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Tarifa de 50% sobre parte do aço é confirmada pela União Europeia

A Comissão Europeia oficializou nesta terça-feira (30) um novo conjunto de regras para as importações de aço na União Europeia. A medida representa um endurecimento da política comercial do bloco e busca proteger a indústria siderúrgica europeia diante do avanço da concorrência internacional, da sobreoferta mundial e da pressão sobre os preços. Com as mudanças, […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 6 min de leitura
metalurgica

A Comissão Europeia oficializou nesta terça-feira (30) um novo conjunto de regras para as importações de aço na União Europeia. A medida representa um endurecimento da política comercial do bloco e busca proteger a indústria siderúrgica europeia diante do avanço da concorrência internacional, da sobreoferta mundial e da pressão sobre os preços.

Com as mudanças, o volume de aço que poderá entrar no mercado europeu sem incidência de tarifas será reduzido em 47%, passando a um limite anual de 18,3 milhões de toneladas.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla para fortalecer a produção local e aumentar o nível de utilização das siderúrgicas do bloco, que atualmente operam abaixo do potencial.

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O que muda nas importações de aço para a União Europeia

importação aço
Imagem criada por IA

As novas regras alteram significativamente o sistema de cotas aplicado às importações de aço.

Na prática, haverá uma redução expressiva do volume que poderá ser exportado para a União Europeia sem o pagamento de tarifas adicionais. Quando os embarques ultrapassarem os limites estabelecidos, será aplicada uma tarifa mais elevada, reforçando a proteção ao mercado europeu.

Segundo a Comissão Europeia, o objetivo é reduzir os impactos causados pelo excesso de oferta internacional e criar condições mais equilibradas de concorrência para os produtores instalados no bloco.

Como serão distribuídas as novas cotas

Uma das principais novidades envolve a forma de distribuição das cotas de importação.

Metade do volume disponível será destinada aos países que possuem acordos de livre comércio com a União Europeia. Os demais parceiros comerciais disputarão a outra metade das cotas, embora os países com acordos também possam acessar essa parcela.

Além disso, diversos exportadores terão limites individuais definidos com base no histórico de vendas para o mercado europeu.

De acordo com a Comissão Europeia, esse modelo permitirá que grande parte dos países beneficiados por acordos comerciais sofra uma redução de acesso inferior ao corte médio de 47%.

O órgão informou ainda que um número significativo de parceiros comerciais já aceitou, de forma provisória, essa nova divisão das cotas.

Por que a União Europeia decidiu endurecer as regras

A decisão está diretamente relacionada ao cenário global da indústria siderúrgica. Nos últimos anos, o mercado internacional passou a conviver com um excesso de capacidade produtiva em diversos países. Como consequência, há maior oferta de aço disponível para exportação, provocando queda dos preços e aumento da concorrência sobre fabricantes europeus.

A Comissão Europeia afirmou que o excesso de capacidade continua sendo um dos principais fatores de distorção do comércio internacional de aço.

Outro ponto citado é a prática de dumping, situação em que empresas exportam produtos por valores considerados artificialmente baixos para ampliar sua participação em mercados estrangeiros.

Segundo o órgão europeu:

“O persistente excesso de capacidade no setor siderúrgico continua sendo um grave problema e segue distorcendo os mercados internacionais.”

A expectativa é que as novas regras contribuam para restabelecer condições mais equilibradas de concorrência dentro do bloco.

Objetivo é aumentar a utilização das siderúrgicas

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Imagem criada por IA

Além da proteção comercial, a Comissão Europeia pretende estimular a atividade das usinas instaladas na região.

Hoje, a indústria siderúrgica europeia opera com aproximadamente 65% da capacidade instalada. Com o novo sistema de proteção comercial, a meta é elevar esse índice para cerca de 80%.

Maior utilização das plantas industriais pode significar aumento da produção, melhor aproveitamento dos investimentos já realizados e maior estabilidade para empresas do setor.

Medida já havia sido anunciada anteriormente

As regras detalhadas agora dão continuidade a uma decisão apresentada pela União Europeia em abril.

Na ocasião, o bloco informou que promoveria uma redução nas cotas livres de tarifas e endureceria as cobranças para importações que ultrapassassem esses limites.

Com a regulamentação divulgada nesta terça-feira, essas mudanças passam a ser efetivamente implementadas.

Quais países mais exportam aço para a União Europeia

Entre os principais fornecedores de aço para o mercado europeu em 2025 estão:

  • Turquia;
  • Coreia do Sul;
  • Indonésia;
  • China;
  • Índia;
  • Ucrânia;
  • Taiwan.

Esses países concentram uma parcela significativa das exportações destinadas ao bloco e poderão sentir os efeitos das novas limitações, embora parte deles conte com cotas específicas conforme o histórico de comércio.

Setor perdeu milhares de empregos desde 2008

A preocupação da Comissão Europeia também envolve o mercado de trabalho.

Segundo o órgão, a indústria siderúrgica europeia perdeu aproximadamente 100 mil postos de trabalho desde 2008, reflexo da redução da competitividade, do aumento das importações e das dificuldades enfrentadas pelo setor ao longo dos últimos anos.

Na avaliação da Comissão, manter mecanismos de proteção comercial é essencial para evitar uma nova retração da produção e preservar empregos na cadeia siderúrgica.

Como funcionava o sistema anterior

Até esta terça-feira (30), a União Europeia utilizava um sistema de salvaguardas comerciais criado durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Esse mecanismo estabelecia cotas de importação para diversos produtos siderúrgicos. Quando os embarques ultrapassavam os limites autorizados, era aplicada uma tarifa de 25%.

O modelo foi adotado como resposta às mudanças no comércio internacional provocadas pelas medidas tarifárias norte-americanas, que redirecionaram parte do aço destinado aos Estados Unidos para outros mercados, incluindo a Europa.

Com a entrada em vigor das novas regras, esse sistema é substituído por um modelo considerado mais rigoroso pela Comissão Europeia.

Quais podem ser os impactos para o mercado internacional

O endurecimento das regras europeias tende a provocar reflexos em diferentes regiões do mundo.

Entre os possíveis efeitos estão:

Redirecionamento das exportações

Países que tradicionalmente vendem grandes volumes de aço para a União Europeia poderão buscar novos mercados consumidores caso encontrem maiores dificuldades para acessar o bloco.

Maior proteção à indústria europeia

A expectativa das autoridades é reduzir a pressão competitiva sobre os fabricantes locais, permitindo maior utilização das usinas e fortalecendo a produção interna.

Mudanças nos fluxos do comércio global

A limitação das importações europeias pode alterar rotas comerciais e aumentar a concorrência em outros mercados importadores de aço.

Com informações de g1

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