O Drex, versão digital do real brasileiro, vem ganhando destaque nas redes sociais, mas informações equivocadas sobre o projeto têm gerado dúvidas e preocupação entre cidadãos. Vídeos publicados em plataformas como TikTok e Instagram sugerem que o Drex eliminaria o dinheiro físico, impediria a manutenção de poupanças e permitiria total monitoramento das transações pelo governo, chegando a compará-lo a um modelo de país socialista.
Drex é lançado pelo Banco Central, mas não substitui a poupança
Drex, a versão digital do real criada pelo Banco Central, não substitui dinheiro físico nem poupanças. Saiba como funciona, fases do projeto e mais.
Essas alegações, no entanto, não encontram respaldo em documentos oficiais e foram verificadas pelo projeto de checagem Comprova.
O que é o Drex?

O Drex é uma moeda digital em desenvolvimento pelo Banco Central, projetada para operar de forma digital, mas não para substituir cédulas ou moedas físicas. Seu objetivo principal é ampliar a eficiência e a segurança das transações, permitindo operações com contratos inteligentes, que só concluem a operação quando todas as condições são cumpridas.
Leia mais: Drex não é real digital nem blockchain: entenda a decisão do Banco Central
De acordo com o Banco Central, a plataforma será intermediada por instituições financeiras autorizadas, garantindo opções adicionais de pagamento e transações, sem alterar o funcionamento de contas correntes ou de poupança já existentes.
Desenvolvimento e fases do projeto
Primeira fase: arquitetura e segurança
Em fevereiro de 2025, o Banco Central publicou o Relatório da 1ª fase do Piloto Drex, detalhando aspectos de arquitetura, privacidade e segurança. O documento não menciona planos de substituir dinheiro físico, impedir poupança ou restringir o uso da moeda.
Segunda fase: casos de uso
A 2ª fase, ainda em elaboração, reunirá casos de uso propostos por instituições financeiras e empresas de tecnologia. O objetivo é testar a aplicabilidade prática do Drex em operações reais, garantindo eficiência e confiabilidade.
Terceira fase: ativos como garantia
Prevista para começar em 2025, a 3ª fase terá foco na eficiência no uso de ativos como garantia em operações de crédito, aumentando a flexibilidade e a segurança de transações complexas no sistema financeiro digital.
Mitos e desinformação sobre o Drex
Vídeos publicados por influenciadores nas redes sociais alegam que, com o Drex, o dinheiro em papel deixaria de existir, o governo teria controle total sobre as transações, e o recurso seria restrito a determinadas localidades.
O Comprova verificou que essas informações são falsas. O Drex não substituirá cédulas ou moedas, não impedirá poupanças e não permitirá que o governo controle todas as transações individuais.
Quem disseminou a informação equivocada
Os vídeos foram publicados em setembro de 2025 pela influenciadora Carla Cout, que se apresenta como missionária, comunicadora, cantora e terapeuta. Em suas redes sociais, afirma ser “militante da direita e do bolsonarismo”.
O conteúdo alcançou grande visibilidade, com 392 mil visualizações no TikTok, além de milhares de curtidas, compartilhamentos e comentários. No Instagram, o mesmo vídeo teve cerca de 34 mil visualizações.
Por que as pessoas acreditam em mitos sobre o Drex
Uso de informações reais fora de contexto
O projeto Drex existe de fato, mas a desinformação ocorre quando informações legítimas são inseridas em cenários distorcidos, criando uma narrativa alarmista sobre vigilância e controle financeiro.
Apelo emocional e polarização
Os vídeos utilizam exagero, alarmismo e comparações a regimes socialistas, gerando medo imediato e ativando vieses de confirmação em grupos já críticos ao governo federal.
Desinformação e viralidade
A combinação de medo, polarização política e descontextualização faz com que conteúdos falsos se espalhem rapidamente, principalmente em plataformas de vídeo e aplicativos de mensagens.
Posicionamento do Banco Central
O Banco Central esclareceu que:
- É responsável pelo desenvolvimento do Drex, sem envolvimento da Presidência;
- O projeto não impactará contas de poupança;
- O Drex segue em fase de testes e ainda passará por etapas de validação;
- A moeda digital será uma opção adicional ao real físico, com foco em eficiência e segurança.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O BC reforça que a moeda digital não substitui o dinheiro físico nem será utilizada para monitoramento total de cidadãos ou para restrições de uso.
Benefícios esperados do Drex

O Drex traz vantagens que vão além do pagamento digital tradicional:
- Transações mais rápidas e seguras;
- Uso de contratos inteligentes para operações complexas;
- Maior eficiência em operações de crédito, com ativos como garantia;
- Complemento à infraestrutura financeira existente, sem substituir cédulas, moedas ou contas bancárias.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o Drex
O que é o Drex?
É a versão digital do real criada pelo Banco Central, destinada a facilitar transações financeiras de forma segura e eficiente.
O Drex vai substituir o dinheiro físico?
Não. Cédulas e moedas continuarão em circulação, e o Drex será uma opção adicional.
O projeto é conduzido pelo presidente da República?
Não. O desenvolvimento do Drex é responsabilidade exclusiva do Banco Central.
Vai haver controle total do governo sobre o dinheiro digital?
Não. O Drex garante privacidade e segurança, e não permite monitoramento completo das transações de cidadãos.
O Drex afeta contas de poupança?
Não. Os bancos continuarão a oferecer contas de poupança normalmente, sem interferência do Drex.
Quando o Drex será lançado oficialmente?
O projeto segue em fases de teste, sem data definitiva para lançamento nacional.
Como posso utilizar o Drex?
Quando disponível, a moeda digital será acessada por meio de plataformas digitais intermediadas por instituições financeiras autorizadas.
Considerações finais
O Drex é uma moeda digital complementar, criada para modernizar o sistema financeiro brasileiro, mas não substituir dinheiro físico ou contas de poupança. Notícias falsas circulando nas redes sociais associam o projeto a controle governamental, restrição de recursos e “expiração” do dinheiro, mas essas alegações não possuem respaldo oficial.
O acompanhamento do projeto é feito pelo Banco Central, e os testes seguem etapas claras, com relatórios públicos sobre segurança, privacidade e casos de uso. A moeda digital, portanto, representa inovação no setor financeiro, mantendo a opção do cidadão por poupança e dinheiro em espécie.
