A terça-feira começou com um movimento significativo no mercado de câmbio: o dólar segue em baixa no Brasil, acompanhando a melhora do apetite global por ativos de risco e refletindo o avanço de uma proposta no Senado dos Estados Unidos para pôr fim ao impasse fiscal que ameaça paralisar parte do governo americano.
Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,30 com alívio após fim do risco de ‘shutdown’ nos EUA
Dólar cai com expectativa de fim do shutdown nos EUA e avanço do apetite ao risco. Ibovespa sobe e inflação surpreende para baixo no Brasil.
No mercado à vista, às 10h36, o dólar recuava 0,49%, sendo negociado a R$ 5,2815 na venda. Já na B3, o contrato futuro de dezembro – o mais líquido do mercado brasileiro – caía 0,17%, para R$ 5,3040.
Esse movimento acompanha um ambiente de recuperação das bolsas internacionais e um dia de valorização de moedas de países emergentes, como real, peso chileno e peso mexicano.
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A crise do shutdown nos Estados Unidos e o impacto no câmbio
O principal fator por trás da queda do dólar é o avanço de um acordo no Congresso americano para evitar que órgãos governamentais fiquem sem financiamento. Isso impede demissões e garante o funcionamento de agências federais até 30 de janeiro.
Caminho do projeto
O Senado aprovou o texto na noite de segunda-feira. Agora ele segue para a Câmara, onde o presidente da Casa, Mike Johnson, já afirmou que pretende submetê-lo à votação na quarta-feira. Se aprovado, o texto segue para sanção do presidente Donald Trump.
A perspectiva de resolução reduz o risco político e econômico, o que naturalmente diminui a procura global por dólar e fortalece moedas de países emergentes.
Por que o shutdown afeta o dólar?
Quando existe risco de paralisação do governo dos EUA, investidores buscam segurança, elevando a demanda pela moeda americana. Ao contrário, quando cresce a confiança e a expectativa de solução, o fluxo se inverte: o capital volta para ativos de risco, derrubando a cotação do dólar.
Brasil em destaque: Ibovespa sobe e DIs caem
A queda do dólar está alinhada com o movimento positivo da bolsa brasileira. O Ibovespa voltou a operar acima dos 156 mil pontos, mostrando o bom humor dos investidores.
A diminuição das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) indica que o mercado também está ajustando expectativas sobre as próximas decisões de juros no país.
Em momentos de maior apetite ao risco, investidores estrangeiros aumentam as compras de ações e renda fixa no Brasil, fortalecendo o real e impulsionando o Ibovespa.
IPCA surpreende e reforça otimismo do mercado
Outro dado que favorece o real nesta terça-feira é o resultado da inflação oficial. O IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,09% em outubro, abaixo dos 0,16% esperados por analistas e muito inferior aos 0,48% registrados em setembro.
Inflação acumulada em 12 meses
Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 4,68%, abaixo da projeção de 4,75%.
A desaceleração da inflação dá espaço para que o Banco Central siga avaliando cortes na taxa Selic ao longo de 2025, o que favorece ainda mais a entrada de capital estrangeiro no país.
Ata do Copom revela avaliação da inflação e expectativas para os juros
A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) trouxe novos detalhes sobre a leitura do Banco Central em relação à desinflação.
O que diz o documento
Inflação de serviços dá sinais de queda
Segundo o Copom, houve “algum arrefecimento” da inflação de serviços, historicamente um dos componentes mais persistentes do IPCA.
Persistência em segmentos específicos
Apesar disso, o Comitê alertou que a inflação de serviços “ainda se mostra mais resiliente”.
Expectativas de inflação começam a cair
O documento registra um “movimento mais nítido” de queda nas expectativas de inflação para prazos mais longos.
Impacto da isenção do Imposto de Renda
O Copom incorporou ao seu cenário a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, aprovada pelo Congresso.
Com mais pessoas isentas, há potencial aumento de consumo, o que pode influenciar projeções futuras de inflação.
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Atuação do Banco Central no câmbio
O Banco Central anunciou, para as 11h30, leilão de 45 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de dezembro. Essa operação ajuda a suavizar a volatilidade do dólar sem mexer diretamente nas reservas internacionais.
Na segunda-feira, o dólar à vista já havia fechado em baixa de 0,51%, cotado a R$ 5,3076.
A continuidade da queda nesta terça reforça que o mercado percebe melhora no cenário global.
Brasil volta ao radar internacional
O dólar mais fraco e a inflação mais controlada criam um ambiente mais favorável à entrada de capital estrangeiro.
O que torna o Brasil mais atraente agora?
- Moedas emergentes se valorizam com a queda do dólar
- Inflação em desaceleração melhora previsibilidade
- Juros futuros recuam, criando oportunidade de valorização em renda variável
Com isso, o real se destaca como uma das moedas de melhor desempenho entre países emergentes no pregão desta terça-feira.
O que esperar nos próximos dias
O foco do mercado estará na votação da medida contra o shutdown na Câmara dos EUA. Se for aprovada, pode manter o fluxo positivo para mercados emergentes e pressionar ainda mais a queda do dólar.
Pontos de atenção no curto prazo
- Reação do presidente Donald Trump
- Indicadores econômicos dos Estados Unidos
- Declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed)
- Novas revisões nas expectativas de inflação no Brasil
Conclusão
O dólar opera em queda no Brasil devido a fatores combinados: avanço do acordo político nos EUA, redução do risco fiscal, entrada de fluxo estrangeiro e dados positivos de inflação no Brasil. O cenário favorece moedas emergentes e impulsiona a bolsa brasileira.
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