Uma emenda apresentada no contexto da proposta de emenda à Constituição que discute o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil adiciona uma série de contrapartidas fiscais e flexibilizações trabalhistas. O objetivo declarado do texto é reduzir impactos financeiros sobre empresas caso a jornada semanal seja alterada.
Centrão propõe reduzir FGTS e zerar INSS em debate sobre fim da escala 6×1
Emenda à PEC do fim da escala 6x1 propõe mudanças em FGTS, INSS e jornada de trabalho. Veja impactos e pontos do texto.
A proposta foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) e contou com 176 assinaturas, número acima do mínimo necessário para apresentação de sugestões em PECs na Câmara dos Deputados. O conteúdo ainda está em fase de debate e não representa mudança imediata na legislação trabalhista.
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O que a emenda propõe na prática
O texto traz alterações relevantes em encargos trabalhistas e no modelo de transição da jornada de trabalho. Entre os principais pontos estão mudanças no FGTS, no INSS e na forma de tributação sobre contratações.
Redução do FGTS de 8% para 4%
A proposta sugere a redução da contribuição patronal ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que atualmente é de 8% sobre o salário do trabalhador. Pela emenda, esse percentual poderia cair para 4% em determinadas condições ligadas à nova estrutura de jornada.
O argumento é de que a redução ajudaria empresas a absorver os custos de reorganização de turnos e contratações.
Isenção temporária de INSS para novas contratações
Outro ponto prevê a isenção temporária da contribuição previdenciária patronal de 20% para novos trabalhadores contratados após a mudança da jornada.
Na prática, isso significaria uma desoneração parcial da folha de pagamento, com impacto direto na arrecadação da Previdência Social durante o período de transição.
Incentivos fiscais para criação de empregos
A emenda também propõe permitir que empresas deduzam despesas relacionadas à criação de novos postos de trabalho da base de cálculo do IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Empresas enquadradas no Simples Nacional e no Lucro Presumido também poderiam receber créditos tributários proporcionais à geração de empregos.
Transição de até 10 anos para mudança da jornada
Um dos pontos mais relevantes do texto é o prazo de implementação. A redução da jornada de trabalho não seria imediata. A proposta estabelece um período de transição de até 10 anos após eventual aprovação da PEC.
Durante esse período, a mudança dependeria do cumprimento de metas de produtividade nacional, que seriam avaliadas por um órgão oficial de estatística. O documento, no entanto, não define quais indicadores específicos seriam utilizados.
Na prática, isso cria um modelo de implementação condicionado ao desempenho econômico do país, o que pode atrasar ou ajustar o alcance da reforma trabalhista proposta.
Uso do FAT pode ser ampliado
A emenda também abre possibilidade de utilização do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar programas de apoio às empresas.
Hoje, o FAT é utilizado principalmente para:
- pagamento do seguro-desemprego
- abono salarial
Com a mudança, parte dos recursos poderia ser direcionada para subsídios, consultorias e programas de adaptação de jornadas de trabalho, com o objetivo de reduzir custos de transição para o setor produtivo.
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Possibilidade de jornadas superiores a 40 horas
Outro ponto que gera debate é a flexibilização da jornada semanal. Embora a proposta discuta a redução para 40 horas, o texto permite que acordos coletivos tenham prevalência em temas como:
- banco de horas
- escalas de revezamento
- intervalos de trabalho
Na prática, isso pode permitir jornadas superiores ao limite proposto, chegando a até 52 horas semanais em casos previstos por negociação coletiva com sindicatos.
Setores essenciais ficam fora da mudança imediata
A proposta também estabelece exceções para setores considerados essenciais. Áreas cuja interrupção possa afetar serviços como saúde, segurança, mobilidade e abastecimento poderiam manter a jornada atual de 44 horas semanais.
Essas categorias seriam definidas posteriormente por meio de Projeto de Lei Complementar (PLP), o que deixa parte da regulamentação para uma etapa futura.
Impactos econômicos e debate no Congresso
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e suas possíveis alterações ocorre em meio a um debate mais amplo sobre produtividade, custo do trabalho e modernização das relações trabalhistas no Brasil.
Segundo dados de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e estudos econômicos amplamente utilizados em políticas públicas, a produtividade do trabalho no país ainda é considerada inferior à de economias mais desenvolvidas, o que é frequentemente citado em discussões sobre reformas estruturais.
Por outro lado, especialistas em direito do trabalho apontam que mudanças na jornada precisam equilibrar competitividade empresarial e proteção ao trabalhador, especialmente em setores com alta demanda operacional.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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