No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fez declarações polêmicas sobre o futuro político do Brasil.
Eduardo Bolsonaro insinua que EUA podem mandar caças F-35 ao Brasil no futuro
Após condenação de Bolsonaro no STF, Eduardo Bolsonaro disse que os EUA podem enviar caças F-35 e navios de guerra ao Brasil.
Em entrevista, o parlamentar afirmou que os Estados Unidos poderiam intervir militarmente no Brasil, enviando caças F-35 e navios de guerra, caso o país siga um caminho semelhante ao da Venezuela, com eleições questionadas e repressão à oposição.
As falas ocorreram em resposta a declarações de Karoline Leavit, porta-voz da Casa Branca durante o governo Donald Trump, que disse que o ex-presidente norte-americano “não tem medo de usar meios militares para proteger a liberdade de expressão”.
Leia mais:
Eduardo Bolsonaro declara proteção garantida pela Constituição americana

O contexto político: condenação no STF
Julgamento histórico
A Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento em uma trama golpista. Os ministros discutem agora a dosimetria das penas, que devem incluir prisão, perda de direitos políticos, inelegibilidade e indenizações por danos coletivos.
Prisão ainda não imediata
Embora a condenação esteja definida, o cumprimento da pena depende do trânsito em julgado, ou seja, do esgotamento de todos os recursos possíveis. Até lá, Bolsonaro segue em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
As declarações de Eduardo Bolsonaro
Intervenção norte-americana
Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos intervirem no Brasil, Eduardo Bolsonaro respondeu:
“Acho que nesse momento não. Mas se o regime brasileiro for consolidado e tiver uma evolução igual à da Venezuela, com eleições que não são nada transparentes, sem a ampla participação da oposição, regado a censura e prisões políticas, no Brasil pode perfeitamente no futuro ser necessária a vinda de caças F-35 e de navios de guerra.”
Segundo o deputado, a intervenção militar seria uma medida extrema, mas viável caso a democracia brasileira fosse considerada inviável.
Comparação com a Venezuela
Eduardo citou o país vizinho como exemplo de um regime fechado e sem espaço para a oposição. Para ele, a escalada de censura e prisões políticas no Brasil poderia tornar necessária a ação militar externa:
“Você não consegue consertar mais aquilo com remédios diplomáticos como as sanções. Então poderia ser um uso para o futuro.”
Apoio ao discurso de Trump
O parlamentar elogiou a fala da porta-voz de Trump, dizendo que o posicionamento mostra a disposição do governo norte-americano em defender pautas de liberdade:
“A porta-voz Karoline Leavit foi muito feliz porque demonstra a disposição do governo Trump em defender as pautas da liberdade.”
Eleições e liberdade de expressão

O risco apontado para 2026
Eduardo Bolsonaro também destacou que o Brasil terá eleições no próximo ano e defendeu que elas precisam ocorrer com ampla participação da oposição. Ele levantou críticas sobre possíveis censuras nas redes sociais e ordens judiciais secretas para remoção de publicações:
“Se tivermos eleições à base de censura, onde a população tenha de deletar tuítes por ordens secretas, se não puder falar a verdade sobre Lula, por que os Estados Unidos deveriam reconhecer essa democracia?”
Preferência pela guerra em defesa da liberdade
Ao ser perguntado sobre o risco de um conflito armado, Eduardo declarou:
“Vale a pena pela pauta da liberdade. Você aceitaria ser escravo para evitar uma guerra? Eu prefiro a guerra. É como Churchill disse a Chamberlain: poderia escolher entre a desonra e a guerra.”
Críticas ao STF e a Alexandre de Moraes
Acusações de perseguição política
O deputado criticou duramente o STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos contra Bolsonaro:
“Não é encarcerando o líder da oposição que você vai fazer uma eleição. Não é violando a Constituição que você vai preservá-la. Isso está muito claro para todo mundo que acompanha essa inquisição no Supremo.”
Uso de casos individuais
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Eduardo também mencionou pessoas que considera inocentes e que, segundo ele, foram injustamente condenadas no contexto das investigações:
- Clezão, apoiador de Bolsonaro;
- Iraci Nagashi, de 73 anos;
- Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos por pichar uma estátua.
Para ele, essas condenações seriam exemplos de violência contra cidadãos comuns.
O papel dos Estados Unidos no discurso
Trump como aliado
As declarações de Eduardo reforçam a alinhamento com Donald Trump, que recentemente se manifestou contra a condenação de Bolsonaro, classificando-a como uma “ameaça à liberdade de expressão”.
Política externa norte-americana
Especialistas ressaltam, no entanto, que uma intervenção militar norte-americana no Brasil é improvável. A Constituição brasileira veda interferência estrangeira em assuntos internos, e os EUA, mesmo sob governos conservadores, têm priorizado pressões diplomáticas e sanções econômicas em cenários de crise.
A retórica política
Assim, analistas entendem que as falas de Eduardo têm mais efeito político e simbólico do que prático, reforçando a narrativa de perseguição e o discurso de que a oposição estaria sendo silenciada.
Consequências jurídicas e políticas das falas

Risco de responsabilização
As falas do deputado podem gerar questionamentos jurídicos, uma vez que a Constituição Federal considera crime de responsabilidade a incitação à intervenção estrangeira.
Impacto eleitoral
Em ano pré-eleitoral, Eduardo Bolsonaro se projeta como uma das principais vozes da oposição. O discurso pode mobilizar a base bolsonarista, mas também reforçar críticas de setores democráticos que veem a retórica como ameaça à soberania nacional.
Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
