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Desoneração da folha deve beneficiar 17 setores; saiba mais

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que desonera a folha de pagamento para 17 setores e prefeituras de até 156 mil habitantes

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Desoneração da folha

A Câmara dos Deputados concluiu, nesta quinta-feira (12), a votação do projeto de lei que trata da desoneração da folha de pagamento para empresas de 17 setores intensivos em mão de obra e prefeituras com até 156 mil habitantes. 

Esta decisão marca o fim de um longo processo de negociação entre o governo federal e o Congresso e estabelece um novo modelo de tributação para esses setores.

O projeto de lei foi aprovado na quarta-feira com 253 votos a favor, 67 contra e 4 abstenções. A votação final, ocorrida de forma simbólica nesta quinta-feira, marcou a conclusão de um acordo significativo entre o governo e o Congresso, que visa ajustar as políticas fiscais do país.

Leia mais: Governo envia MP ao Congresso para compensar desoneração da folha; entenda

Mudanças na Desoneração e Reoneração

A principal mudança trazida pelo projeto é a manutenção da desoneração da folha de pagamento para 2024, seguida por uma reoneração gradual a partir de 2025. A desoneração atual, que substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, continuará em vigor até o final de 2024.

A partir de 2025, a contribuição sobre a folha de pagamento começará a crescer gradualmente, com uma previsão de atingir 20% até 2028. Este ajuste será feito da seguinte forma:

  • 2025: 5%
  • 2026: 10%
  • 2027: 15%
  • 2028: 20%

Impacto nos Setores Beneficiados

O projeto afeta 17 setores que são grandes empregadores, incluindo têxtil, calçados, construção civil, call centers, comunicação, fabricação de veículos, tecnologia e transportes. Para esses setores, a desoneração representa uma significativa redução nos custos com contratação, incentivando o crescimento e a sustentabilidade desses setores.

Imagem de uma pessoa contando dinheiro para pagamento de salário.
Imagem: i_am_zews / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Compensações Fiscais

Para compensar o impacto fiscal da desoneração, o projeto inclui uma série de medidas compensatórias. Entre as principais estão:

Recolhimento de Valores Esquecidos

O governo terá a possibilidade de recolher R$ 8,5 bilhões em valores esquecidos no sistema bancário. No entanto, o Banco Central levantou preocupações sobre esse ponto, sugerindo que esses valores não sejam considerados como receita do governo. 

Após discussões, um acordo foi alcançado, permitindo que esses valores sejam apropriados pelo Tesouro Nacional e utilizados como parte da compensação fiscal.

Repatriação de Recursos e Atualização de Bens

O projeto permite a repatriação de recursos depositados no exterior mediante pagamento de Imposto de Renda, sem a necessidade de trazer os recursos para o Brasil. 

Além disso, prevê a atualização de valores de bens, especialmente imóveis, com uma alíquota reduzida sobre o ganho de capital. Isso visa facilitar a regularização e atualização de bens no país.

Refis para Multas e Recursos Judiciais

Outras compensações incluem a criação de um Refis específico para multas aplicadas por agências reguladoras e ainda não incluídas na dívida ativa. Também serão utilizados recursos depositados em contas judiciais não sacados pelos detentores dos direitos.

Desafios e Críticas

Durante a tramitação do projeto, surgiram diversas críticas e desafios. A deputada Any Ortiz, que era relatora do projeto, expressou descontentamento com a condução do processo pelo governo e pediu para deixar a relatoria. O pedido foi acatado, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, assumiu a condução do texto.

Preocupações do Banco Central

O Banco Central também manifestou preocupações sobre o impacto do recolhimento de valores esquecidos no sistema bancário. A instituição defendeu que esses valores não fossem contabilizados como receita do governo, divergindo da abordagem proposta inicialmente. 

Após negociações, um acordo foi alcançado para assegurar que os valores fossem apropriados pelo Tesouro Nacional e utilizados de acordo com as normas fiscais estabelecidas.

Acordo com o STF e Medidas Provisórias

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O acordo para a compensação do impacto fiscal e a reoneração gradual da folha de pagamento surgiu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu uma medida provisória do governo. 

O STF estabeleceu um prazo para que governo e Congresso chegassem a um consenso sobre a compensação fiscal. Após extensas negociações, um acordo foi fechado, garantindo a continuidade das políticas de desoneração e a implementação gradual da reoneração.

Revisão de Medidas Provisórias

Em junho, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devolveu parte de uma medida provisória que limitava créditos de PIS/Cofins, o que fez com que o governo reavaliassse sua estratégia de compensação. A expectativa inicial era arrecadar cerca de R$ 29 bilhões com a medida, mas a devolução abriu espaço para novas negociações e ajustes na compensação fiscal.

Perspectivas Futuras

Com a aprovação do projeto e a definição de uma reoneração gradual, o governo e o Congresso buscarão monitorar os impactos econômicos e sociais das novas medidas. A desoneração da folha de pagamento visa estimular o crescimento dos setores intensivos em mão de obra, enquanto a reoneração gradual permitirá uma transição suave para um novo modelo de tributação.

A implementação das compensações fiscais será crucial para equilibrar o impacto fiscal da desoneração e assegurar que as metas fiscais do país sejam cumpridas. As medidas propostas, como a repatriação de recursos e a atualização de bens, são passos importantes para garantir a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Imagem do Congresso Nacional para falar sobre a desoneração da folha
 magem: M.Antonello Photography / Shutterstock.com

Considerações Finais

A aprovação do projeto de desoneração da folha de pagamento pela Câmara dos Deputados representa um marco significativo para os setores intensivos em mão de obra e para a política fiscal do Brasil. 

Com a desoneração mantida em 2024 e uma reoneração gradual a partir de 2025, o governo e o Congresso buscarão garantir que a transição seja realizada de forma eficiente e equilibrada. 

As medidas de compensação fiscal, juntamente com a resolução de questões pendentes com o Banco Central e o STF, serão fundamentais para o sucesso do novo modelo tributário e para a estabilidade econômica do país.

Imagem: wutzkohphoto / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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