O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (2) o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, acusados de tentativa de golpe de Estado em 2022.
Moraes no julgamento de Bolsonaro no STF: “instituições mostraram sua força”
No julgamento de Bolsonaro, Alexandre de Moraes afirmou que “impunidade não é opção” e destacou força das instituições.
A sessão, presidida por Cristiano Zanin, marcou o início de um processo considerado histórico para a democracia brasileira. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi o primeiro a apresentar seu relatório, reforçando que a “impunidade não é opção para a pacificação” e que “as instituições mostraram sua força e resiliência” diante das ameaças à ordem constitucional.
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Um julgamento inédito na história republicana

Segundo a PGR, Bolsonaro teria atuado como “principal articulador, maior beneficiário e autor” das ações que visavam romper o Estado Democrático de Direito, em uma tentativa de se manter no poder mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
Além de Bolsonaro, também estão no banco dos réus ex-ministros e militares de alto escalão, como Anderson Torres, Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier, Alexandre Ramagem e Mauro Cid, integrantes do chamado “núcleo 1” da trama golpista.
“O país lamenta mais uma tentativa de golpe”
Durante quase uma hora e meia de exposição, Moraes destacou que o Brasil chegou ao julgamento com uma democracia fortalecida, apesar das ameaças.
“O país e sua Suprema Corte só têm a lamentar que, mais uma vez na história republicana brasileira, se tenha tentado um golpe de Estado atentando contra as instituições e contra a democracia, pretendendo-se uma ditadura”, afirmou.
Em seguida, reforçou que a soberania nacional não pode ser negociada e que a pacificação só ocorrerá mediante respeito à Constituição:
“A pacificação do país, que é o desejo de todos nós, depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade.”
Impunidade e memória histórica
Moraes lembrou que a história brasileira ensina que “a impunidade, a omissão e a covardia não são opções”, apontando que momentos anteriores do país mostraram como a falta de responsabilização deixa “cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia”.
O relator foi categórico ao afirmar que a Justiça não se curvará a pressões, sejam internas ou externas.
“Essa coação, essa tentativa de obstrução, não afetarão a imparcialidade e a independência dos juízes desse Supremo Tribunal Federal”, ressaltou.
Eduardo Bolsonaro e as pressões externas
O ministro ainda fez referência a uma ação envolvendo o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para pressionar e retaliar ministros do STF.
Moraes revelou que determinou abertura de inquérito contra Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução da Justiça. Vale lembrar que o próprio Moraes foi sancionado pelo governo norte-americano com base na Lei Magnitsky, ferramenta usada contra estrangeiros acusados de violações.
Crimes atribuídos a Bolsonaro e aliados
A denúncia da PGR lista crimes graves contra Bolsonaro e os demais réus:
- Organização criminosa armada: estrutural, hierárquica, com uso de armas e divisão de tarefas;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: tentativa de impedir o funcionamento dos poderes constitucionais;
- Golpe de Estado: tentativa de depor governo legitimamente eleito;
- Dano qualificado contra patrimônio da União: destruição ou deterioração de bens públicos;
- Deterioração de patrimônio tombado: ataque a bens protegidos por lei ou decisão judicial.
As penas máximas podem somar até 43 anos de prisão para o ex-presidente.
Ordem dos votos e composição da Primeira Turma
A decisão caberá à Primeira Turma do STF, formada pelos ministros:
- Alexandre de Moraes (relator)
- Flávio Dino
- Luiz Fux
- Cármen Lúcia
- Cristiano Zanin (presidente do colegiado)
A votação segue a ordem acima, e a condenação ou absolvição será definida por maioria simples, ou seja, pelo menos três votos favoráveis.
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Datas e horários das sessões
O julgamento será realizado em cinco sessões, entre os dias 2 e 12 de setembro:
- 2 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
- 3 de setembro – 9h às 12h
- 9 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
- 10 de setembro – 9h às 12h
- 12 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
As sessões são transmitidas em tempo real pelo g1 e pela TV Justiça, reforçando a transparência do processo.
Consequências da decisão

Se condenados, Bolsonaro e os demais réus poderão enfrentar não apenas penas de prisão, mas também sanções adicionais, como:
- perda de cargos e funções públicas;
- indenização por danos morais coletivos;
- pagamento de valores devidos por prejuízos causados;
- inelegibilidade, caso a pena seja superior a quatro anos.
Em caso de absolvição, o processo será arquivado sem aplicação de sanções.
O que está em jogo para a democracia brasileira
Este julgamento não é apenas sobre Bolsonaro e seus aliados, mas sobre os limites da democracia e do Estado de Direito no Brasil.
Para especialistas, o processo representa um marco de reafirmação institucional. Ao mesmo tempo, reacende debates sobre polarização política e estabilidade democrática em um país ainda marcado pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas radicais invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Com informações de: g1
