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Tarifaço: Deputados do PT dizem que só resta uma saída a Eduardo Bolsonaro

Petistas avaliam que só resta a Eduardo Bolsonaro reverter tarifaço para se firmar em 2026. Entenda,

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Imagem de Eduardo Bolsonaro

O aumento de 50% nas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações brasileiras, apelidado de tarifaço de Trump, não só colocou em xeque relações comerciais bilaterais, como também se tornou um grande teste para a carreira política de Eduardo Bolsonaro.

Para lideranças petistas, se o deputado licenciado e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro quiser permanecer como um nome relevante para a direita em 2026, terá que provar influência real na Casa Branca e mostrar que foi capaz de reverter o duro golpe econômico anunciado por Donald Trump.

Enquanto isso, no Brasil, integrantes do PT acreditam que a solução para o impasse virá pelas vias tradicionais da diplomacia, com protagonismo do Itamaraty e do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Mas, do lado de Eduardo, a estratégia segue sendo a de reivindicar para si o controle da negociação e atrelar a questão tarifária à sua agenda política de anistia aos condenados do 8 de Janeiro e ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

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O dilema do filho 03

eduardo bolsonaro
Imagem: Lula Marques/ Agência Brasil

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março, quando pediu licença do mandato para articular sanções contra Alexandre de Moraes e buscar apoio à sua pauta política junto ao governo Trump. Desde então, ele e o jornalista Paulo Figueiredo, que atua como seu aliado, têm declarado que foram os responsáveis por abrir as conversas com a Casa Branca que culminaram no tarifaço.

Para ambos, negociar diretamente com Trump seria a única forma legítima de resolver o problema. A dupla promete, inclusive, barrar qualquer outra iniciativa para tratar do assunto por fora de seu canal informal com o ex-presidente americano.

O problema é que o aumento das tarifas — vendido como uma retaliação política a decisões do Supremo Tribunal Federal — atingiu em cheio a economia brasileira e gerou forte reação de exportadores e até mesmo de setores conservadores que apoiavam Bolsonaro.

PT vê oportunidade e fraqueza

Petistas ouvidos nos bastidores avaliam que Eduardo está diante de uma encruzilhada: ou consegue reverter as tarifas e mostrar peso político internacional ou sairá ainda mais enfraquecido do episódio. Para as lideranças do partido, o tarifaço oferece uma chance de expor a fragilidade da direita e, ao mesmo tempo, fortalecer a narrativa de que a diplomacia tradicional, conduzida pelo governo Lula, é o melhor caminho para proteger os interesses do Brasil.

Eles também acreditam que Eduardo corre o risco de ser visto como cúmplice do problema caso fracasse, já que assumiu publicamente a autoria da articulação que resultou nas medidas de Trump. Essa é a aposta do PT: deixar a pressão aumentar sobre ele enquanto Itamaraty e Geraldo Alckmin trabalham discretamente para resolver o impasse.

A estratégia americana

Do lado americano, a jogada de Trump tem caráter duplamente político: agradar eleitores nacionalistas ao proteger a indústria local e reforçar seu alinhamento com a ala bolsonarista da política brasileira, na expectativa de um retorno conjunto ao poder em 2026.

Ainda assim, especialistas avaliam que, no médio prazo, as tarifas prejudicam relações comerciais importantes para os dois lados, o que aumenta a expectativa por uma solução diplomática.

Anistia e impeachment entram no pacote

Além de tentar se projetar como articulador internacional, Eduardo Bolsonaro usa o tarifaço como argumento para pressionar por uma anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e pelo impeachment de Alexandre de Moraes. Para ele, a reversão das tarifas só seria possível se o Brasil aceitasse essas concessões políticas, em um movimento que misturaria diplomacia e revanchismo.

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Essa estratégia, no entanto, não encontra eco nem mesmo entre setores mais pragmáticos da direita, que temem as consequências econômicas do prolongamento do impasse comercial.

O peso da diplomacia tradicional

No Itamaraty, a ordem é adotar cautela e paciência. Em público, o governo Lula evita ataques diretos a Trump e mantém portas abertas para negociações formais. Geraldo Alckmin, por sua vez, intensificou os contatos com empresários brasileiros afetados pelo tarifaço e com autoridades americanas para apresentar dados técnicos e defender o recuo das medidas.

Para diplomatas experientes, esse é o caminho mais viável e sustentável, já que a relação comercial entre os dois países envolve muito mais do que disputas políticas momentâneas.

2026 no horizonte

tarifas café
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Com as eleições presidenciais brasileiras de 2026 cada vez mais no radar, Eduardo Bolsonaro enxerga no episódio do tarifaço uma chance de se posicionar como herdeiro político do pai e como um interlocutor direto de Trump. Porém, se não for bem-sucedido, corre o risco de sair do episódio ainda mais fragilizado politicamente.

Para o PT, a leitura é a oposta: se a diplomacia brasileira resolver o problema sem a participação de Eduardo, a direita perde um de seus principais trunfos eleitorais e a narrativa do “Brasil isolado” ganha força contra os bolsonaristas.

Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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