O governo federal lançou o Desenrola Adimplentes, uma nova modalidade de crédito destinada a trabalhadores que mantêm seus pagamentos em dia, mas que ainda enfrentam dificuldades para acessar empréstimos com juros mais baixos.
Desenrola Adimplentes estreia sem Bradesco, Itaú e Nubank
Saiba como funciona o Desenrola Adimplentes, quem pode contratar, quais são as regras e por que Caixa e Banco do Brasil iniciaram o programa.
A iniciativa foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de uma Medida Provisória e representa uma nova etapa das políticas de crédito do governo federal. Diferentemente das versões anteriores do Desenrola Brasil, voltadas principalmente para a renegociação de dívidas, o novo programa busca beneficiar consumidores adimplentes, especialmente trabalhadores informais.
Nesta fase inicial, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram autorizados a oferecer a linha de crédito. Bancos privados como Bradesco, Itaú, Nubank, Santander e outros ainda não participam da iniciativa.
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O que é o Desenrola Adimplentes?

O Desenrola Adimplentes foi criado para atender pessoas que possuem um bom histórico recente de pagamentos, mas continuam pagando juros elevados em empréstimos pessoais.
Na prática, o programa permite que o trabalhador substitua uma dívida mais cara por um novo financiamento com juros reduzidos, desde que cumpra os critérios definidos pelo governo.
O objetivo é evitar que consumidores atualmente adimplentes acabem entrando em situação de inadimplência devido ao alto custo do crédito.
A proposta amplia o alcance do Novo Desenrola Brasil, incluindo um público que anteriormente não era contemplado pelas políticas de renegociação.
Quem pode participar do programa?
O programa estabelece critérios específicos para a contratação da nova linha de crédito.
Podem participar pessoas que:
- tenham um empréstimo pessoal ativo;
- tenham pago pelo menos quatro parcelas desse contrato;
- estejam com os pagamentos em dia ou apresentem atraso máximo de até 90 dias;
- possuam saldo devedor de até R$ 15 mil por instituição financeira.
Esses requisitos permitem que o consumidor demonstre um histórico recente de bom pagamento, reduzindo o risco para a instituição financeira e possibilitando juros menores.
Trabalhadores informais são o principal público
Um dos focos do Desenrola Adimplentes é ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores sem vínculo formal de emprego.
Isso inclui, por exemplo:
- motoristas de aplicativo;
- entregadores;
- autônomos;
- microempreendedores individuais (MEIs);
- profissionais liberais;
- trabalhadores informais em geral.
Esse grupo frequentemente enfrenta maiores dificuldades para conseguir crédito em condições favoráveis, já que muitas instituições financeiras utilizam critérios mais rígidos para clientes sem carteira assinada.
Como funciona a nova linha de crédito?
O funcionamento é relativamente simples.
O consumidor poderá contratar um novo empréstimo para quitar o financiamento anterior, desde que a operação atenda às regras estabelecidas pela Medida Provisória.
Entre as principais condições estão:
- juros limitados a 1,99% ao mês;
- possibilidade de liquidar a dívida antiga;
- possibilidade de contratar crédito adicional, dependendo da análise realizada pelo banco.
Na prática, o cliente troca uma dívida com juros elevados por outra com custo financeiro menor.
Quanto é possível economizar?
Segundo o Ministério da Fazenda, muitos trabalhadores informais atualmente contratam crédito pessoal com taxas que variam entre 6% e 12% ao mês.
Ao migrar para um financiamento limitado a 1,99% mensais, a diferença no custo total da dívida pode ser significativa.
Exemplo prático
Imagine um trabalhador que possui uma dívida de R$ 10 mil.
Caso o empréstimo atual tenha juros de 8% ao mês, o valor pago ao longo do contrato pode ser muito superior ao principal.
Ao refinanciar essa dívida por meio do Desenrola Adimplentes, utilizando uma taxa próxima do limite de 1,99% ao mês, o custo financeiro tende a diminuir consideravelmente, reduzindo o valor das parcelas e facilitando a continuidade dos pagamentos.
Por que apenas Caixa e Banco do Brasil participam?
A decisão do governo foi iniciar o programa exclusivamente com os bancos públicos federais.
Assim, nesta primeira etapa, apenas:
- Caixa Econômica Federal;
- Banco do Brasil.
estão autorizados a operar a linha de crédito.
A estratégia permite que o governo implemente o programa de forma gradual, acompanhando sua adesão antes de ampliar a participação para outras instituições.
Até o momento, bancos privados como:
- Bradesco;
- Itaú;
- Nubank;
- Santander;
- Inter;
- C6 Bank;
não aderiram ao programa.
O governo informou que novas instituições poderão participar futuramente, caso decidam aderir às regras da iniciativa.
O programa substitui o Desenrola Brasil?
Não.
O Desenrola Adimplentes complementa as políticas já existentes.
Enquanto o Desenrola Brasil foi criado para renegociar dívidas de consumidores negativados, a nova modalidade atende pessoas que continuam pagando seus compromissos regularmente, mas desejam reduzir os custos financeiros antes que a situação se agrave.
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A proposta tem caráter preventivo, buscando evitar a inadimplência.
Governo também anunciou mudanças envolvendo o FGTS
A mesma Medida Provisória trouxe outra novidade importante para o mercado de crédito.
O governo autorizou o uso facultativo de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia em operações de crédito consignado privado.
Com isso, trabalhadores com carteira assinada poderão utilizar parte dos recursos do fundo para reduzir o risco das operações e, consequentemente, acessar empréstimos com juros mais baixos.
A taxa máxima prevista para essas operações também será de 1,99% ao mês.
Vale destacar que a utilização do FGTS será opcional e dependerá da escolha do trabalhador.
Fies Empreendedor também foi criado
Outra medida anunciada simultaneamente foi a criação do Fies Empreendedor.
A modalidade é destinada a ex-estudantes que financiam seus cursos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e permanecem adimplentes.
Nesse caso, o objetivo não é renegociar a dívida estudantil, mas oferecer crédito para quem pretende abrir ou expandir um negócio.
Segundo o governo, a nova linha terá juros de 0,87% ao mês.
Quais são os benefícios esperados?
Entre os principais objetivos da iniciativa estão:
- reduzir o custo do crédito para trabalhadores adimplentes;
- prevenir o aumento da inadimplência;
- incentivar o bom histórico de pagamentos;
- ampliar o acesso ao crédito formal;
- estimular a atividade econômica por meio do consumo e do empreendedorismo.
Além disso, o governo espera diminuir a dependência de empréstimos com juros elevados, especialmente entre trabalhadores informais.
Bancos privados ainda podem aderir?

Sim.
Embora o programa tenha sido lançado apenas com Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, não há impedimento para que outras instituições financeiras participem futuramente.
A adesão dependerá das regras estabelecidas pelo governo e do interesse de cada banco em operar a nova linha de crédito.
Enquanto isso, clientes de bancos privados deverão aguardar eventual ampliação do programa ou buscar alternativas disponíveis nas próprias instituições.
Conclusão
O Desenrola Adimplentes inaugura uma nova etapa da política de crédito do governo federal ao priorizar consumidores que mantêm um histórico recente de bons pagamentos, mas ainda enfrentam juros elevados em empréstimos pessoais. Inicialmente disponível apenas na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil, o programa busca reduzir o custo do crédito para trabalhadores informais e demais clientes elegíveis, além de prevenir o aumento da inadimplência. Caso a iniciativa alcance os resultados esperados, a tendência é que outras instituições financeiras possam aderir ao programa nas próximas etapas.
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