Com a chegada do Dia dos Namorados, comemorado no dia 12 de junho, o comércio brasileiro se aquece com o aumento na procura por presentes. No entanto, em 2025, a data traz uma novidade importante: a preferência dos consumidores por pagamentos à vista, deixando de lado o tradicional parcelamento, muitas vezes associado ao descontrole financeiro.
Dia dos Namorados: consumidores preferem pagar presentes à vista, aponta estudo
Pesquisa revela que, neste Dia dos Namorados, maioria dos consumidores prefere pagar à vista para evitar dívidas e controlar o orçamento.
Dados de estudos recentes e entrevistas com consumidores revelam um perfil mais cauteloso dos casais. A busca é por presentes que cabem no orçamento, pagos de forma imediata, evitando o comprometimento de renda nos meses seguintes.
Leia Mais:
Programa Minha Casa, Minha Vida anuncia 120 mil financiamentos para classe média
Mudança de comportamento: romantismo com responsabilidade

Planejamento é a nova forma de demonstrar amor
O farmacêutico Pedro Henrique de Oliveira, de 18 anos, é um exemplo dessa nova consciência financeira. Depois de três meses de relacionamento, ele se planejou para surpreender a namorada com um pedido oficial. Guardou dinheiro com antecedência e decidiu investir em uma aliança, buquê de flores e perfume — tudo pago à vista.
“Valeu a programação, porque não toma um susto do nada. Está muito corrido”, contou Pedro.
Assim como ele, Luciene Peres, de 36 anos, se preparou com um mês de antecedência e gastou R$ 120 à vista em um casaco para o parceiro. Já Fabíola da Silva, vendedora de 23 anos, também pretende fazer sua compra sem parcelamentos. O motivo é simples: evitar dívidas.
“Vai ser à vista, mas o valor depende do modelo que ele vai querer”, disse, sobre o presente ainda indefinido para o namorado.
O outro lado: o parcelamento ainda tem adeptos
Juros zero ainda atrai parte dos consumidores
Apesar da tendência crescente pelo pagamento à vista, o parcelamento não foi totalmente abandonado. A dona de casa Patrícia Santana, de 47 anos, decidiu comprar o próprio presente e parcelar em cinco vezes. Mesmo com a compra feita por ela mesma, o marido, Afremir Silva, vai assumir as parcelas.
“Ela parcela do jeito que quer e depois me passa”, brincou Afremir.
A estratégia do casal se baseia em aproveitar promoções sem juros, uma das poucas justificativas que ainda mantém o parcelamento como alternativa viável para alguns consumidores.
No comércio: maior circulação de dinheiro e uso do Pix
Empresários notam preferência por pagamentos diretos
O movimento nas lojas tem surpreendido comerciantes. Segundo Denilson Souza, sócio de uma loja de ternos, ainda que o cartão de crédito continue liderando, há um aumento visível nas transações em dinheiro vivo e no uso do Pix.
“As pessoas querem ter o poder na mão novamente. O Pix tirou um pouco disso, mas o dinheiro em espécie voltou a circular”, explicou.
Esse retorno ao dinheiro vivo pode estar ligado à tentativa dos consumidores de controlarem melhor os próprios gastos, evitando compras por impulso ou endividamento.
A vendedora Juliana de Campos Borges, de uma loja de cosméticos, confirma que a pesquisa de preços está mais intensa neste ano. Segundo ela, cerca de 40% dos clientes ainda optam por parcelar, mas a maioria se divide entre crédito e pagamentos à vista, como Pix.
Endividamento preocupa: dados reforçam necessidade de cautela
Campo Grande apresenta alto índice de inadimplência
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em maio, revela que 215.379 moradores de Campo Grande estão endividados. Desses, quase 89 mil têm pagamentos em atraso e mais de 40 mil admitem que não conseguirão quitar seus débitos.
O cartão de crédito lidera como principal tipo de dívida (75,4%), seguido pelos carnês (18,7%) e o crédito pessoal (11,6%). Isso reforça a importância de atitudes como as adotadas por Pedro e Luciene: planejar, guardar e pagar à vista.
Especialista alerta: presente caro não é sinônimo de amor

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Economista recomenda compras conscientes
O economista e professor da UFMS, Odirlei Fernando Dal Moro, reforça que o valor do presente não deve ser confundido com demonstração de afeto.
“Dar presente caro não é prova de amor. Toda compra por impulso fora do orçamento pode trazer problemas”, alertou.
Ele sugere que o casal se envolva na escolha do presente. Assim, além de evitar frustrações, é possível conciliar desejo e orçamento. Pensar nas necessidades reais do parceiro ou parceira também é uma forma carinhosa e prática de comemorar.
Impacto econômico: Dia dos Namorados movimenta R$ 384 milhões no MS
Gasto médio por pessoa é de R$ 273,21
A pesquisa do IPF-MS (Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS) em parceria com o Sebrae/MS estima que o Dia dos Namorados deve movimentar R$ 384,45 milhões no Mato Grosso do Sul. Desse total, R$ 201,40 milhões serão exclusivamente para a compra de presentes.
O gasto médio por pessoa é estimado em R$ 273,21. Quanto às preferências, 42% dos entrevistados pretendem comprar roupas; 18% calçados; 18% perfumes e cosméticos; 17% bolsas e acessórios; 16% flores e cestas; e 7% joias.
Conclusão: amor e planejamento andam juntos
O Dia dos Namorados de 2025 marca uma virada no comportamento do consumidor brasileiro. Com um cenário econômico desafiador e altos índices de endividamento, casais estão adotando atitudes mais racionais, priorizando o pagamento à vista e evitando parcelamentos que comprometam a renda futura.
Esse movimento não apenas contribui para uma melhor saúde financeira, mas também mostra que é possível celebrar o amor com responsabilidade. Afinal, o verdadeiro presente está no cuidado mútuo — inclusive com as finanças.
Com Informações de: Campo Grande News
Imagem: 4 PM Production / Shutterstock.com

