Mesmo com salários de até R$ 96 mil por mês em cargos executivos, muitas empresas brasileiras, especialmente do setor financeiro, ainda não conseguem preencher essas vagas. Estudos indicam que existem mais de 1.600 vagas disponíveis, mesmo com remuneração atrativa. Esse cenário evidencia que, atualmente, a escassez de talentos vai além do aspecto financeiro.
R$ 96 mil por mês e zero interessados: a nova realidade do mercado de trabalho
Mesmo com salários de até R$ 96 mil, empresas brasileiras enfrentam dificuldade para contratar profissionais qualificados. Entenda os motivos.

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Profissionais optam por estabilidade e benefícios
Grande parte dos profissionais valoriza estabilidade, plano de carreira e benefícios robustos mais do que uma proposta salarial pontual. Muitas empresas oferecem pacotes que incluem bônus, participação nos resultados, plano de saúde premium, vale‑educação, entre outros, que resultam em forte retenção de funcionários e contrapropostas frequentes.
Exigência além da experiência técnica
Estado da arte exige não apenas habilidades técnicas, mas também visão estratégica, capacidade de liderar projetos complexos, comunicação assertiva e domínio de dados. Cargos como CFO, controller e analista sênior de risco exigem esse conjunto de competências, o que limita o número de candidatos aptos.
Escassez de soft skills e resiliência
Em um ambiente de rápidas mudanças, habilidades comportamentais como colaboração, liderança, inteligência emocional e pensamento crítico são cada vez mais cobradas. Empresas relatam dificuldade em encontrar profissionais com esse equilíbrio entre hard skills e soft skills.
Setores mais afetados pela falta de profissionais
Finanças e tecnologia como foco da escassez
Área financeira concentra a maioria das vagas bem remuneradas em aberto, mas também existe grande demanda na área de tecnologia. Projeções incluem déficit de centenas de milhares de vagas em TI até 2025, o que reforça a competição por profissionais qualificados nesses segmentos.
Logística, energia e serviços também sofrem
Mesmo setores considerados tradicionais, como logística, energia, infraestrutura e serviços, enfrentam níveis altos de dificuldade na contratação. Em muitos casos, vagas amplas não são preenchidas por falta de candidatos com experiência no setor e nas ferramentas exigidas.
Razões para a relutância em mudar de emprego
Risco percebido em tempos incertos
Cenários de instabilidade macroeconômica fazem com que muitos profissionais evitem trocar de emprego, mesmo diante de propostas atraentes. A incerteza em relação a remuneração futura, cultura organizacional, e planos de carreira faz com que a permanência seja a escolha mais segura.
Contrapropostas pesadas das empresas atuais
Empresas, especialmente grandes organizações, são rápidas em oferecer aumentos salariais e melhorias nos benefícios quando detectam intenção de saída de um bom profissional. Essa capacidade de reação reduz a rotatividade.
Estratégias para enfrentar a escassez de talentos
Aposta em upskilling e reskilling
Muitas organizações estão criando programas internos de capacitação, focados em treinar e qualificar colaboradores para funções mais complexas. Esse movimento reduz a dependência na contratação externa e desenvolve talentos alinhados à cultura interna.
Modelos de trabalho flexíveis
Implementação de regimes híbrido e remoto, horários flexíveis e políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional têm se mostrado eficientes para atrair candidatos que buscam mais autonomia e qualidade de vida.
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+311 mil seguidores
Revisão dos processos seletivos
A adoção de recrutamento focado em potencial e aprendizado contínuo, em vez de requisitos rígidos como anos de experiência ou diplomas específicos, amplia a base de candidatos e encontra profissionais promissores que se encaixam nos valores da empresa.
Benefícios além do pacote convencional
Empresas estão criando propostas diferenciadas, incluindo consórcios, auxílio para reforma de casa, programas de saúde mental, educação continuada e suporte financeiro para filhos. Essas iniciativas têm alto impacto na decisão dos candidatos.
Mercado de trabalho em transformação constante
Desequilíbrio entre oferta e demanda
O fato de haver profissionais disponíveis, mas que não atendem aos requisitos específicos das vagas, mostra que o problema está na falta de perfis com formação adequada às novas exigências do mercado, e não na escassez geral de pessoas procurando emprego.
Valorização crescente das competências emocionais
Empresas valorizam cada vez mais inteligência emocional, resiliência, criatividade, pensamento crítico e capacidade de liderança — competências que nem sempre estão vinculadas ao histórico profissional, mas são fundamentais para enfrentar desafios complexos.
O salário alto é apenas parte da solução

Fica claro que o simples aumento salarial não resolve a escassez de talentos. A solução envolve estratégia, pacotes de benefícios robustos, programas internos de desenvolvimento, flexibilidade no trabalho e recrutamento por potencial.
Empresas que combinarem remuneração competitiva, cultura forte, crescimento profissional e atenção às necessidades dos colaboradores estarão à frente na disputa por talentos — especialmente nos setores mais demandados como finanças, TI e logística.
