O mercado financeiro brasileiro amanheceu nesta quinta-feira (17) em tom de cautela, refletindo uma combinação de fatores internos e externos que mexeram com os ânimos dos investidores. O dólar disparou, chegando a R$ 5,59 nas primeiras horas do dia, enquanto o Ibovespa abriu em queda de 0,26%, interrompendo uma leve recuperação observada na véspera.
Dólar dispara para R$ 5,59 e Bolsa fecha em queda após retorno do IOF e tensão externa
Dólar sobe para R$ 5,59 e Bolsa cai com IOF restabelecido pelo STF e tensões comerciais com EUA. Entenda.
A alta da moeda americana e o recuo da Bolsa são impulsionados principalmente pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que restabeleceu quase integralmente as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) definidas pelo governo, além da escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
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Cotação do dólar e desempenho do Ibovespa

Às 10h29, o dólar comercial avançava 0,55%, cotado a R$ 5,592. Durante a abertura, chegou a ser vendido por R$ 5,609. O dólar turismo também registrava alta de 0,7%, sendo negociado a R$ 5,813.
Na sessão anterior, a moeda americana havia encerrado praticamente estável, com leve alta de 0,06%, a R$ 5,561, influenciada por rumores sobre mudanças na presidência do Federal Reserve (Fed) e na condução da política monetária americana.
O Ibovespa, por sua vez, recuava aos 135.158,97 pontos às 10h19, depois de ter quebrado uma sequência de sete quedas consecutivas no pregão anterior.
IOF volta ao centro do debate
Um dos fatores que pesou sobre os mercados foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a retomada da cobrança do IOF com as alíquotas mais altas previstas pelo governo. A medida foi considerada uma vitória para o Planalto, embora Moraes tenha acolhido parcialmente os argumentos do Congresso ao suspender a tributação sobre operações de “risco sacado”.
O tema ainda será julgado pelo plenário da Corte, mas a decisão já repercute negativamente entre investidores, que veem a volta do IOF como um fator de encarecimento do crédito e de desestímulo a operações financeiras no curto prazo.
Tensões comerciais com os EUA seguem no radar
Outro fator que aumentou a aversão ao risco foi a expectativa em torno das tarifas de 50% que os Estados Unidos prometem aplicar sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, intensificou as reuniões com representantes do agronegócio e da indústria para buscar alternativas e evitar uma escalada do conflito comercial.
As câmaras de comércio Brasil-EUA e EUA-Brasil também pressionam por negociações diplomáticas, na tentativa de encontrar uma solução negociada que não prejudique os setores produtivos.
Política americana influencia mercados
Além das preocupações domésticas, os mercados monitoram os sinais da política monetária nos Estados Unidos. Os investidores aguardam a divulgação de dados como vendas no varejo, preços de importados e pedidos de auxílio-desemprego, que podem dar pistas sobre os próximos passos do Fed em relação à taxa de juros.
Rumores sobre mudanças na presidência do Fed também têm gerado volatilidade nos mercados cambial e acionário, influenciando diretamente o comportamento do dólar frente ao real.
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Panorama político interno também pesa

No plano interno, o cenário político segue no radar dos agentes financeiros. Pesquisas recentes indicam crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o início das tensões comerciais com os EUA.
Levantamento da Genial/Quaest mostrou Lula liderando as intenções de voto para as eleições de 2026, superando possíveis adversários como Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro em um eventual segundo turno, e empatando tecnicamente com Tarcísio de Freitas.
Expectativas para os próximos dias
Para os analistas, o comportamento do mercado nos próximos dias dependerá de novos desdobramentos tanto da política monetária americana quanto das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
No curto prazo, o dólar tende a permanecer pressionado, enquanto o Ibovespa deve registrar volatilidade diante da incerteza fiscal, da manutenção do IOF e do ambiente externo menos favorável.
Como o investidor pode se proteger
Em momentos de incerteza como este, especialistas recomendam que investidores avaliem o nível de risco de suas carteiras e priorizem a diversificação dos ativos. Manter uma parte do patrimônio em dólares ou ativos atrelados à moeda americana pode ser uma estratégia para proteger o poder de compra. Já para quem investe em ações, vale analisar os setores menos impactados por oscilações cambiais ou por políticas de crédito.
