A disparidade salarial entre homens e mulheres tem se agravado no Brasil em 2024. Dados divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho e Emprego revelam que, em média, as mulheres recebem 20,7% a menos que os homens no setor privado.
Esta diferença aumentou desde o início do ano, quando o percentual era de 19,4%, refletindo um cenário preocupante para a equidade de gênero no mercado de trabalho.
Crescimento da Desigualdade em 2024

Segundo o relatório, a desigualdade salarial entre homens e mulheres persiste em diferentes níveis profissionais. No entanto, essa discrepância é ainda mais acentuada quando se analisam as mulheres em cargos de liderança. Em funções de direção e gerência, as mulheres recebem, em média, apenas 73% dos salários dos homens que ocupam as mesmas posições, o que significa que elas ganham 27% a menos.
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A análise abrange um universo de 18 milhões de trabalhadores em 50.692 estabelecimentos com mais de 100 empregados. Esses dados reforçam a urgência de medidas para combater a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho.
Diferenças Salariais por Gênero e Raça
A média salarial no setor privado brasileiro é de R$ 4.125, mas essa média mascara as profundas desigualdades de gênero e raça. Quando agrupados por esses critérios, os dados revelam que as mulheres negras são o grupo mais prejudicado. Veja a seguir a média salarial de diferentes grupos:
- Mulheres negras: R$ 2.745,76
- Mulheres não negras: R$ 4.249,71
- Mulheres (geral): R$ 3.565,48
- Homens negros: R$ 3.493,59
- Homens não negros: R$ 5.464,29
- Homens (geral): R$ 4.495,39
Esses números evidenciam que as mulheres negras enfrentam múltiplas camadas de desigualdade. Elas ganham, em média:
- 35,38% a menos que mulheres não negras;
- 21,4% a menos que homens negros;
- 49,75% a menos que homens não negros.
Essa disparidade salienta a interseccionalidade entre gênero e raça no mercado de trabalho brasileiro, onde mulheres negras são duplamente discriminadas, tanto por sua cor quanto por seu gênero.
Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral
Diante desse cenário alarmante, o governo brasileiro lançou o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Homens e Mulheres. O documento propõe 79 ações divididas em três eixos principais, visando promover a equiparação de funções e salários. Algumas das medidas incluem a capacitação de jovens mulheres e a inclusão do tema nas negociações sindicais.
Essa iniciativa busca mitigar a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e promover a valorização das mulheres, sobretudo em cargos de liderança, onde a disparidade salarial é mais evidente.
Desigualdade Estrutural: Poucas Mulheres em Cargos de Chefia
Outro ponto relevante do relatório é a baixa presença de mulheres, especialmente mulheres negras, em cargos de chefia e direção. Conforme os dados:
- Em 42,7% das empresas analisadas, as mulheres negras e pardas representavam menos de 10% do total da folha salarial.
- Em 53% dos estabelecimentos com mais de 100 empregados, não havia pelo menos três mulheres em cargos de direção, dificultando a comparação salarial entre homens e mulheres nessas posições.
Essa sub-representação feminina em altos cargos reflete a estrutura desigual do mercado de trabalho, que impede o avanço das mulheres a posições de maior prestígio e remuneração. Para mudar essa realidade, é essencial que políticas públicas e privadas sejam implementadas com foco em inclusão e diversidade.
Mulheres São Maioria entre Mestres e Doutores, Mas Ganham Menos
Embora as mulheres sejam maioria entre os mestres e doutores no Brasil, essa qualificação não se traduz em igualdade salarial. As mulheres que conseguem avançar em suas carreiras acadêmicas ainda enfrentam barreiras quando ingressam no mercado de trabalho, especialmente em áreas dominadas por homens.
Esse dado reforça a necessidade de combater não apenas a disparidade salarial, mas também as barreiras estruturais que impedem as mulheres de alcançarem cargos de liderança e salários compatíveis com suas qualificações.
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Consequências da Desigualdade Salarial para a Sociedade
A desigualdade salarial entre homens e mulheres tem impactos profundos não apenas para as trabalhadoras, mas também para toda a economia. Mulheres que recebem menos têm menor poder de compra, afetando o consumo e o crescimento econômico. Além disso, a menor renda também dificulta o acesso a oportunidades de educação, saúde e bem-estar para as famílias lideradas por mulheres.
O combate à desigualdade salarial, portanto, não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma medida necessária para o desenvolvimento econômico do país.
A Importância de Políticas de Inclusão

A fim de reduzir a desigualdade salarial e promover a equidade de gênero, é fundamental que as empresas adotem políticas de inclusão que valorizem a diversidade no ambiente de trabalho. Essas políticas devem incluir:
- Programas de mentoria para mulheres em cargos iniciais;
- Políticas de contratação que favoreçam a equidade racial e de gênero;
- Transparência nos critérios de promoção e remuneração;
- Adoção de metas claras para aumentar a representatividade feminina em cargos de liderança.
Essas medidas podem ajudar a criar um ambiente de trabalho mais inclusivo, no qual as mulheres, especialmente as negras, possam prosperar e alcançar seu pleno potencial.
Considerações finais
A crescente desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil é um reflexo das barreiras estruturais que persistem no mercado de trabalho. Apesar de avanços em algumas áreas, as mulheres, em especial as negras, continuam a enfrentar salários mais baixos e menor representatividade em cargos de liderança.
