Com o avanço dos tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2, o mercado farmacêutico tem ampliado suas opções de medicamentos injetáveis. Três nomes se destacam atualmente: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Diferenças entre liraglutida, Ozempic e Mounjaro: como cada caneta age no corpo
Compare como agem liraglutida, semaglutida e tirzepatida no corpo e qual oferece melhores resultados para emagrecer.
Apesar de pertencerem a uma mesma classe terapêutica, cada uma dessas substâncias possui características únicas quanto à forma de ação, frequência de uso e efeitos no organismo.
Leia mais: Versão nacional do Ozempic chega com preço mais acessível
Liraglutida: agora com produção nacional

A liraglutida, conhecida anteriormente pelas marcas Victoza e Saxenda, passa a ser fabricada também no Brasil, por meio do laboratório EMS. A substância é um análogo do GLP-1, hormônio produzido pelo intestino que aumenta a produção de insulina após as refeições, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade.
Esses efeitos combinados ajudam tanto no controle glicêmico quanto na perda de peso. Os resultados costumam variar entre 5% a 10% de redução do peso corporal com o uso contínuo da liraglutida.
No mercado nacional, ela é encontrada sob os nomes Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), com preços entre R$ 307 e R$ 760, o que representa um custo abaixo de concorrentes estrangeiros.
Semaglutida: o princípio ativo do Ozempic
A semaglutida é outro análogo do GLP-1, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk. Comparada à liraglutida, a semaglutida tem efeito mais duradouro e uma potência maior na perda de peso, atingindo resultados médios de até 15% de redução corporal.
A substância também atua promovendo saciedade e melhorando o controle do apetite, mas seu grande diferencial está na frequência de aplicação semanal, o que facilita a adesão ao tratamento.
Mounjaro e a tirzepatida: dupla ação no organismo
O mais recente entre os três compostos é a tirzepatida, presente no medicamento Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly. Diferente das anteriores, ela atua simultaneamente em dois hormônios: o GLP-1 e o GIP, ambos reguladores da saciedade e da produção de insulina.
Essa ação dupla tem mostrado um desempenho superior: a perda de peso pode chegar a 20% ou mais, superando os efeitos da semaglutida e da liraglutida. Assim como a semaglutida, a tirzepatida também é administrada uma vez por semana.
Frequência de uso e absorção cerebral
As diferenças entre os medicamentos também se evidenciam no tempo de ação. Por ter vida mais curta, a liraglutida exige aplicações diárias, enquanto a semaglutida e a tirzepatida, com maior estabilidade no organismo, são administradas semanalmente.
No cérebro, todos os medicamentos atuam em áreas relacionadas à fome e saciedade, principalmente no hipotálamo. No entanto, estudos sugerem que semaglutida e tirzepatida atravessam com mais eficiência a barreira hematoencefálica, o que amplia sua eficácia ao ativar os receptores ligados ao apetite.
Uso complementar e efeito individual
Apesar dos resultados positivos, os médicos reforçam que essas medicações são tratamentos adjuvantes, ou seja, devem ser usadas em conjunto com uma alimentação balanceada e prática de exercícios físicos.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Além disso, o efeito das substâncias varia conforme o paciente. Alguns respondem melhor à liraglutida do que aos compostos mais potentes, como a semaglutida ou tirzepatida. Essa variação individual torna importante a presença de acompanhamento médico durante o tratamento.
Concorrência pode reduzir preços

A entrada da EMS no mercado nacional com a produção da liraglutida deve estimular a concorrência entre laboratórios.
Com mais opções disponíveis nas farmácias, há expectativa de que os valores das canetas — hoje ainda considerados altos — sejam reduzidos com o tempo.
Prescrição obrigatória e regulação da Anvisa
Desde junho, a venda das chamadas “canetas emagrecedoras” passou a exigir prescrição médica com retenção de receita, conforme decisão da Anvisa. A medida foi adotada após a popularização desses medicamentos nas redes sociais, com uso voltado unicamente ao emagrecimento estético, muitas vezes sem supervisão médica.
A orientação oficial continua sendo o uso restrito a pacientes com indicação clínica, especialmente pessoas com diabetes tipo 2, obesidade ou risco cardiovascular.
Com informações de: Viva Bem – Uol
