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Empresas em crise recorrem ao Bitcoin para elevar valuation e atrair investidores

Empresas de diversos setores estão comprando Bitcoin para salvar seu valuation e atrair investidores, inspiradas no modelo de Michael Saylor. Entenda os riscos.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
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O mercado corporativo global vive um movimento inédito: companhias com dificuldades financeiras estão recorrendo à compra de criptomoedas, especialmente o Bitcoin, para tentar reverter crises e impulsionar sua valorização no mercado.

Essa prática, conhecida como “tesouraria de criptomoedas”, ganhou notoriedade nos últimos anos e, agora, parece entrar em uma fase de expansão acelerada.

Inspiradas no caso de sucesso da Strategy, liderada por Michael Saylor, essas empresas estão emitindo dívidas e levantando capital com um objetivo claro: adquirir ativos digitais e transformá-los em parte estratégica do caixa corporativo.

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O caso Strategy: de empresa em apuros a gigante de mercado

O ponto de virada em 2020

Em 2020, no auge da pandemia e sob os efeitos da política de afrouxamento monetário do Federal Reserve (Fed), a Strategy viu suas ações despencarem para cerca de US$ 12.

A solução encontrada por Saylor foi ousada: investir pesadamente em Bitcoin como forma de proteger o caixa contra a desvalorização do dólar.

Resultados impressionantes

Cinco anos depois, a empresa acumula 628.791 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 71 bilhões. As ações, antes em crise, hoje estão cotadas a US$ 395, representando uma alta de mais de 3.000%.

Com um valuation de US$ 115 bilhões, a Strategy vale quase o dobro de suas reservas de Bitcoin — e continua aumentando seu portfólio. Na última semana, a companhia comprou mais US$ 2,5 bilhões em BTC.

O apelo para investidores institucionais

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Imagem: tungtaechit / shutterstock.com

Uma forma indireta de investir em cripto

Para muitos investidores, especialmente institucionais, adquirir Bitcoin diretamente não é possível por restrições regulatórias. É o caso de mercados como Reino Unido e Japão, onde ETFs de criptomoedas são proibidos.
Nesse cenário, comprar ações de empresas com tesouraria em Bitcoin se torna uma alternativa atraente para se expor ao mercado cripto de forma indireta.

Benefícios fiscais

Além da exposição indireta ao ativo, investidores podem se beneficiar de diferenças na tributação de ganhos de capital sobre ações em comparação com criptoativos, o que pode representar uma vantagem estratégica.

A nova onda: setores diversos entram no jogo

Da biotecnologia à hotelaria

O movimento iniciado pela Strategy se espalhou rapidamente. Entre as empresas que adotaram o modelo estão:

  • Companhias de biotecnologia;
  • Mineradoras de ouro;
  • Redes de hotéis;
  • Fabricantes de veículos elétricos;
  • Produtoras de cigarros eletrônicos.

Muitas dessas empresas admitiram que recorreram à estratégia como última tentativa de recuperação financeira.

O caso Sequans Communications

A Sequans Communications captou US$ 384 milhões por meio de emissão de dívida e ações para comprar Bitcoin. O resultado foi imediato: as ações dispararam 160% após o anúncio.

Números da febre do Bitcoin corporativo

Atualmente, 154 empresas de capital aberto levantaram capital especificamente para adquirir criptomoedas. Juntas, essas companhias destinaram US$ 98,4 bilhões à compra de ativos digitais.

Esse movimento deu origem a um novo indicador de mercado: o “bitcoins por ação”, que mede o volume de criptomoedas detido por cada ação em circulação. O objetivo é maximizar esse número rapidamente, atraindo investidores interessados em aumentar sua exposição ao ativo digital.

O momento certo para apostar?

Bitcoin em recorde histórico

O “timing” dessa estratégia não é coincidência. Em 2025, o Bitcoin atingiu sua máxima histórica, despertando um FOMO (medo de ficar de fora) generalizado entre investidores globais.

Essa valorização meteórica tem levado empresas a correr para comprar, mesmo que isso envolva endividamento significativo e riscos consideráveis.

Os sinais de alerta: será uma bolha?

Paralelo com a bolha da internet

Especialistas já levantam preocupações. Brian Estes, CEO da Off The Chain Capital, compara a atual corrida das empresas para comprar Bitcoin à bolha da internet de 1998.

Segundo ele, o otimismo excessivo pode levar a quedas abruptas quando as expectativas não forem atendidas.

O risco de queda no preço

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Outro alerta vem de Eric Benoist, especialista em tecnologia e dados do Natixis CIB. Ele destaca que, se o preço do Bitcoin cair significativamente, as ações dessas empresas também sofrerão fortes quedas. E, em casos de endividamento elevado, existe o risco real de inadimplência e falência.

O dilema corporativo: foco no core business ou no Bitcoin?

Empresas que não têm a cripto como atividade principal podem enfrentar conflitos de prioridade. Um sócio da Dragonfly Capital alerta que, quando parte significativa do caixa está alocada em criptoativos, decisões estratégicas essenciais para o negócio principal podem ser comprometidas.

Diversificação além do Bitcoin

Ethereum, Solana e outros ativos

O fenômeno das tesourarias cripto já começa a ir além do BTC.
Exemplos recentes incluem:

  • ReserveOne: negócio avaliado em US$ 1 bilhão, financiado por corretoras como Kraken e Blockchain.com, que planeja comprar Bitcoin, Ether e Solana.
  • EtherMachine: captou US$ 1,5 bilhão para adquirir Ethereum.

Essa diversificação pode aumentar o potencial de valorização, mas também eleva o risco, já que altcoins tendem a ter maior volatilidade que o Bitcoin.

Perspectivas de longo prazo

Possível consolidação do modelo

Se o Bitcoin mantiver sua trajetória de valorização, é provável que a estratégia de tesouraria cripto se consolide como prática comum entre empresas de capital aberto, especialmente nos EUA.

O impacto da política monetária

A política do Federal Reserve e o cenário macroeconômico global terão papel central na sustentabilidade dessa prática.

Taxas de juros mais baixas tendem a incentivar investimentos em ativos de risco, como criptomoedas.

Conclusão: oportunidade ou risco calculado?

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A corrida das empresas para comprar Bitcoin é, ao mesmo tempo, um sinal da força do ativo no mercado financeiro global e um alerta para possíveis excessos especulativos.

Para investidores, o movimento abre novas oportunidades de exposição indireta ao mercado cripto. Mas também exige análise criteriosa dos riscos, especialmente em relação ao endividamento das empresas e à volatilidade natural dos ativos digitais.

Enquanto o Bitcoin permanecer em alta, o modelo deve continuar ganhando adesão. Mas, como a história já mostrou em outros ciclos de mercado, nem toda euforia dura para sempre.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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