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Volatilidade do dólar: mercados reagem a expectativa de corte de juros pelo BCE e negociações EUA-UE

Dólar sobe com tensões comerciais de Trump e expectativa pela decisão do BCE. Ibovespa recua e investidores monitoram cenário internacional e fiscal.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Ibovespa

O dólar iniciou esta quinta-feira (24) com comportamento volátil, refletindo a intensificação das tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros econômicos. Por volta das 10h15, a moeda americana registrava leve alta de 0,09%, sendo cotada a R$ 5,5271. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,88%, aos 134.182 pontos.

A movimentação do mercado reflete o nervosismo com a postura agressiva do presidente norte-americano, Donald Trump, nas negociações comerciais, além da expectativa em torno da decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE).

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Dólar
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

União Europeia no centro do impasse

O destaque atual está no avanço das negociações com a União Europeia. Segundo diplomatas ouvidos pelo Financial Times, os dois lados caminham para um acordo que incluiria a imposição de uma tarifa de 15% sobre produtos europeus exportados aos EUA.

Caso concretizado, esse será o quarto acordo comercial firmado pelos EUA nos últimos dias. Anteriormente, tratados com o Japão e as Filipinas foram anunciados.

Japão e Filipinas firmam novos termos

Com o Japão, Trump celebrou o “maior acordo da história”, que prevê a abertura de mercados e a aplicação de uma tarifa de 15% sobre produtos nipônicos. Já com as Filipinas, o tratado reduziu a taxa anteriormente estipulada de 20% para 19%, isentando os EUA de qualquer contrapartida tarifária.

Trump comemorou o avanço com os filipinos em publicação no Truth Social, exaltando o presidente local como “altamente respeitado” e um “negociador rigoroso”.

Brasil fora da mesa e críticas do Itamaraty

Enquanto os acordos avançam com outras economias, o Brasil segue de fora. Em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty classificou as tarifas norte-americanas como “arbitrárias” e “caóticas”. A crítica direta mostra a insatisfação com a ausência de diálogo.

Lula fala sobre ausência de canais diretos

Segundo informações do blog do jornalista Valdo Cruz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não há canais diretos com a Casa Branca. As conversas estão restritas ao plano diplomático e não chegam a Trump.

Decisão do BCE e dados econômicos no radar

Além da tensão geopolítica, o mercado também acompanha com atenção a decisão do Banco Central Europeu sobre os juros da zona do euro. A expectativa é de manutenção das taxas, após uma sequência de oito cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

Indicadores importantes do dia

Entre os indicadores econômicos relevantes:

  • Índices da indústria e serviços na zona do euro e nos EUA
  • Números do mercado de trabalho norte-americano
  • Arrecadação tributária federal brasileira em junho

Esses dados ajudam a compor o cenário para as decisões futuras de política monetária, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

Ibovespa sofre com cenário externo e doméstico

Enquanto o dólar se mostra instável, o Ibovespa reflete o aumento do risco internacional e a falta de progresso nas relações comerciais brasileiras.

Desempenho acumulado

  • Dólar
    • Semana: -1,17%
    • Mês: +1,63%
    • Ano: -10,64%
  • Ibovespa
    • Semana: +1,49%
    • Mês: -2,51%
    • Ano: +12,54%

Apesar da valorização acumulada no ano, o índice sofre com a insegurança sobre a política fiscal e o rumo da economia internacional.

EUA endurecem postura com Europa

Dólar
Imagem: Freepik

As negociações entre EUA e UE têm um prazo simbólico: 1º de agosto. O tempo apertado aumenta a pressão dos dois lados para concluir um tratado. Nesta quinta, países europeus votaram a favor da aplicação de contratifas sobre produtos americanos — medida que pode atingir 93 bilhões de euros em exportações.

Esse movimento é uma resposta preventiva, caso o acordo com Trump não seja fechado. A aplicação das contratifas poderá ampliar ainda mais as tensões transatlânticas.

Trump desafia Powell e pressiona Fed

A tensão não se limita ao plano externo. Internamente, Donald Trump voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, acusando-o de manter os juros artificialmente altos. Para Trump, as taxas deveriam estar 3 pontos percentuais abaixo do atual patamar.

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Substituição em pauta

Apesar da pressão, o governo Trump ainda não se apressou em indicar um substituto para Powell, cujo mandato como presidente do Fed vai até 2026. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o processo será iniciado, mas não há pressa para concluir a troca.

Liberação de recursos e revisão orçamentária no Brasil

No plano doméstico, o governo brasileiro anunciou nesta semana a liberação de R$ 20,6 bilhões no Orçamento de 2025. A medida reduz o bloqueio orçamentário de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões.

Medidas que impactaram o ajuste

A decisão levou em conta medidas como:

  • Aumento da alíquota sobre apostas online
  • Tributação de fintechs
  • Limitação de compensações tributárias
  • Receita adicional de R$ 17,9 bilhões com exploração de recursos naturais
  • Ampliação dos investimentos em educação via programa Pé-de-Meia

O governo estima um déficit primário de R$ 74,9 bilhões, mas a meta fiscal ainda poderá ser cumprida com os abatimentos permitidos no arcabouço fiscal.

Indicadores do setor imobiliário preocupam

No cenário norte-americano, as vendas de moradias usadas caíram 2,7% em junho, sinalizando um possível agravamento no setor imobiliário. As taxas de hipoteca elevadas e o clima de incerteza têm afastado os compradores.

Esses dados se somam ao conjunto de preocupações que pairam sobre a economia dos EUA e alimentam discussões sobre uma possível recessão técnica.

Gigantes de tecnologia também no radar

Dólar
Imagem: Freepik

Na frente corporativa, os resultados trimestrais de empresas como Alphabet (Google) e Tesla são aguardados com expectativa. Esses balanços devem impactar os índices americanos e, por tabela, influenciar o comportamento dos mercados globais.

Conclusão: mercados globais pressionados por incertezas

O comportamento do dólar e do Ibovespa nesta quinta-feira reflete um quadro de incerteza crescente no cenário global. Com Trump reativando a guerra tarifária, o BCE em momento decisivo e o Brasil enfrentando dificuldades em sua política comercial, os investidores permanecem cautelosos.

A volatilidade deve continuar no curto prazo, enquanto o mercado espera definições mais claras sobre a política monetária internacional e o rumo das negociações comerciais.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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