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“Eles não ganharão nada”: CEO do iFood revela plano para a herança dos filhos

CEO do iFood explica por que pretende priorizar educação e valores aos filhos em vez de uma herança financeira direta.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
“Eles não ganharão nada”: CEO do iFood revela plano para a herança dos filhos

A decisão de grandes empresários sobre o destino do próprio patrimônio costuma gerar discussões sobre dinheiro, educação e responsabilidade familiar. Um dos casos que chamou atenção no cenário empresarial brasileiro foi o posicionamento de Diogo Barreto, CEO do iFood, ao afirmar que não pretende deixar uma herança financeira tradicional para seus três filhos.

A escolha, apresentada durante um evento voltado ao mercado de investimentos em São Paulo, revela uma visão de longo prazo sobre criação dos filhos e construção de legado. Segundo Barreto, a maior contribuição que os pais podem oferecer não está necessariamente concentrada em valores acumulados, mas no preparo dos filhos para conquistarem autonomia e desenvolverem suas próprias trajetórias.

O executivo, que está à frente de uma das empresas de tecnologia mais conhecidas do Brasil, defende que uma grande transferência de patrimônio poderia criar expectativas ou reduzir a motivação dos herdeiros para buscar seus próprios objetivos. Por isso, ele e a esposa optaram por priorizar formação, princípios pessoais e independência.

A decisão também abre espaço para um debate mais amplo entre empresários, investidores e famílias brasileiras sobre o papel da herança e o significado de deixar um legado.

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Imagem: Freepik e Canva

A escolha de priorizar educação em vez de patrimônio

Para Diogo Barreto, a principal herança que os filhos devem receber é uma base sólida de conhecimento, caráter e capacidade de enfrentar desafios. A ideia é que eles tenham acesso a boas oportunidades educacionais, mas sem a garantia de uma grande fortuna disponível no futuro.

Essa visão acompanha uma tendência observada entre alguns empreendedores de diferentes países, que defendem que filhos de famílias muito ricas também precisam desenvolver habilidades próprias de planejamento, trabalho e responsabilidade financeira.

Na prática, a proposta não significa ausência de apoio familiar. O objetivo é oferecer ferramentas para que os filhos tenham condições de construir suas próprias conquistas, sem depender exclusivamente do patrimônio acumulado pelos pais.

O impacto da herança na formação dos filhos

A relação entre grandes fortunas e desenvolvimento pessoal dos herdeiros é um tema frequentemente debatido no mundo dos negócios. Enquanto algumas famílias utilizam o patrimônio como uma forma de garantir segurança para as próximas gerações, outras defendem que recursos excessivos podem diminuir a percepção de esforço e conquista.

Especialistas em educação financeira familiar costumam destacar que o problema não está necessariamente no dinheiro recebido, mas na forma como ele é administrado e na preparação dos beneficiários para lidar com grandes quantias.

Uma herança sem orientação pode gerar dificuldades de gestão, conflitos familiares e falta de propósito. Por outro lado, uma transmissão patrimonial acompanhada de educação financeira pode se transformar em uma ferramenta de desenvolvimento.

No caso de Barreto, a escolha segue uma filosofia baseada na ideia de que os filhos devem experimentar desafios, tomar decisões próprias e desenvolver autonomia antes de receber qualquer grande responsabilidade financeira.

O conceito de legado além do dinheiro

A decisão do executivo reacendeu uma discussão sobre o verdadeiro significado de deixar um legado. Para muitas famílias, patrimônio é apenas uma parte daquilo que permanece após uma geração.

Valores como ética, disciplina, capacidade de adaptação e educação são apontados por especialistas como elementos fundamentais para a formação de indivíduos preparados para o futuro.

O conceito de legado também envolve experiências compartilhadas, exemplos pessoais e ensinamentos transmitidos ao longo da vida. Nesse sentido, muitos empresários defendem que uma boa preparação dos filhos pode ser mais valiosa do que simplesmente entregar recursos financeiros.

Empresários que escolhem doar patrimônio em vida

Outro ponto destacado por Barreto é a intenção de destinar grande parte do patrimônio ainda durante sua vida, em vez de concentrar uma transferência financeira apenas após sua morte.

A prática de realizar doações em vida é utilizada por algumas famílias com grandes patrimônios como forma de direcionar recursos para projetos sociais, investimentos de impacto ou outras iniciativas alinhadas aos seus valores.

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No Brasil, decisões desse tipo precisam considerar aspectos legais, como regras de sucessão, impostos e direitos dos herdeiros previstos no Código Civil. O planejamento patrimonial costuma envolver profissionais especializados, como advogados e consultores financeiros.

Como a decisão influencia o debate sobre riqueza familiar

A declaração de Diogo Barreto ganhou repercussão justamente por contrariar uma visão tradicional de que acumular patrimônio necessariamente significa garantir uma grande herança para os descendentes.

O caso mostra uma mudança de perspectiva entre alguns empresários, que passaram a discutir não apenas quanto dinheiro será deixado, mas quais habilidades e valores serão transmitidos.

Para essas famílias, o objetivo é criar adultos preparados para administrar oportunidades, enfrentar dificuldades e construir resultados próprios.

Educação financeira como principal ferramenta para os filhos

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Imagem: Reprodução – Seu Crédito Digital

Mesmo famílias sem grandes patrimônios podem aplicar parte dessa filosofia. Ensinar crianças e adolescentes a compreenderem dinheiro, planejamento e responsabilidade pode ser uma das formas mais importantes de preparação para a vida adulta.

Algumas práticas recomendadas por especialistas incluem:

  • ensinar a diferença entre desejo e necessidade;
  • incentivar o planejamento de gastos;
  • mostrar como funcionam investimentos e reservas financeiras;
  • estimular responsabilidade nas decisões;
  • permitir que os filhos aprendam com pequenas escolhas.

A educação financeira não depende do tamanho da renda familiar. Ela está relacionada ao desenvolvimento de hábitos e conhecimentos que ajudam no futuro.

Foto: Lucas Tavares / Agência O GLOBO

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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