O dólar operava em leve alta na manhã de terça-feira, próximo da estabilidade, com os investidores atentos à retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado.
Às 9h23, a moeda norte-americana à vista registrava alta de 0,26%, sendo negociada a R$ 5,4320 na venda. No mercado futuro da B3, o contrato de primeiro vencimento avançava 0,11%, cotado a R$ 5,4575.
A retomada do julgamento começou com o voto do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e a expectativa é que haja um desfecho até sexta-feira desta semana.
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Mercado atento a possíveis impactos externos

Mais do que a decisão em si, o mercado teme repercussões internacionais, especialmente de medidas econômicas dos Estados Unidos.
Anteriormente, o então presidente norte-americano Donald Trump estabeleceu tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, citando o julgamento de Bolsonaro como um dos motivos. Esse histórico reforça a cautela dos investidores quanto a novas políticas externas que possam afetar o câmbio.
Na segunda-feira, o comportamento do mercado refletiu essa prudência, com agentes evitando alterar posições em câmbio e juros futuros antes da retomada do julgamento no STF.
Cenário internacional influencia o dólar
No exterior, os dados mais recentes do mercado de trabalho dos EUA, divulgados na semana passada, continuam impactando as operações. Os investidores estão 100% posicionados para o início do ciclo de cortes de juros do Federal Reserve, previsto para a próxima semana.
Nesta terça-feira, após recuos recentes, os rendimentos dos Treasuries sobem, enquanto o dólar apresenta sinais mistos frente às principais moedas:
- Cai ante o iene;
- Sobe ante o euro;
- Recua ante a libra.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a seis divisas fortes, registrava alta de 0,13%, aos 97,520 pontos.
Resiliência do dólar frente ao real
O dólar à vista encerrou a segunda-feira com leve alta de 0,07%, cotado a R$ 5,4179. Segundo relatório da Wagner Investimentos, o diretor José Faria Júnior avaliou que a região de R$ 5,40 se mantém resistente:
“O modelo aponta chance de queda em direção a R$ 5,30. Por outro lado, os níveis mais fortes de resistência da alta são R$ 5,54 e R$ 5,62.”
Essa faixa de resistência indica que, embora o dólar oscile, os níveis atuais refletem equilíbrio entre compradores e vendedores, mantendo a moeda relativamente estável frente ao real.
Intervenção do Banco Central
O Banco Central (BC) anunciou que realizará, às 11h30 desta terça-feira, um leilão de até 40.000 contratos de swap cambial tradicional. O objetivo é a rolagem do vencimento de 1º de outubro de 2025, operação que contribui para gerenciar a liquidez e controlar a volatilidade no mercado de câmbio.
Essa medida demonstra a atuação preventiva do BC para manter o equilíbrio do dólar, especialmente em momentos de instabilidade política e incerteza sobre relações internacionais.
Expectativas para o restante da semana
O comportamento do dólar nos próximos dias será influenciado por dois fatores principais:
- Desfecho do julgamento de Bolsonaro no STF – qualquer decisão que afete o cenário político interno pode gerar volatilidade cambial;
- Dados econômicos internacionais – especialmente nos EUA, onde decisões do Federal Reserve sobre juros impactam diretamente o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil.
Analistas recomendam cautela e acompanhamento diário das variações do dólar, visto que eventos políticos e decisões econômicas externas podem provocar oscilações rápidas.
Como o julgamento de Bolsonaro afeta o mercado
O julgamento de Bolsonaro é observado de perto pelo mercado, não apenas pelo resultado, mas também por possíveis repercussões internacionais. Especialistas apontam que decisões políticas e jurídicas têm influência direta sobre:
- Confiança de investidores estrangeiros;
- Relações comerciais e tarifas internacionais;
- Oscilações do dólar e demais moedas;
- Comportamento de mercados futuros e de ações no Brasil.
O histórico das tarifas aplicadas por Trump evidencia que questões políticas internas podem gerar impactos econômicos externos, aumentando a atenção sobre o julgamento no STF.
Conclusão

O dólar opera próximo da estabilidade nesta terça-feira, mas o cenário é marcado por cautela dos investidores. A retomada do julgamento de Bolsonaro, aliada às expectativas sobre o Federal Reserve e à atuação do Banco Central, define o ritmo das transações cambiais.
Enquanto isso, o mercado acompanha:
- Resistência do dólar na faixa de R$ 5,40;
- Possíveis efeitos de tarifas internacionais;
- Sinais mistos da moeda no exterior;
- Medidas preventivas do BC para reduzir volatilidade.
Especialistas reforçam que, apesar da estabilidade momentânea, a atenção deve se manter alta, pois eventos políticos e econômicos podem alterar rapidamente o panorama cambial no Brasil.
Com informações de Reuters via Terra
