A nova fase do empréstimo consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada (CLT) entrou oficialmente em operação nesta sexta-feira, 25 de abril, nas plataformas digitais de todos os grandes bancos brasileiros. A implementação marca um novo capítulo no mercado de crédito, com potenciais impactos sobre lucros, dividendos e a competitividade entre instituições financeiras.
Empréstimo consignado CLT: nova fase começa hoje e pode afetar os dividendos do seu banco
Nova etapa do empréstimo consignado CLT entra em vigor e pode impactar dividendos e lucros dos principais bancos brasileiros.
O programa, que passou a vigorar em 21 de março de 2025, teve uma adesão inicial mais acelerada entre bancos de pequeno e médio porte, enquanto os grandes nomes do setor preferiram adotar uma postura mais cautelosa. Agora, com todos os bancos integrados ao sistema, especialistas já analisam como a mudança poderá influenciar a rentabilidade das instituições e seus repasses aos acionistas.
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Adesão gradual: um movimento estratégico dos grandes bancos

Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Nubank agora estão no jogo
Segundo levantamento do JPMorgan realizado no fim de março, o Agibank foi o banco com o maior número de ofertas disponíveis nos primeiros dias do consignado CLT. Em contrapartida, grandes bancos como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Nubank demoraram algumas semanas para ingressar com ofertas próprias.
A hesitação, no entanto, é considerada saudável por analistas financeiros. André Vasconcellos, professor da Trevisan Escola de Negócios, explica que bancos com maior exposição sistêmica precisam adotar medidas cautelosas ao se deparar com um novo produto financeiro. “Diferente do consignado voltado ao setor público, o crédito CLT carrega riscos mais relevantes, como a maior rotatividade do emprego formal e a instabilidade dos dados do eSocial”, comenta.
Santander confirma entrada, mas ainda sem grandes detalhes
O Santander também confirmou adesão à nova modalidade, embora não tenha divulgado detalhes sobre sua estratégia. A entrada do banco é aguardada com expectativa, já que ele tradicionalmente adota uma postura competitiva no mercado de crédito.
Como o consignado CLT pode afetar dividendos e lucros dos bancos
Crédito mais barato, margem menor
O empréstimo consignado CLT oferece juros mais baixos por contar com desconto em folha de pagamento, o que reduz o risco de inadimplência. No entanto, essa característica também implica em margens financeiras menores para os bancos.
Hugo Cabral, analista da Nord Investimentos, destaca que o spread bancário – diferença entre o custo de captação e o juro cobrado – tende a diminuir com a popularização da nova modalidade. “O crédito consignado CLT aumenta a carteira, mas pressiona a margem de lucro dos bancos”, afirma.
Milton Rabelo, da VG Research, estima que a modalidade tem potencial para quadruplicar em quatro anos, chegando a R$ 120 bilhões. “Com a baixa participação inicial do Banco do Brasil e Bradesco, há espaço para crescimento maior dessas instituições nesse segmento”, pontua.
Participação limitada no crédito pessoal pode amortecer impacto
Apesar da pressão sobre as margens, os impactos nos lucros e dividendos das grandes instituições financeiras não devem ser tão drásticos. Larissa Quaresma, analista da Empiricus, lembra que a exposição ao crédito pessoal nos maiores bancos é relativamente baixa. “O Itaú, por exemplo, tem menos de 5% de sua carteira nesse tipo de crédito; o Bradesco, cerca de 7%”, explica.
Ainda assim, os bancos terão de oferecer o consignado CLT aos clientes que atualmente utilizam linhas mais caras, como o crédito pessoal sem garantia. Essa substituição poderá comprometer, em parte, a rentabilidade dessas instituições, ainda que de forma controlada.
Nubank: o maior impacto entre os grandes
Alta exposição ao crédito pessoal preocupa analistas
Entre os grandes bancos, o Nubank aparece como o mais exposto aos efeitos do novo modelo. Aproximadamente 30% da carteira de crédito da fintech está focada no crédito pessoal – justamente a linha que tende a ser substituída pelo consignado CLT.
“O Nubank tende a ser o mais prejudicado. Vai ser obrigado a oferecer o consignado, que tem menor rentabilidade. Isso deve gerar uma queda no ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido)”, afirma Larissa Quaresma. No entanto, a analista pondera que ainda não há uma estimativa precisa da magnitude dessa redução.
Impacto incerto a curto prazo
Analistas do Goldman Sachs ressaltam que nem todos os clientes do Nubank se enquadram nos critérios para contratar o novo produto. A migração em massa do crédito pessoal para o consignado CLT depende de variáveis como o vínculo formal de trabalho dos usuários da plataforma, o que torna o cenário ainda incerto.
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Uma nova dinâmica no crédito privado
Com cerca de 26% dos tomadores de crédito pessoal potencialmente elegíveis ao consignado CLT, segundo a Febraban, o novo produto tem capacidade de mudar significativamente o perfil do mercado de crédito no Brasil. São R$ 83,8 bilhões que podem migrar para uma modalidade mais segura para os bancos e mais vantajosa para os trabalhadores.
Além de reduzir inadimplência, o produto pode contribuir para uma reeducação financeira do trabalhador formal, ao oferecer condições mais acessíveis do que as opções tradicionais de empréstimo pessoal.
Estratégias personalizadas definirão o sucesso
Diante de margens mais apertadas, as instituições financeiras precisarão adotar estratégias personalizadas para rentabilizar o consignado CLT. A aposta em tecnologia, análise de dados e fidelização de clientes será essencial para extrair valor dessa modalidade com menor risco.
“O diferencial agora estará na gestão do risco e na eficiência operacional. Bancos que conseguirem equilibrar margem e volume terão vantagem competitiva”, analisa Vasconcellos.
Conclusão
A entrada oficial dos grandes bancos na nova fase do empréstimo consignado CLT marca um momento de transição no mercado de crédito brasileiro. Com juros mais baixos e menor inadimplência, a modalidade representa uma alternativa atrativa para milhões de trabalhadores e uma reconfiguração estratégica para as instituições financeiras.
Apesar do impacto inicial nos dividendos ser considerado limitado, principalmente entre os maiores bancos, o Nubank aparece como o principal afetado. A competitividade e rentabilidade do setor dependerão da capacidade dos bancos de se adaptarem a essa nova realidade, conciliando cautela e inovação.
Com Informações de: E-Investidor
Imagem: Freepik e Canva

