O dólar iniciou esta quinta-feira (24) com comportamento volátil, refletindo a intensificação das tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros econômicos. Por volta das 10h15, a moeda americana registrava leve alta de 0,09%, sendo cotada a R$ 5,5271. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,88%, aos 134.182 pontos.
Volatilidade do dólar: mercados reagem a expectativa de corte de juros pelo BCE e negociações EUA-UE
Dólar sobe com tensões comerciais de Trump e expectativa pela decisão do BCE. Ibovespa recua e investidores monitoram cenário internacional e fiscal.
A movimentação do mercado reflete o nervosismo com a postura agressiva do presidente norte-americano, Donald Trump, nas negociações comerciais, além da expectativa em torno da decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE).
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União Europeia no centro do impasse
O destaque atual está no avanço das negociações com a União Europeia. Segundo diplomatas ouvidos pelo Financial Times, os dois lados caminham para um acordo que incluiria a imposição de uma tarifa de 15% sobre produtos europeus exportados aos EUA.
Caso concretizado, esse será o quarto acordo comercial firmado pelos EUA nos últimos dias. Anteriormente, tratados com o Japão e as Filipinas foram anunciados.
Japão e Filipinas firmam novos termos
Com o Japão, Trump celebrou o “maior acordo da história”, que prevê a abertura de mercados e a aplicação de uma tarifa de 15% sobre produtos nipônicos. Já com as Filipinas, o tratado reduziu a taxa anteriormente estipulada de 20% para 19%, isentando os EUA de qualquer contrapartida tarifária.
Trump comemorou o avanço com os filipinos em publicação no Truth Social, exaltando o presidente local como “altamente respeitado” e um “negociador rigoroso”.
Brasil fora da mesa e críticas do Itamaraty
Enquanto os acordos avançam com outras economias, o Brasil segue de fora. Em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty classificou as tarifas norte-americanas como “arbitrárias” e “caóticas”. A crítica direta mostra a insatisfação com a ausência de diálogo.
Lula fala sobre ausência de canais diretos
Segundo informações do blog do jornalista Valdo Cruz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não há canais diretos com a Casa Branca. As conversas estão restritas ao plano diplomático e não chegam a Trump.
Decisão do BCE e dados econômicos no radar
Além da tensão geopolítica, o mercado também acompanha com atenção a decisão do Banco Central Europeu sobre os juros da zona do euro. A expectativa é de manutenção das taxas, após uma sequência de oito cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
Indicadores importantes do dia
Entre os indicadores econômicos relevantes:
- Índices da indústria e serviços na zona do euro e nos EUA
- Números do mercado de trabalho norte-americano
- Arrecadação tributária federal brasileira em junho
Esses dados ajudam a compor o cenário para as decisões futuras de política monetária, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.
Ibovespa sofre com cenário externo e doméstico
Enquanto o dólar se mostra instável, o Ibovespa reflete o aumento do risco internacional e a falta de progresso nas relações comerciais brasileiras.
Desempenho acumulado
- Dólar
- Semana: -1,17%
- Mês: +1,63%
- Ano: -10,64%
- Ibovespa
- Semana: +1,49%
- Mês: -2,51%
- Ano: +12,54%
Apesar da valorização acumulada no ano, o índice sofre com a insegurança sobre a política fiscal e o rumo da economia internacional.
EUA endurecem postura com Europa

As negociações entre EUA e UE têm um prazo simbólico: 1º de agosto. O tempo apertado aumenta a pressão dos dois lados para concluir um tratado. Nesta quinta, países europeus votaram a favor da aplicação de contratifas sobre produtos americanos — medida que pode atingir 93 bilhões de euros em exportações.
Esse movimento é uma resposta preventiva, caso o acordo com Trump não seja fechado. A aplicação das contratifas poderá ampliar ainda mais as tensões transatlânticas.
Trump desafia Powell e pressiona Fed
A tensão não se limita ao plano externo. Internamente, Donald Trump voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, acusando-o de manter os juros artificialmente altos. Para Trump, as taxas deveriam estar 3 pontos percentuais abaixo do atual patamar.
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Substituição em pauta
Apesar da pressão, o governo Trump ainda não se apressou em indicar um substituto para Powell, cujo mandato como presidente do Fed vai até 2026. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o processo será iniciado, mas não há pressa para concluir a troca.
Liberação de recursos e revisão orçamentária no Brasil
No plano doméstico, o governo brasileiro anunciou nesta semana a liberação de R$ 20,6 bilhões no Orçamento de 2025. A medida reduz o bloqueio orçamentário de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões.
Medidas que impactaram o ajuste
A decisão levou em conta medidas como:
- Aumento da alíquota sobre apostas online
- Tributação de fintechs
- Limitação de compensações tributárias
- Receita adicional de R$ 17,9 bilhões com exploração de recursos naturais
- Ampliação dos investimentos em educação via programa Pé-de-Meia
O governo estima um déficit primário de R$ 74,9 bilhões, mas a meta fiscal ainda poderá ser cumprida com os abatimentos permitidos no arcabouço fiscal.
Indicadores do setor imobiliário preocupam
No cenário norte-americano, as vendas de moradias usadas caíram 2,7% em junho, sinalizando um possível agravamento no setor imobiliário. As taxas de hipoteca elevadas e o clima de incerteza têm afastado os compradores.
Esses dados se somam ao conjunto de preocupações que pairam sobre a economia dos EUA e alimentam discussões sobre uma possível recessão técnica.
Gigantes de tecnologia também no radar

Na frente corporativa, os resultados trimestrais de empresas como Alphabet (Google) e Tesla são aguardados com expectativa. Esses balanços devem impactar os índices americanos e, por tabela, influenciar o comportamento dos mercados globais.
Conclusão: mercados globais pressionados por incertezas
O comportamento do dólar e do Ibovespa nesta quinta-feira reflete um quadro de incerteza crescente no cenário global. Com Trump reativando a guerra tarifária, o BCE em momento decisivo e o Brasil enfrentando dificuldades em sua política comercial, os investidores permanecem cautelosos.
A volatilidade deve continuar no curto prazo, enquanto o mercado espera definições mais claras sobre a política monetária internacional e o rumo das negociações comerciais.
