O historiador, jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido pelo pseudônimo Peninha, foi afastado do Conselho Editorial do Senado Federal após a publicação de um vídeo em tom de deboche sobre a morte do ativista político norte-americano Charlie Kirk, assassinado em 10 de setembro nos Estados Unidos. A decisão foi tomada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após intensa mobilização da bancada de oposição, liderada por Rogério Marinho (PL-RN).
Após vídeo controverso, Senado decide afastar ‘Peninha’ do Conselho Editorial
Eduardo Bueno foi afastado do Conselho Editorial do Senado após vídeo ironizando a morte do ativista Charlie Kirk.
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O que motivou o afastamento de Eduardo Bueno
Vídeo com ironia e comemoração gerou revolta
A crise teve início quando Peninha publicou um vídeo em suas redes sociais ironizando a morte de Charlie Kirk. Kirk, um dos principais líderes da direita norte-americana, foi morto a tiros enquanto discursava em uma universidade no estado de Utah. A repercussão foi imediata e provocou indignação entre parlamentares de direita no Brasil.
No vídeo, Peninha comenta de forma sarcástica:
“Mataram o Charlie Kirk. Ai, coitado, tomou um tiro, não sei se na cara, o Charlie Kirk. Tem duas filhas pequenas, que bom pras filhas dele, né?”
Em outro trecho, ele acrescenta:
“Que terrível um ativista ser morto por ideias, exceto quando é Charlie Kirk.”
A publicação gerou protestos contundentes, especialmente entre parlamentares conservadores, que classificaram o conteúdo como “discurso de ódio”, “asqueroso” e “inadmissível” para alguém vinculado ao Senado Federal.
Conselho Editorial do Senado: qual é sua função?
Produção de obras de valor cultural e histórico
O Conselho Editorial do Senado é responsável por selecionar e publicar obras de relevância cultural, histórica e social. Entre suas atribuições, destacam-se:
- A curadoria de livros com temas políticos, econômicos e históricos relevantes para o Brasil;
- Participação em bienais, feiras e eventos literários;
- Promoção do acervo editorial do Senado em âmbito nacional e internacional.
Por essas razões, a presença de Peninha no órgão, após o episódio, passou a ser considerada incompatível com os princípios institucionais da Casa, segundo os parlamentares que pediram sua saída.
Rogério Marinho liderou pressão por afastamento
Cerca de 40 senadores assinaram pedido de punição
A articulação política contra Eduardo Bueno foi liderada por Rogério Marinho, atual líder da oposição no Senado. Marinho considerou o vídeo “um absurdo” e declarou:
“Nós não podemos conviver e nem esta Casa deve acolher pessoas que declaradamente fazem discursos de ódio, que comemoram assassinatos.”
Segundo o parlamentar, a conduta de Peninha compromete o prestígio e a credibilidade do Senado. A movimentação reuniu aproximadamente 40 assinaturas de senadores de diversos partidos, o que gerou pressão sobre o presidente Davi Alcolumbre.
A decisão pelo afastamento foi anunciada na noite de domingo (21), encerrando formalmente a participação de Eduardo Bueno no colegiado editorial.
Davi Alcolumbre acatou decisão após apelo dos colegas

Parlamentares classificaram vídeo como “asqueroso”
Alcolumbre, que havia indicado Eduardo Bueno para o cargo, cedeu à pressão após críticas públicas e privadas de diversos senadores. Ao justificar a decisão, o presidente do Senado apontou a necessidade de preservar a imagem institucional da Casa, especialmente diante de um episódio que provocou reação nacional e internacional.
Fontes do Senado relataram que o termo “asqueroso” foi utilizado por mais de um parlamentar durante as conversas com Alcolumbre. Embora o afastamento não represente cassação ou exoneração formal, o desligamento de Peninha do Conselho Editorial é considerado um afastamento simbólico com forte carga política.
Eduardo Bueno reage e fala em “censura”
Escritor recorre à ironia e critica a extrema direita
Após o vídeo ter sido removido do Instagram, Eduardo Bueno usou novamente as redes sociais para criticar o que considerou “hipocrisia” da extrema direita brasileira. Ele declarou:
“Mas onde está a liberdade de expressão tão defendida pela extrema direita? Estou sendo censurado! Espero que os EUA invadam logo o Brasil para me defender.”
A fala reforçou seu tom sarcástico, mesmo diante da pressão institucional. Bueno, conhecido por seu estilo ácido e irreverente, voltou a provocar seus críticos. No entanto, desta vez, as consequências ultrapassaram as redes sociais, com efeitos diretos sobre sua posição institucional.
Charlie Kirk: quem era e por que sua morte gerou tanta repercussão

Figura central da nova direita americana
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Charlie Kirk era fundador do Turning Point USA, uma das principais organizações conservadoras juvenis dos Estados Unidos. Tornou-se símbolo da nova geração da direita americana ao apoiar políticas nacionalistas e fazer oposição sistemática ao progressismo em temas como gênero, raça e política educacional.
A sua morte, ocorrida em 10 de setembro de 2025, durante um discurso em uma universidade, gerou comoção internacional. Autoridades americanas classificaram o assassinato como crime político, o que intensificou o debate sobre violência ideológica e liberdade de expressão.
A resposta de Peninha, portanto, foi percebida como uma naturalização ou mesmo comemoração do crime, o que ultrapassou o campo do debate político e adentrou no terreno do escárnio, segundo os críticos.
Liberdade de expressão ou discurso de ódio?
Debate reacende polarização entre direita e esquerda
O episódio reabriu o debate sobre os limites da liberdade de expressão. Para defensores de Peninha, a reação institucional revela autoritarismo e hipocrisia, especialmente entre os que usualmente criticam a “cultura do cancelamento”. Já para a oposição, trata-se de uma tentativa de frear a legitimação da violência ideológica no ambiente público e institucional.
Entidades ligadas à imprensa e à literatura ainda não se posicionaram formalmente sobre o caso. No entanto, setores da sociedade civil começaram a se manifestar tanto em defesa quanto em repúdio à postura do escritor.
Repercussão nas redes sociais
Divisão entre apoiadores e críticos
A publicação original de Peninha, removida pelo Instagram, já havia acumulado milhares de visualizações e comentários. A polarização ficou evidente nas reações: enquanto alguns exaltavam sua ousadia, outros pediam investigações criminais por apologia à violência.
Termos como #PeninhaExpulso, #CharlieKirk e #LiberdadeDeExpressao chegaram aos assuntos mais comentados nas redes sociais no Brasil e nos Estados Unidos.
Possíveis desdobramentos legais
Juristas debatem se houve apologia ao crime
Especialistas em Direito Penal divergem quanto à possibilidade de punição judicial. Alguns argumentam que Eduardo Bueno pode ser enquadrado por apologia ao crime (Art. 287 do Código Penal), caso se entenda que houve exaltação de um ato criminoso. Outros defendem que o vídeo, embora de gosto duvidoso, está protegido pela liberdade de expressão e configura crítica política em tom de sátira.
Até o momento, não há informações sobre ações civis ou criminais em curso contra Peninha.
Imagem: SescTV/Reprodução
