diretamente de seus benefícios, supostamente em favor de associações, sindicatos e entidades conveniadas.

A medida é uma resposta direta à Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou um esquema de fraudes com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que nenhum segurado seja prejudicado e que haja agilidade nas medidas de restituição.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Comunicação direta via Meu INSS e Central 135

Canais oficiais e procedimentos

A notificação será feita exclusivamente por dois canais oficiais:

  • Plataforma Meu INSS (site ou aplicativo)
  • Central de Atendimento 135

Esses canais exibirão:

  • O nome da associação ou entidade que recebeu os descontos;
  • O valor total descontado do benefício;
  • A opção para confirmar ou contestar a autorização do desconto.

Segundo Gilberto Waller, “o cidadão, olhando esse dado, pode dizer: realmente eu fui associado, ou eu não fui associado”. Se o segurado não reconhecer o desconto, poderá rejeitá-lo com um clique no sistema ou por confirmação na central telefônica — sem necessidade de documentação.

Como contestar descontos não reconhecidos

O processo de contestação será desburocratizado, conforme explicou o presidente do INSS. Ao clicar em “não reconheço este desconto”, o sistema automaticamente:

  1. Informa à associação que o segurado não reconhece o vínculo;
  2. Abre prazo de 15 dias úteis para que a entidade apresente provas de associação e autorização do desconto;
  3. Se não houver comprovação, a associação deverá devolver o valor diretamente ao INSS, via Guia de Recolhimento da União (GRU);
  4. O INSS, então, repassa o valor ao segurado por meio de folha suplementar de pagamento.

O que acontece se a associação não pagar?

Caso a entidade não comprove o vínculo nem realize o pagamento dentro do prazo, o caso será encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU), que adotará medidas judiciais para cobrar a devolução.

Segundo Waller, a medida é uma forma de proteger o cidadão e o INSS de esquemas fraudulentos, garantindo que “nenhum segurado fique no prejuízo”.

Quem será notificado?

  • 9 milhões de aposentados e pensionistas com registros de desconto associativo receberão as notificações a partir de 13 de maio de 2025.
  • Outros 27 milhões de segurados receberão, desde esta quinta-feira (8), a confirmação de que não sofreram qualquer desconto, como forma de tranquilizá-los.

O cruzamento de dados está sendo feito a partir dos registros internos da folha de pagamento da Previdência Social, e o sistema já está preparado para lidar com os questionamentos.

A importância do contato direto

Waller destacou que a comunicação será feita sem intermediários para evitar novos golpes. “O cidadão não precisa juntar documento a ninguém, não precisa fazer contato com ninguém. O contato é direto: cidadão e INSS”, frisou.

Ele também alertou que nenhum terceiro está autorizado a agir em nome do INSS. Portanto, beneficiários devem desconfiar de abordagens externas e só utilizar os canais oficiais.

Contexto: Operação Sem Desconto e o rombo de R$ 6,3 bilhões

A Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril de 2025, revelou um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, envolvendo o repasse de valores a:

  • Associações;
  • Sindicatos;
  • Entidades que ofereciam benefícios em troca de mensalidades, como descontos em compras, serviços odontológicos e convênios médicos.

O INSS descontava os valores diretamente da folha de pagamento dos segurados. No entanto, em milhões de casos, sem consentimento dos aposentados e pensionistas.

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Desdobramentos da operação

O escândalo resultou em uma crise institucional na Previdência Social:

  • Carlos Lupi, então ministro da Previdência, foi demitido;
  • Alessandro Stefanutto, presidente do INSS na época das irregularidades, foi exonerado;
  • Quatro dirigentes do INSS e um policial federal em São Paulo foram afastados;
  • A AGU criou uma força-tarefa para medidas de ressarcimento e responsabilização judicial;
  • A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos investigados.

Como saber se você foi vítima?

Meu INSS
Imagem: Rafapress / Shutterstock.com

Etapas para o segurado consultar e agir:

  1. Acessar o aplicativo Meu INSS ou ligar para a Central 135 a partir do dia 13 de maio;
  2. Verificar se há algum desconto registrado em seu nome;
  3. Caso sim, avaliar se autorizou ou não a filiação e os descontos;
  4. Se não reconhecido, rejeitar o desconto diretamente pelo sistema;
  5. Acompanhar o retorno do valor, caso a associação não comprove a autorização.

O que esperar nos próximos meses

O INSS ainda não definiu um cronograma exato para o início dos ressarcimentos, já que depende da resposta das associações e da triagem dos casos. Segundo Waller, o primeiro passo é “quantificar quantas pessoas foram afetadas”.

A expectativa é de que o sistema consiga processar os primeiros estornos ainda em 2025, com prioridade para os casos mais antigos e valores mais altos.

Medidas futuras para evitar novas fraudes

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Imagem: Freepik e Canva

Após o escândalo, o governo estuda novas diretrizes regulatórias, como:

  • Maior controle nos convênios com entidades;
  • Exigência de assinatura eletrônica autenticada para autorizações de desconto;
  • Auditorias periódicas sobre os repasses a associações;
  • Inclusão de cláusulas de responsabilidade objetiva em contratos com o INSS.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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