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Electrolux recua produção no Brasil e preocupa clientes

Electrolux alerta para possível retração no mercado de eletrodomésticos no Brasil. Alta de preços e queda na demanda preocupam o setor.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
Faixada da empresa de eletrodomésticos electrolux

A gigante sueca Electrolux acendeu um sinal de alerta ao divulgar, nesta semana, que está observando uma desaceleração nas vendas no Brasil, com possibilidade real de retração no setor de eletrodomésticos a partir do segundo semestre de 2025. O cenário é atribuído ao enfraquecimento da demanda e à consolidação de preços elevados ao consumidor final.

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Preços em patamar elevado e consumo em queda

preço em alta electrolux
Imagem: Freepik

De acordo com a própria companhia, a expectativa é de que, após o mês de junho, os preços dos eletrodomésticos comecem a se estabilizar, mas ainda em níveis elevados. Isso pode comprometer ainda mais a disposição de compra da população brasileira, já afetada por juros altos, endividamento e perda de poder aquisitivo.

“O consumidor brasileiro está mais seletivo. A alta acumulada dos preços nos últimos anos, somada à desaceleração econômica, afeta diretamente a decisão de compra de bens duráveis como fogões, refrigeradores e máquinas de lavar”, apontou um executivo da empresa sob condição de anonimato.

Desempenho da Electrolux reflete o desaquecimento geral

Embora a Electrolux não divulgue separadamente seus resultados financeiros por país, a queda de ritmo no Brasil segue uma tendência já observada no balanço global da companhia, que reportou desafios em mercados emergentes. A América Latina, historicamente responsável por uma parcela significativa da receita da empresa, já não apresenta o mesmo vigor de crescimento observado em ciclos anteriores.

Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) também confirmam essa tendência. Segundo a entidade, houve queda de 4,3% na produção de linha branca no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Aumento de custos pressiona margens

Além da queda na demanda, o setor tem enfrentado aumentos nos custos de produção, especialmente por conta da volatilidade do câmbio e do encarecimento de insumos importados. A indústria ainda sente os efeitos da recomposição das cadeias de suprimento pós-pandemia, que seguem com gargalos e inflação residual em alguns componentes.

“O custo dos insumos segue pressionando a margem de lucro. Mesmo com a tentativa de repassar parte desse valor ao consumidor, a demanda retraída impede aumentos mais agressivos”, explicou o economista Lucas Ferreira, especialista em indústria da FGV.

Tendência de consolidação no mercado de eletrodomésticos

Com o cenário adverso, especialistas apontam para um possível movimento de consolidação no setor. Empresas menores, com menor resiliência financeira, podem não suportar longos períodos de margens comprimidas e queda de vendas.

“A Electrolux, por ser uma empresa global com forte estrutura de capital, tem condições de atravessar a crise. No entanto, outras marcas regionais ou com menor capilaridade podem enfrentar dificuldades e até deixar o mercado”, comenta a consultora de varejo Camila Duarte.

Expectativas para o segundo semestre

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O segundo semestre é, historicamente, o mais forte em vendas para o setor, impulsionado por datas comemorativas como Dia dos Pais, Black Friday e Natal. Contudo, a previsão de juros ainda elevados e a ausência de estímulos consistentes ao consumo jogam dúvidas sobre uma eventual recuperação.

O mercado também aguarda possíveis desdobramentos da política fiscal e monetária do governo federal, que podem influenciar tanto a confiança do consumidor quanto o acesso ao crédito. “Se houver redução na taxa Selic ou estímulos ao consumo via programas sociais ou subsídios ao crédito, o setor pode ter algum alívio”, afirma Duarte.

Inovação e eficiência energética como diferencial

eficiência energética electrolux
Imagem: Freepik

Diante do cenário desafiador, a Electrolux tem apostado em inovação e na eficiência energética de seus produtos como uma forma de atrair consumidores dispostos a investir mais em equipamentos duráveis e sustentáveis. A empresa também tem ampliado sua oferta de produtos conectados, que se integram com plataformas de casa inteligente.

“O consumidor de hoje busca mais do que um produto. Ele quer praticidade, economia e impacto ambiental reduzido. Estamos investindo em tecnologias que entregam esses diferenciais”, afirma nota oficial da empresa.

Perspectiva de médio prazo segue incerta

Para o médio prazo, a perspectiva do setor segue cautelosa. Analistas apontam que, mesmo com alguma recuperação no segundo semestre, o ano de 2025 deve fechar com números modestos no varejo de eletrodomésticos.

A grande incógnita continua sendo o comportamento da inflação e da taxa de juros. “Sem uma retomada consistente do poder de compra e do crédito, é difícil vislumbrar uma recuperação expressiva no curto prazo”, conclui Ferreira.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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