Dólar e mercado financeiro brasileiro iniciaram esta quinta-feira (7) com volatilidade no câmbio e alta na bolsa de valores, em meio ao impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros começou a valer ontem e já afeta o comportamento dos investidores.
Dólar cai na abertura do mercado diante de negociações Brasil-EUA
Dólar cai na abertura do mercado com avanço nas negociações comerciais entre Brasil e EUA, trazendo otimismo ao câmbio e investidores.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou entrar em contato direto com o presidente norte-americano Donald Trump e afirmou que pretende tratar a crise no âmbito do BRICS.
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Como está o dólar nesta quinta-feira (7)?

O dólar operava em leve alta por volta das 12h10, com valorização de 0,20%, sendo negociado a R$ 5,4742. Na véspera, a moeda norte-americana havia fechado em queda de 0,78%, cotada a R$ 5,4631.
Acumulado do dólar:
- Semana: -1,47%
- Mês: -2,46%
- Ano: -11,60%
A movimentação cambial ocorre diante da expectativa de que o governo brasileiro anuncie um plano de contingência frente à medida de Trump. Além disso, os agentes financeiros acompanham a atuação do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), após o país formalizar uma queixa contra os EUA.
Bolsa sobe com cenário externo e balanços
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, subia 1,34%, aos 136.338 pontos no mesmo horário. O avanço reflete tanto fatores internos quanto externos, como a divulgação dos resultados trimestrais de grandes empresas e a redução dos juros no Reino Unido.
Acumulado do Ibovespa:
- Semana: +1,59%
- Mês: +1,10%
- Ano: +11,85%
Tarifaço de Trump entra em vigor e eleva tensão comercial
À meia-noite (horário da costa leste dos EUA), entraram em vigor as novas tarifas comerciais da Casa Branca. A sobretaxa atinge produtos de mais de 90 países, incluindo os exportados pelo Brasil.
Segundo a agência Reuters, o imposto médio de importação dos Estados Unidos atinge agora o nível mais alto em cem anos, ampliando o risco de uma guerra comercial com diversos parceiros internacionais.
Brasil recorre à OMC e Lula fala em apoio do BRICS

O Ministério das Relações Exteriores acionou a OMC contra a nova política tarifária norte-americana. Em nota, o Itamaraty afirmou que os EUA estão violando compromissos multilaterais, como o princípio da nação mais favorecida.
O presidente Lula reforçou a posição brasileira em entrevista à Reuters, dizendo que não pretende ligar para Donald Trump e não vai se “humilhar”. Segundo ele, a intenção é negociar com aliados do BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Impacto global: mercados reagem às tarifas
Europa em alta com corte de juros no Reino Unido
Na Europa, os mercados operavam em alta após o Banco da Inglaterra (BoE) anunciar um corte na taxa de juros de 4,25% para 4%. A votação apertada refletiu as incertezas inflacionárias, mas gerou otimismo entre os investidores.
A decisão marca uma possível inflexão na política monetária britânica, que agora pode entrar em um ciclo de cortes mais lentos e pontuais.
Ásia fecha em alta com dados da China
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Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta. Na China, as bolsas subiram pelo quarto dia consecutivo, alcançando o maior patamar em três anos e meio. O movimento foi impulsionado por dados positivos de exportações, mesmo com a ameaça de Trump de aplicar tarifas de 100% sobre chips e semicondutores.
Expectativa por acordo até 12 de agosto
A trégua tarifária entre Estados Unidos e China termina em 12 de agosto, data que pode definir os próximos passos na escalada das tensões comerciais. O mercado global segue atento a possíveis recuos ou retaliações.
IGP-DI recua em julho e mostra desaceleração da inflação

Além do cenário internacional, o mercado monitora os dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que caiu 0,07% em julho, após recuar 1,80% em junho.
Principais dados do IGP-DI:
- Acumulado no ano: -1,82%
- Acumulado em 12 meses: +2,91%
Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, a desaceleração está ligada à queda nos preços das matérias-primas, como soja e minério de ferro, e aos reajustes tarifários no setor de energia elétrica e jogos lotéricos.
O que esperar dos próximos dias?
Com a instabilidade internacional causada pelo tarifaço de Trump e a reação do Brasil, o cenário para os ativos de risco tende a continuar volátil. A expectativa é de que o governo brasileiro apresente medidas de apoio à indústria nacional e fortaleça alianças comerciais com países emergentes.
Além disso, os mercados esperam os próximos passos da diplomacia brasileira na OMC e o desdobramento da postura do BRICS frente às ações unilaterais dos Estados Unidos.
