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Divergência de votos no julgamento de Bolsonaro: veja o que muda

STF inicia votação sobre Bolsonaro; divergências podem definir penas e abertura de recurso no caso do golpe de 2022.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (9) o julgamento que pode definir a condenação ou absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O caso é acompanhado com atenção nacional e internacional, dado o impacto político e institucional de suas decisões. O julgamento ocorre na Primeira Turma, formada por cinco ministros, e envolve crimes graves, como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Leia mais: Moraes no STF: “instituições mostraram sua força”

Como funciona a votação

Ministro Alexandre de Moraes em entrevista coletiva rodeado por microfones de emissoras
Imagem: Rogerio Cavalheiro / shutterstock.com

A votação se inicia com o relator Alexandre de Moraes, que apresentará seu parecer detalhado sobre cada réu. Segundo apuração da CNN, o voto de Moraes deve durar cerca de três horas.

O relator define, para cada réu:

  • Condenação ou absolvição;
  • Quais crimes se aplicam;
  • Penas sugeridas para cada delito.

Após o voto de Moraes, os outros ministros podem:

  1. Acompanhar integralmente, concordando com todas as definições;
  2. Abrir divergência, decidindo, por exemplo, absolver o réu de alguns crimes ou propor penas diferentes.

Se a divergência for no sentido da absolvição parcial ou total, prevalece a maioria dos votos. Ou seja:

  • Se três ministros votarem pela condenação e dois pela absolvição, o réu será condenado;
  • Se três ou mais votarem pela absolvição, o réu é absolvido.

Além disso, é possível que um ministro condene o réu por parte dos crimes imputados e o absolva de outros, criando cenários de decisões parciais e complexas.

Réus do processo

Além de Jair Bolsonaro, integram o grupo os seguintes réus:

  • Alexandre Ramagem – ex-diretor-geral da Abin e deputado;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e Defesa.

Todos respondem por crimes relacionados a tentativa de golpe de Estado e ameaça ao Estado Democrático de Direito. Alexandre Ramagem é o único com algumas acusações suspensas, conforme decisão da Câmara dos Deputados.

Possíveis cenários de divergência

Especialistas apontam que é provável haver unanimidade na condenação de Bolsonaro, mas divergências podem surgir na definição da pena aplicada.

  • O relator, Alexandre de Moraes, tende a sugerir punições mais severas;
  • Ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia provavelmente seguirão o relator;
  • Luiz Fux e Cristiano Zanin podem propor penas mais brandas.

Fux tem sinalizado que os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito não devem se somar, mas se sobrepor, seguindo o princípio da consunção. Nesse caso, um crime é considerado meio para a prática de outro e, portanto, absorvido, resultando em pena única para ambos.

Se houver divergência nas penas:

  • Prevalece a maioria de três votos;
  • Caso todos proponham penas diferentes, os ministros podem decidir por média das condenações ou pela pena mais favorável ao réu, conforme o artigo 615 do Código de Processo Penal.

A professora de Direito Penal e Processo Penal da FGV, Luísa Ferreira, explica:

“Acredito que não haja precedente sobre isso e os ministros terão que decidir no julgamento. Ou a pena mais favorável entre todas, ou escolher a pena média, mas acho esta opção mais difícil diante do artigo 615 do Código de Processo Penal, que define a mais favorável.”

Embargos infringentes e recursos

Mesmo que Bolsonaro seja condenado, não haverá prisão imediata, pois ainda cabem recursos.

Um recurso relevante é o embargo infringente, que pode ser solicitado caso haja duas ou mais divergências entre os ministros. Nesse caso, o tribunal pode levar o julgamento para o plenário da Corte, permitindo nova apreciação de trechos divergentes do caso.

Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional da UFF, esclarece:

“Se houver duas divergências, nós teremos o que se chama de divergência qualificada. Nesse caso, poderemos ter a oposição de um recurso chamado embargos infringentes, pedindo uma nova apreciação em relação àquele trecho divergente”

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Esse mecanismo aumenta a complexidade do julgamento e mantém aberta a possibilidade de alteração de decisões em instâncias superiores.

Impactos jurídicos e políticos

Bolsonaro
Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

O julgamento de Bolsonaro e do núcleo do golpe de 2022 é decisivo para o cenário político e institucional do Brasil:

  • Condenação: pode restringir direitos políticos e eleitorais;
  • Absolvição parcial ou total: levanta debates sobre interpretação jurídica de crimes graves;
  • Definição da pena: influencia na percepção pública sobre rigor ou leniência do STF;
  • Repercussão internacional: decisões sobre estabilidade democrática brasileira atraem atenção global.

O caso reforça a importância do STF como guardião do Estado Democrático de Direito, evidenciando o papel da Corte em momentos de crise política.

Como acompanhar o julgamento

O julgamento está sendo transmitido e comentado por múltiplos canais:

  • TV aberta e por assinatura: cobertura ao vivo em canais de notícias;
  • Sites e aplicativos: atualização em tempo real sobre votos e resultados parciais;
  • Redes sociais: análises de especialistas e transmissões ao vivo;
  • Site oficial do STF: disponibiliza atas, votos e documentos oficiais.

Acompanhar as sessões é fundamental para entender o impacto das divergências e as interpretações jurídicas adotadas por cada ministro.

Considerações finais

A possibilidade de divergências no julgamento de Bolsonaro mostra a complexidade do processo e a necessidade de análise detalhada de cada crime, réu e pena.

  • A decisão final dependerá da maioria dos votos;
  • As penas podem variar ou ser ajustadas conforme o entendimento de cada ministro;
  • Recursos como embargos infringentes mantêm o caso em aberto, mesmo após a conclusão da Primeira Turma.

O julgamento é um momento histórico para a política e a Justiça brasileira, e cada voto terá repercussão significativa na condução do Estado Democrático de Direito.

Com informações de: CNN Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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